Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Investir no desporto como um negcio!

30 de Abril, 2018
Será um facto surpreendente ou uma lógica surreal, classificar o desporto como negócio?

Neste quesito, as dúvidas podem ser dissipadas se atentos ao actual impacto económico, financeiro e social do fenómeno desportivo, quer nos montantes dos investimentos feitos por clubes à escala planetária, quer nos rendimentos auferidos pelos melhores desportistas, sejam eles jogadores de golfe, basquetebolistas, tenistas, pilotos da fórmula 1, ou até mesmo, futebolistas de renome internacional.

Esta clara \"empresarialização\" do desporto, vem de encontro à evolução da sociedade dos nossos dias, das empresas, das Federações desportivas, dos clubes, e dos atletas.

Para o efeito, uma observação a algumas situações de ontem e de hoje, a nível internacional, podem auxiliar-nos no enquadramento e na compreensão sobre a problemática em análise neste artigo.

Comecemos pela antiga estrela do basquetebol americano e mundial, Michael \"air\" Jordan.

Tornou-se a verdadeira peça chave, que levou a marca de equipamentos desportivos, Nike, a sair da posição de irrelevância, para tornar-se a marca líder e de sucesso, neste segmento comercial, que a cada ano vai torna-se mais competitiva, e com lucros cada vez mais fabulosos.

Para o leitor ter uma ideia clara do que lhe quero transmitir em termos de informação, vou tentar traduzir em número factuais e reais.
Em 1984, quando Michael Jordan firmou pela primeira vez o contrato com a Nike, a receita total dessa marca de equipamentos desportivos estava próxima dos 900 milhões de dólares. Em 1997, quando Jordan estava a ganhar o quinto dos seis títulos, a receita total da Nike já tinha superado os 19 bilhões de dólares!

A Fórmula 1, é o desporto que mais receitas gerada desde 2007, de forma ininterrupta. Nos últimos 10 anos, a referida categoria automobilista acumula receitas no valor de 3, 9 bilhões de dólares, por ano.

A calendarização do referido mundial, baseado na atractividade económica de cada circuito e na estratégia de divulgação de marcas que se associam ao evento, assim como o perfil das cadeias de televisão de cada país onde ocorrem as corridas, são os condimentos para que a Fórmula 1 esteja hoje entre os desportos de top, quanto à movimentação financeira e audiência, conquista a cada ano um elevado número de adeptos pelos quatro cantos do globo terrestre.

O posicionamento do FC Barcelona, assenta a assinatura na máxima, “Mais do que um clube”, traduz a realidade de um clube que não está ligado só à competição desportiva.

A estratégia da marca do clube assenta em dois pilares fundamentais, a primeira, desportiva aposta na contratação de grandes jogadores cuja mais-valia trás receitas astronómicas ao clube.

O segundo pilar do FC Barcelona, assenta-se no factor social, com a implementação de um vasto leque de acções sociais de apoio a grupos mais desfavorecidos, sobretudo a nível internacional, assim como na afirmação de valores culturais da Catalunha.

Resultado? A marca Barcelona tornou-se tão atractiva e apetecível ao segmento empresarial, ao ponto de recentemente firmar um acordo de quatro anos com a empresa japonesa Rakuten, que vai pagar 55 milhões de Euros, por ano, só para ter o nome da referida empresa estampada na parte frontal da camisola de um dos clubes mais famosos do planeta.

Ainda nesta senda, convém deixar uma informação relevante sobre o PSG de França, que está a equacionar a hipótese, de dentro em breve, mudar de emblema.

Segundo a revista Briefing, o clube parisiense consultou três agências especializadas, para analisar propostas para modernizar o seu símbolo.

A fonte explica, que a consulta surge depois do PSG encomendar um estudo de mercado, com o fim de avaliar o que mais valorizam os adeptos, sócios, parceiros e patrocinadores do clube, no seu logótipo.

Na conjuntura actual, a competição desportiva é fortemente condicionada à condição financeira, assume o marketing em definitivo a sua importância no sistema desportivo.

Por isso, é frequente os profissionais do desporto recorrerem ao marketing desportivo para a gestão financeira e comercial dos clubes, seja para cuidar da sua imagem ou à procura de patrocinadores.
(*) Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
ZONGO FERNANDO DOS SANTOS

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