Jornal dos Desportos

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Opinio

Jogadores de fora e o futebol angolano

08 de Dezembro, 2015
A decisão saída da recente reunião entre representantes da Federação Angolana de Futebol (FAF) e os clubes do Girabola, que permite a inscrição e a utilização, em simultâneo de cinco atletas estrangeiros, ao invés vez de três, como acontecia em partidas oficiais organizadas pelo órgão que rege o futebol em Angola, continua a dividir as opiniões dos agentes da modalidade.

Os que se manifestam em concordância com tal decisão, apresentam como argumento a possibilidade das equipas angolanas que forem representar o país nas competições organizadas pela Confederação Africana de Futebol (CAF), melhorarem as suas performances e puderem rivalizar em igualdade de circunstâncias com às demais africanas, principalmente com as da região do Magreb. A maioria das formações do Norte de África, cujo futebol no campo desportivo e estrutural sobrepõem-se as das outras regiões do continente berço, integra vários atletas estrangeiros.

Apontam como exemplo, na África ao sul do deserto do Sahara, a equipa do TP Mazembé, da República Democrática do Congo, actual campeã e detentora de vários títulos da Liga dos Clubes Campeões, que conta com uma quantidade assinalável de atletas estrangeiros. Para o efeito, concorre o facto da maioria dos atletas africanos com qualidade acima da média, emigrarem para outros continentes, alguns dos quais com idades referentes aos escalões de formação, ao contrário do que sucedia nas décadas de oitenta e noventa.

Para que o leitor construa uma ideia mais precisa, naquela época, as selecções dos Camarões, do Ghana, da Costa do Marfim e do Egipto, só para citar estas que dominavam os CAN, tinham como base atletas que jogavam nos seus países, designadamente, no Canon de Yaoundé, Tonérre e União de Douala (Camarões), Ashanti Kotoko de Kumasi (Ghana), ASEC Mimoses e África Sport de Abidjan (Costa do Marfim) e Al Alhy, Ismail e Zamalek (Egipto). Ao invés, nos dias que correm, a maioria dos atletas que são chamados a representar as diversas selecções africanas actuam em campeonatos fora do continente, sobretudo da Europa e da Ásia.

É certo, que em termos imediatos os resultados podem surgir. Mas, é preciso que se salvaguarde os interesses do futebol nacional no seu todo. É do conhecimento geral que a contratação de atletas estrangeiros, acarreta custos mais elevados do que a contratação de jogadores “domésticos”, principalmente na actual fase em que no país também se faz sentir os reflexos da crise económica e financeira mundial.

Para além das luvas contratuais, salários, prémios de jogo e outros itens, os clubes contraem despesas relacionadas com o alojamento e alimentação, entre outras. Contam-se pelos dedos de uma mão os atletas que até o momento contratados trouxeram mais-valias ao futebol nacional. É assim que a FAF e ou os clubes devem arranjar formas de se evitar que continuem a ser contratados atletas estrangeiros, em fim de carreira, com idade avançada e portadores de algumas lesões, a preços elevados, de qualidade duvidosa e que nada de novo acrescentaram ao futebol angolano.

Independentemente de tal medida ser materializada, a partir da próxima época, cujo início está aprazado para a segunda quinzena de Fevereiro, a FAF e a Liga de Clubes, para o caso desta ser constituída dentro de dois anos - como é pretensão de uma quantidade considerável de presidentes de clubes - devem desenvolver formas de melhor desenvolvimento e aproveitamento dos jovens nos escalões de formação a partir dos clubes em regime de obrigatoriedade, como forma a que as selecções nacionais não se sintam prejudicadas.

Para o efeito, noves fora as dificuldades financeiras com que o país se debate, os responsáveis pelo futebol nacional, devem envidar esforços no sentido de que as selecções jovens (sub-15, sub-17, sub-20 e sub-23), adquiram maior traquejo competitivo internacional, através da participação em torneios, competições e jogos amigáveis, quer no país, como além-fronteiras.

Não é viável à realidade angolana que se siga o exemplo da Real Federação Britânica, que exige que para o atleta estrangeiro actuar por um clube da principal liga do Reino Unido deve possuir uma determinada idade, a qual não dispomos, e ter representado a selecção do seu país, por pelo menos cinco vezes. Também não é correcto, pelas razões que se conhecem, que se coloquem em causa, na generalidade, as qualidades técnico-competitivas de um atleta em actividade, mesmo do segundo escalão de um país da América do Sul, como o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, entre outros.
Leonel Libório

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