Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Jornada de gritos...

19 de Junho, 2018
Quando logo mais as selecções da Rússia e do Egipto descerem ao relvado do Estádio São Petersburgo, estará a começar a segunda jornada da primeira fase do Campeonato do Mundo, que, não sendo cem por cento decisiva, pode, porém, começar afastar a cortina de fumo. Há coisas, que, no desfecho desta ronda, ficarão já clarificadas e outras que se vão manter incógnitas, até aos derradeiros 90 minutos.
Poder-se-á dizer que se abre para o torneio, aquilo que se ousa dizer jornada de gritos, porque de igual modo que algumas selecções, que tiveram o mérito de somar três pontos, podem abrir as veredas para a fase seguinte, também aquelas que se revelaram perdulárias, podem ter a desdita de ter de ir para a terceira jornada para mero cumprimento de calendário.
Por esta ordem, a segunda jornada é, indubitavelmente, aquela que assume a particularidade de acertar os números no ficheiro, para o bem ou para o mal. O próprio jogo de hoje, por exemplo, pode, em caso da vitória dos anfitriões, ditar o primeiro qualificado aos oitavos-de-final e o primeiro devolvido precocemente para casa. Consideremo-la uma jornada em que se exige a observância de enormes cautelas.
Qualquer observador atento há-de corroborar, se inferirmos que acompanhar a primeira jornada foi super-agradável. As equipas souberam revelar uma forte capacidade combativa. Não olharam, tampouco tiveram em consideração a grandeza do adversário a defrontar. Daí o equilíbrio registado, não só na disputa na quadra, como também em números nos resultados.
De resto, quando uma Islândia trava uma Argentina, com todo o seu potencial, alicerçado na capacidade explosiva de Leo Messi assessorado por outros activos, e o México atira ao tapete o campeão em título, só podemos estar perante um torneio com várias incidências, onde tudo pode acontecer, do ruim ao prazenteiro.
O interesse da segunda jornada está na particularidade de duas vitórias bastarem para a passagem à fase seguinte, e de igual modo duas derrotas determinarem, irremediavelmente, o fracasso, já que, matematicamente, três pontos não qualificam num grupo composto por quatro equipas. Por esta ordem, aqueles que saíram vergados na ronda inaugural têm uma responsabilidade ingente.
Na verdade, a segunda jornada deve ser encarada com redobrado interesse. Mais a mais porque os jogos mais importantes, aqueles que envolveram selecções mais consagradas, não conheceram o desfecho que muito boa gente augurava. Portugal, Espanha, Argentina, Brasil e Alemanha olham para os segundos confrontos como de vida ou de morte, depois dos pontos desperdiçados.
Estas selecções precisam de fazer uma inversão ao quadro, sob pena de surpreender o mundo pela negativa e beliscarem a qualidade do torneio. Afinal, estamos a falar das mais prestigiadas, aquelas para as quais todos olham como potenciais candidatas. E sendo o futebol uma ciência à margem da lógica, os candidatos estão, também eles, fadados ao fracasso.
Aliás, temos bem presente o episódio da França, que, tendo sido campeão no seu país, em 1998, foi incapaz de passar da primeira fase quatro anos depois, quando a prova foi co-organizada pelo Japão e Coreia do Sul. É para dizer que, a Alemanha, deve encarar com maior seriedade esta jornada que hoje começa. O mesmo recado serve para os outros candidatos, sendo verdade que todos não lograram os três pontos que lhes podiam conferir outro fôlego.

Matias Adriano

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