Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jogar na antecipao

30 de Setembro, 2013
Numa altura em que faltam duas jornadas para a conclusão da prova nacional de apuramento ao Campeonato Nacional da I Divisão do próximo ano, as pessoas não devem ficar à margem do possível regresso à fina-flor do futebol nacional do Sporting Petróleos de Cabinda e do Benfica Petróleos do Lubango. Isso não decorre apenas do facto de as equipas em questão, por serem, respectivamente, as líderes da série A e C, com probabilidades de não serem apanhadas pelos seus directos perseguidores, mas por receberem patrocínios de associadas da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (SONANGOL).

Tal apreensão ganha consistência pelo facto de há cerca de quatro épocas, as equipas que são patrocinadas por “petrolíferas” que operam em Angola, à excepção do Atlético Petróleos de Luanda, que tem como “sponsor” a Sonangol, têm passado por momentos difíceis relacionados com a falta de meios financeiros que não são colocados à sua disposição por quem de direito. Isso, como é lógico, tem provocado constrangimentos a essas equipas, com implicação directa no rendimento desportivo, como o desencadear de greves por parte dos atletas.

Aconteceu com a Académica do Lobito, Académica do Soyo, Petro do Huambo, Sporting de Cabinda e o Benfica do Lubango, sendo que a direcção do Atlético do Namibe, que participa no Girabola, anunciou recentemente que na próxima época o clube vai extinguir o escalão sénior, pelos recorrentes incumprimentos por parte do patrocinador e dos correspondentes montantes financeiros.

Não é a primeira vez que se está em presença de factos dessa natureza, agravados depois que o actual vice-Presidente da República, Manuel Vicente, deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da Sonangol, tendo acontecido em épocas anteriores, principalmente nas provas de apuramento ao Girabola, em que, como se disse, se registaram as desistências de alguns clubes por questões financeiras. Ao que o Jornal dos Desportos apurou de fonte fidedigna, enquanto principal rosto da Sonangol, Manuel Vicente interviu pessoalmente, por diversas vezes, na resolução do apoio às equipas subsidiadas pelas “petrolíferas”, o que não acontece com a actual administração da maior empresa nacional.

O que muita gente questiona é o facto de como a FAF “vai descalçar a bota”, se depois do que se tem registado, alguma equipa desistir, antes ou no decorrer das competições, após o emparceiramento das diversas competições ter sido efectuado. Não é de agora que, depois da realização dos sorteios, as equipas darem indicadores de possuír os recursos suficientes relacionados com a época, com a mesma decorrer anunciam a sua desistência ou vêem-se punidas com algumas faltas de comparência, numa clara violação aos princípios da verdade desportiva. É assim que, não apenas os clubes que são patrocinados pelas associadas à Sonangol, como os demais, cujas equipas participam nas competições organizadas pela FAF, devem envidar esforços junto dos patrocinadores, como forma de resolver a situação.

Ao procederem dessa forma, os clubes vão evitar alguns constrangimentos no que concerne a preparação da próxima época, como a aquisição de reforços, programação de estágios e jogos de controlo. É preciso que se acabe com as desistências a meio das épocas, para que a qualidade do futebol não se ressinta pela negativa, devido aos constrangimentos daí decorrentes. Leonel Libório

A MINHA REFLEXÃO
O desporto e a comunidade

Os programas de desenvolvimento dos desportos em áreas de privação social e económica geralmente têm dois objectivos amplos e independentes: o desenvolvimento do desporto nas comunidades e o desenvolvimento das comunidades por meio do desporto. O principal objectivo desses programas é a inclusão desportiva, porque os resultados desejados desses projectos incluem a remoção das barreiras para a prática do desporto nas comunidades, entre a população em geral e entre vários grupos.

Inclui ainda a previsão de oportunidades para progredir e desenvolver habilidades desportivas e especialização, bem como a previsão de oportunidades para se mover da participação de lazer para a competição ou excelência. O treino e apoio de líderes e treinadores e estabelecimento de ligações entre a escola, agremiações desportivas e a comunidade em geral fazem igualmente parte dessas oportunidades.Usando a mesma linha de pensamento, esses projectos têm como objectivo a inclusão social, visam reduzir as barreiras e aumentar a participação no sentido de utilizar o desporto como meio para um fim. Fim que passa por aspectos mais amplos de inclusão social e como meio para promover aspectos de desenvolvimento pessoal, social e comunitário.

Todos estes projectos têm como principal objectivo alcançar resultados sociais: melhoria da condição física e de saúde de grupos sociais específicos; abordagem de questões de segurança da comunidade e redução dos níveis de vandalismo e de criminalidade; contribuição para o melhor atendimento escolar e desempenho educacional, sem esquecer o desenvolvimento de habilidades sociais e técnicas e o aumento da empregabilidade. O grande objectivo é contribuir para o desenvolvimento da comunidade e a sua regeneração.

É verdade que os projectos variam muito em função do volume e tipo de recursos disponíveis, bem como das habilidades e experiência pessoais, os seus objectivos precisos e a natureza da comunidade e dos grupos.Tem de ser reconhecido que os resultados sociais e desportivos não são garantidos.O positivo são os resultados potenciais de participação. Mas, na tentativa de abordar questões de regeneração da comunidade e de inclusão social, sugere-se que o conceito de desenvolvimento do desporto deva ser redefinido. Sugerimos a existência de uma publicação que resuma os elementos-chave do sucesso do desporto e dos programas de desenvolvimento comunitário.

A liderança desportiva com os socialmente excluídos requer uma mistura incomum de habilidades: capacidade desportiva, habilidades de comunicação e empatia com pessoas que possam ser mal motivadas. A liderança desportiva pode ser uma profissão solitária e a equipa vai precisar de uma clara indicação do que se espera dela.Depende também do relacionamento entre líderes e a comunidade local. A continuidade é um ingrediente vital, porque a falta de continuidade pessoal pode criar problemas. Muito cuidado deve ser prestado à retenção de confiança e cooperação.

Esforços devem ser feitos para envolver voluntários na liderança desportiva local e em sessões contínuas de treino.Resumindo, os trabalhadores do desenvolvimento do desporto e da comunidade precisam de desenvolver uma compreensão e confiança mútuas. Os prestadores do desporto devem desenvolver uma compreensão no seu grupo de trabalho, não apenas em termos da natureza de quaisquer restrições à participação, mas em termos de valores, atitudes e prioridades, que não podem excluir o desporto. AUGUSTO FERNANDES

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