Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Interesses cruzados ou objectivos comuns? (II)

12 de Março, 2018
Na sequência da abordagem feita na semana passada neste espaço, em que defendi com poucos dos muitos argumentos convincentes que possuo, para continuar a provar “nem que me enterrem vivo”, de que o actual modelo de financiamento para o desporto nacional há muito que está “liquidado”, ou seja está SUB-DESENVOLVIDO, pois, o mesmo continua baseado em três eixos, nomeadamente: as COTAS, o MECENATO e a BILHETERIA, vou agora dedicar atenção exclusiva, especializada e tangível, ao modelo de financiamento para o desporto, actualmente em uso, ou em fase de implementação na maior parte dos países em todo o mundo, modelo que eu considero DESENVOLVIDO, e que estão baseados, curiosamente, também em três eixos, nomeadamente; MARKETING DESPORTIVO, PATROCÍNIOS E CONTRATO-PROGRAMA.

MARKETING
DESPORTIVO
Não é novidade para ninguém, que o marketing desportivo passou a fazer parte das receitas “correntes” mais importantes do financiamento dos clubes desportivos além-fronteiras.
Ainda, no que toca ao marketing desportivo, mais concretamente feito além fronteiras, sustenta-se com base em publicidade, na venda de merchandising, bem como de receitas provenientes de transmissões televisivas.
Neste aspecto, apesar de já estarmos a fazer de modo ainda incipiente alguma coisa, o que é de todo louvável, a verdade é que ainda estamos longe do ideal, porque falta-nos o suporte técnico-profissional, uma capacidade financeira estruturada, e acima de tudo ou mais importante de tudo, que se mude a mentalidade, o conceito de dirigente desportivo, para gestor desportivo.
Porque e desculpem-me a franqueza, com tantos “sapateiros a tocar rabecão”, um pouco por tudo o que é canto e lugar a nível do desporto nacional, não se pode esperar melhor.
Ou seja, que o desporto dê o tal salto para o profissionalismo puro e maduro, quando ao invés disso, estamos sempre com o “coração na mão”, à espera e preparados para o pior porque nunca sabemos como é que isso tudo vai acabar, ou qual será o seu fim, a julgar.
O meu ponto de vista, é que o desporto nacional apanhou em cheio a crise que o país está a atravessar financeiramente, ao ponto de sofrer como um gravíssimo acidente, como se partisse todo “ cabeça, braços, pés, coluna, tornozelo e não sei lá mais o quê”!
Falando ainda sobre o marketing desportivo, vale salientar que os clubes e Federações devem usá-la da mesma maneira que os treinadores, independentemente da modalidade utilizam determinados jogadores para fazerem jogadas decisivas em determinados momentos do jogo, refiro-me às conhecidas “armas secretas”.
É claro que o marketing pode e deve ser uma arma secreta para combater as dificuldades financeiras e os recursos que afectam seriamente os clubes e as Federações nacionais, que para o efeito e para seu bom uso como garantia certa de retornos aos investimentos feitos, devem procurar caracterizá-lo para explorá-lo e aproveitá-lo de maneira proficiente, principalmente, no que tange às relações existentes entre os adeptos do desporto e as marcas quer desportivas, bem como as marcas empresariais ou comerciais que apostem no desporto para passar as suas mensagens e divulgar os seus produtos e serviços.
Agora, acerca de PATROCÍNIOS, vale a pena referir que é uma ferramenta que utiliza o desporto como veículo e suporte de comunicação, que por causa da dimensão e espaço que ganha consistentemente no métier desportivo, vale a pena conhecer e entender bem o seu funcionamento metodológico!
O patrocínio desportivo, financiado total ou parcialmente, deve ser bem pensado e gerido com o profissionalismo devido, no âmbito de uma estratégia de comunicação perfeitamente integrado, deve para o efeito estar sujeito à divulgação pública, já que a contrapartida é uma referência para as entidades que apoiam ou patrocinam o desporto, que permite o estabelecimento de uma relação e clima de proximidade, interactividade e envolvimento emocional entre marcas desportivas, marcas empresariais ou comerciais e os adeptos fãs do desporto, que simultaneamente são consumidores ou clientes das referidas marcas.
E, neste campo, às quantas andamos, em Angola?
Este, e o assunto relacionado com o CONTRATO -PROGRAMA vão ser abordados no próximo artigo, que por sinal, será o último desta série “exclusiva” de artigos.
NZONGO BERNARDO DOS SANTOS

*Mentor e gestor do fórum
marketingdesportivo.

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