Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jogar com seriedade

21 de Dezembro, 2015
Com a realização amanhã, terça-feira, do sorteio do Campeonato Nacional de futebol da 1ª divisão, vulgo Girabola, referente a época de 2016, as pessoas não devem ficar indiferentes aos regressos do 1º de Maio de Benguela e do Porcelana FC de N’Dalatando do Cuanza-Norte, assim como a estreia na 'fina flor' do futebol nacional, do Desportivo “4 de Abril” do Cuando-Cubango.

Isso não decorre apenas do facto de as equipas em questão marcarem presença numa competição que acarreta gastos financeiros considerados elevados, dado o nível de preços que são cobrados em Angola, mas por terem atravessado alguns problemas de âmbito financeiro, na Segundona, prova que os guindou para a maior competição futebolística nacional de clubes.

Tal apreensão ganha consistência pelo facto de não apenas por serem primodivisionários, mas por haver igualmente equipas “habitués” no Girabola, onde se incluem algumas que são patrocinadas por “petrolíferas “ estrangeiras que operam em Angola, à excepção do Atlético Petróleos de Luanda, que tem como sponsor a SONANGOL, que têm passado por momentos difíceis relacionados com a falta de meios financeiros que não são colocados a sua disposição, por quem de direito. Isso, como é lógico, tem provocado constrangimentos a essas equipas, com implicação directa no rendimento desportivo, tais como o desencadear de greves e resistência passiva por parte dos atletas.

Recordamos que isso passou-se com a Académica Petróleos do Lobito, Académica Petróleos do Soyo, Atlético Petróleos do Huambo, Sporting Petróleos de Cabinda, Benfica Petróleos do Lubango, sendo que a direcção do Atlético Petróleos do Namibe, abdicou do escalão sénior, pelos recorrentes incumprimentos por parte do patrocinador, em relação aos correspondentes montantes financeiros.

Por não ser a primeira vez que se está em presença de factos dessa natureza, agravados depois que alguns patrocinadores deixaram de apoiar ou reduziram o apoio financeiro aos clubes, é de bom grado que a recente tomada de decisão da direcção da FAF (Federação Angolana de Futebol) em exigir que os clubes apresentem, na altura da realização do sorteio, a correspondente garantia financeira que lhes garanta a participação na íntegra, numa competição sem constrangimentos.

Não é de agora que a direcção do 1º de Maio de Benguela, para “sobreviver” a um campeonato, quer da 1ª divisão como da Segundona, (já há quem apelidou a equipa de “sobe e desce”), vê-se obrigada a aclamar por apoios de “mão estendida”, a pessoas de “boa vontade”. Bento Kangamba, o empresário e proprietário do Kabuskorp do Palanca, agremiação que também se debate com problemas de âmbito financeiro, tem-se destacado no apoio aos “proletários”, cuja intenção continua a não ser bem vista por alguns agentes da modalidade.

Na época passada, as formações do Cuanza-Norte e do Cuando-Cubango, também viveram problemas financeiros, alguns dos quais, que ainda aguardam por solução. Nunca é demais recordar que em épocas anteriores, principalmente nas provas de Apuramento ao Girabola, se registaram as desistências de alguns clubes por questões financeiras. Ao se ter como exemplos recorrentes de factos que têm acontecido com alguma frequência em épocas recentes, envolvendo principalmente equipas de “clubes dos petróleos” , reafirmamos a importância dos membros da cúpula directiva do futebol nacional, aquando do sorteio do Girabola, Segundona e Taça de Angola, em criarem mecanismos no sentido de se precaverem contra possíveis desistências nas competições por si organizadas.

Em relação a obrigatoriedade dos clubes da 1ª divisão em possuírem os escalões de formação, cuja orientação do órgão máximo do futebol nacional, a maioria não cumpre, sem que nada se faça à respeito, a recente determinação sobre as condições financeiras que permitam os clubes participarem em determinada competição, sem sobressaltos, para o bem do futebol nacional, deve ser cumprida à risca.

Não é um facto novo que depois da realização dos sorteios, as equipas fornecerem indicadores de possuírem os recursos financeiros suficientes relacionados com a época, com a mesma decorrer, anunciam a sua desistência ou vêem-se punidas com algumas faltas de comparência, numa clara violação aos princípios da verdade desportiva. Ao procederem dessa forma, os clubes vão evitar alguns constrangimentos no que concerne a preparação da próxima época, relacionados com a contratação de técnicos, aquisição e dispensa de atletas, programação de estágios e calendarização de jogos de controlo.

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