Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jogar na antecipao

23 de Setembro, 2017
O Girabola Zap 2017 está a terminar. Está na sua fase descendente. Faltam apenas seis jornadas para conhecer o seu final. Naturalmente que nesta altura enquanto a preocupação de uns é, obviamente definir posicionamentos, outros andam de calculadora na mão para que as contas finais resultem na manutenção na divisão maior ou ainda na melhoria da qualidade da sua classificação, em função de padrões comparativos ou não, salvaguardando também os egos e auto-estima.
Além disso tudo, para algumas agremiações, esfumadas que estão as expectativas em relação ao que projectaram no início da temporada, preferem pensar já na próxima época e assim fazerem uma planificação mais assertiva e com maior acuidade. É necessário sempre, jogar na antecipação. Impõem-se e recomenda-se.
Neste contexto, para muitos também, toda a actual campanha serve de profunda reflexão naquilo que terá sido o desempenho na competição mesmo que ainda vigente. Ao aproximar da colheita dos louros e ou fracassos, preparam já outra “lavoura” e, com isso, toda cientificidade que o processo requer. Mas, não são apenas e só reforços de atletas que devem fazer parte do “caderno de encargos” para a próxima época, como de resto, erradamente muitos clubes fazem.
A preparação para a próxima temporada por parte dos concorrentes intervenientes, independentemente da classificação que possam vir obter na presente época, passará necessariamente, por requalificarem o sistema de gestão desportiva.
Acho este aspecto crucial para quem pretenda obter resultados desportivos positivos. Desta forma poderão fazer as devidas análises e estudos profundos das vantagens e fraquezas que deverão encontrar, tendo como referência comparativa a prova que está prestes a terminar, bem como fazer os devidos orçamentos com pequenas margens de erros de cálculo.
Entendo que este exercício se irá afigurar difícil para alguns clubes que vivem de “mãos estendidas” e para outros que caminham de per si, sem terem fontes válidas de rendimento para puder suportar despesas avultadas de uma prova tão fastidiosa como é o nosso Girabola. Realmente isso, são histórias de outros rosários….
Da mesma forma, necessário se torna arregimentarem toda uma série de pressupostos que concorram para a estabilidade da equipa, nomeadamente a organização e estruturação do departamento de futebol para que a saúde do balneário seja efectiva e linear no período da vigência da prova.
Plano de necessidade, contratações, adaptabilidade, familiaridade, condições de trabalho, material e equipamento desportivo, enfim, uma pilha de pressupostos que concorrem todos para uma boa prestação em campo.
No aspecto desportivo, as que tiverem maior capacidade e liquidez claro que irão ao mercado (interno e externo) absorver para si as mais-valias e dotarem os seus planteis de valores que lhe possam conferir a competitividade necessária para superar os seus concorrentes.
Outras terão de aproveitar os de menor monta que muitos dos chamados “grandes” dispensam. Outros ainda, com base na “política” de formação e estimulação das camadas jovens, farão surgir dos seus “viveiros” jovens emergentes que podem “pegar de estaca” nos planteis e fazerem o devido furor. Os exemplos são muitos. Aliás é este o caminho a seguir. Apostar na formação. Esses são verdadeiros activos.
Porém, no meu ponto de vista, há também outros aspectos mais sensíveis que devem ser vistos no defeso que podem contribuir para a melhoria da competitividade do nosso futebol. Um deles, por exemplo, é a melhoria do estado de alguns campos onde o Girabola evolui.
Outro é haver regulamentação rigorosa do comportamento dos actores, quer sejam dirigentes, técnicos e atletas. Outro ainda é estabelecer legislação sobre as paragens do campeonato, necessidades, implicações, enfim… há que haver justeza e verdadeira “verdade desportiva” para que a nossa competição continue a ter os seus créditos firmados no plano interno, a nível continental e quiçá internacionalmente.
A FAF, tem assim responsabilidade acrescidas e, igualmente uma enorme tarefa de puder requalificar o calendário da prova, adequá-lo ao calendário das provas da CAF e melhorar os níveis organizativos gerais da prova. Já é tempo de termos uma organização melhor do que a actual. Vamos todos fazer este esforço ingente, premente e urgente. A qualidade que o nosso futebol tem tido, aliado à competitividade e a seriedade que ele envolve, já justifica que o nível organizativo, em todos os aspectos, possa ser melhor do que o actual. Por vezes, ainda se parece que “brincamos aos futebóis”, a julgar pelas situações pouco comuns que acontecem no nosso association.
Um outro aspecto que esperamos continue a conhecer melhorias, é obviamente a arbitragem. Sabemos que é todavia uma miragem a chegada aqui do “vídeo-árbitro” mas, as tecnologias que já são aplicadas na nossa arbitragem, aliado as exigentes superações de que são alvo os nossos árbitros, já se espera um melhor resultado em termos de prestação. Os casos de suspeição, envolvendo a arbitragem, não ajudam muito, pelo contrário, só perigam a “boa-imagem” que o nosso futebol timidamente vai tendo.
Por isso, ao aproximar-se o lavar dos cestos do Girabola Zap 2017, se torna imperioso preparar-se já a próxima temporada, jogando na antecipação, para que a campanha seja melhor….
Morais Canâmua

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