Jornal dos Desportos

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Opinio

JGM e Cala, como ento?

03 de Outubro, 2017
Depois de ter anunciado desistência do Girabola e da Taça de Angola, a equipa do JGM do Huambo, movido sei lá por que força, recuou na decisão e continua a disputar o Girabola Zap para, segundo alegações da direcção, não prejudicar as equipas que disputam a permanência.

Colocando-me na posição de simples leitor, a única coisa que diria é o seguinte: isso é brincadeira.
Porém, enquanto articulista sou obrigado a ser mais lesto na opinião, e talvez exceder-me (se for o caso, que me desculpem), e dizer que a atitude da direcção da equipa do JGM não é digna de quem se presta ao \"negócio\" do futebol, sobretudo na nossa realidade em que o dinheiro fala muito alto.

Se calhar terá passado despercebido aos gestores (merecem este termo?), que a justificação apresentada para a continuidade no Girabola ZAP é tão esfarrapada e por conseguinte também eivada de alguma leviandade, comparando o estrago que a decisão inicial teve na Taça de Angola.

Ou seja, o JGM, ao anunciar a desistência, fê-lo igualmente em relação à Taça de Angola e, por via disso, permitiu à equipa do Petro Atlético de Luanda atingir os quartos-de-finais, sem ter disputado a fase anterior o que, de per sí, fere a verdade desportiva.
Imaginemos um cenário hipotético em que o clube do eixo viário vença a Taça de Angola! Será uma vitória passível de ser adjectivada como de valor não absoluto, em função do jogo que não realizou contra a equipa do Huambo, sem que as culpas sejam assacadas aos comandados de Tomás Faria.

Está certo que tudo ocorre à luz do ordenamento regulamentar por que se guia a Federação Angolana de Futebol que, verdade dita, já devia perceber que eis chegada a hora para a necessidade de reestruturação das \"normas\" que orientam a prática do futebol no nosso mosaico desportivo.Mas, outra saída não restou ao órgão reitor do futebol senão se colocar numa posição de fragilidade perante a brincadeira de mau gosto protagonizadas pelo JGM e pelo Recreativo da Caála.

Defendo que a Federação Angolana de Futebol deve ser mais rígida na forma de gerir situações do género, pelo que aproveito mesmo sugerir que fosse aceite como conclusiva e irreversível a desistência de qualquer equipa, pois os seus gestores devem saber que ela, a desistência, é o extremo das decisões à que se pode chegar.

Ainda sobre o JGM do Huambo, o recuo significa que não estavam esgotadas as possibilidades de continuidade na prova, pelo que confirma-se a minha reserva em chamar os dirigentes da referida equipa de gestores, porquanto, gestor que se preze, sabe que a ponderação na tomada da melhor medida é recomendada pelos manuais.Por outro lado, ainda na mesma província do Planalto Central, o caso da falta de comparência averbada ao Recreativo da Caála, por não ter pago a equipa de arbitragem é, para além de anedótico algo que merece elevada repulsa de todos que olham e se preocupam com o fenómeno desportivo angolano.

Outra vez acho ter existido um extremismo de posições entre as partes envolvidas, o que provocou uma fotografai de todo detonada e que não se recomenda para nada, sobretudo para uma nação cujo futebol já esteve representado ao mais alto nível, no caso no mundial de 2006.

Enfim. Acho estarem criadas as condições subjectivas e objectivas para o \"poder desportivo\" angolano começar a olhar para a reconfiguração do modo de disputa do Girabola, que já não se compadece com a junção no mesmo saco, de equipas como o Petro de Luanda, 1ºde Agosto e Inter Clube, só para citar estas, com àquelas que ontem anunciam abandono, hoje a continuidade, ficando por saber o que virá amanhã.

Por fim, temos campeonato! E bom que seja até ao fim, com base na troca de lugares nas duas posições do topo, o que indicia competitividade, e isso é salutar para os verdadeiros amantes do desporto.
Carlos Calongo

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