Jornal dos Desportos

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Opinio

Juntos para um milho de desportista at 2020

16 de Maio, 2017
Comparando com uma fruta da qual se pode extrair saboroso sumo, a “boca” do ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, na perspectiva do país atingir uma população desportiva de um milhão é, de facto, um assunto suculento, daí a razão da sua eleição para a tertúlia desta semana.

Uma primeira questão que se coloca é em torno da possibilidade de atingir-se os números avançados pelo dirigente, pelo que respondemos afirmativamente, em função de vários factores que fundamentam a nossa corrente de pensamento, os quais se seguem, sem que sejam os únicos possíveis no universo de respostas.A primeira e mais elementar das ferramentas utilizáveis na sustentação da intenção do ministro, bem como da nossa resposta afirmativa são os resultados saídos do recenseamento geral da população e habitação de Angola, que teve lugar no período de 16 a 31 de Maio de 2014, vulgo Censo 2014.

Realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, a coberto da Lei 3/11 de 14 de Janeiro, Lei do Sistema Estatístico Nacional, e de Legislação conexa aprovada quer pela Assembleia Nacional como pelo Titular do Poder Executivo, o censo cifrou a população angolana em pouco menos de 26 milhões de habitantes.

A estrutura etária da população é caracterizada por uma população jovem, ou com idade entre os 0-14 anos, representando 47% da população residente total, sendo que o índice de envelhecimento aponta que por cada 100 pessoas com 0-14 anos existiam apenas 5 com 65 ou mais anos, no segmento da população idosa.Não considerada a faixa etária dos 15 aos 40 anos, que normalmente serve a actividade desportiva, numa leitura “cega”, dos dados apresentados, pode-se facilmente compreender a existência de um universo considerável de pessoas do qual se pode extrair a amostra numérica proposta pelo titular do pelouro ministerial responsável pela política desportiva e juvenil.

Respondida afirmativamente a primeira questão, fica por saber se no actual quadro económico-social e mesmo político, é possível concretizar-se o repto lançado por Albino da Conceição, que, recordamos, falava na abertura do IVº Conselho Superior do Desporto, no Centro de Conferências de Belas.

Uma resposta afirmativa à questão do parágrafo precedente carrega consigo a necessidade de arrolarmos algum subjectivismo em função de que, por si só, ou seja, de forma isolada, não é possível atingir-se o desiderato, porquanto deve haver uma conjugação de esforços entre os sectores que devem interpretar a questão como uma justa preocupação da política desportiva do estado.

Aliás, como bem reconheceu o ministro, o alcance desta meta só será possível se a economia nacional conseguir atingir resultados positivos, tendo em vista a disponibilização das verbas necessárias ao apoio às actividades desportivas em geral.Portanto, se revisitarmos o caderno da história desportiva angolana encontraremos exemplos que podem ser resgatados e readaptados aos novos ventos, e seguramente os resultados serão bons indicadores para o que se pretende, ou seja, poderemos ter a aposta ganha.

Sou de opinião que os agentes do sistema social sejam eles públicos ou privados, independentemente da sua principal actividade, devem ser instados a abraçar esta que é uma causa nacional, a exemplo do que se fazia ao tempo do mono partidarismo, em que o desporto era uma realidade nas empresas, bem assim nas instituições de defesa e segurança.

Aliás, desportivamente falando, foi por via do formato atrás referido que o país conheceu o seu melhor em termos quantitativos e qualitativos, sustentados pela equipas como a Nocal, Cuca, Refrinor, Dínamos (nas 18 províncias), Eka do Dondo, 1º de Agosto, aos quais se juntaram os demais que por opção, dedicaram-se ao desporto.Em função do que até agora foi aflorado, e atendendo as vantagens que podem ser conseguidas da pretensão do Ministro albino da Conceição, em jeito de conclusão, para além de ser possível atingir-se a cifra, somos a felicitá-lo por tão pertinente desejo, pelo que, todos devemos participar.
Carlos Calongo

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