Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Kangamba faz obra

26 de Setembro, 2013
A direcção do Kabuscorp do Palanca vai inaugurar no primeiro semestre do próximo ano um complexo futebolístico composto por um estádio que, para além da sua equipa sénior, deve servir as suas formações nos diversos escalões em competições oficiais.Três campos relvados com piso sintético para os escalões mais baixos fazem parte do empreendimento, que vai aumentar as opções do clube e de algumas selecções nacionais e de outras formações, que por vezes se debatem com falta de recintos para treinar e efectuar jogos oficiais.

O investimento, cujo montante não foi revelado por Bento Kangamba, “empresário da juventude” e “pai grande do Palanca”, deve servir de incentivo aos membros da classe, no sentido de investirem com mais seriedade no desporto e na cultura que, convenhamos, não têm merecido o correspondente valor e interesse por parte do empresariado nacional, mesmo tendo em conta as dificuldades financeiras por que passa uma grande parte dos empresários nacionais.

O estádio, integrado no complexo, e cuja designação ainda se desconhece, está a ser construído em Luanda, no Golfe II, no distrito urbano do Kilamba Kiaxi, que superintende a zona do Palanca, apontada por muitos como a principal “praça forte” do Kabuscorp.A obra vai ter capacidade para acolher cerca de 12 mil espectadores sentados, podendo albergar partidas oficiais do clube proprietário e de outras agremiações.

São conhecidos os feitos realizados pelo grupo empresarial do proprietário do Kabuscorp do Palanca, uma das colectividades desportivas mais emblemáticas do país, que movimenta uma grande massa associativa, não só no que ao desporto diz respeito, como em acções de carácter político e social. Não devemos esquecer que um dos pressupostos que concorrem para a solidificação da massificação e desenvolvimento desportivo se tornar mais rentável, é que a mesma seja efectuada a partir das bases no seio das comunidades, facto que Bento Kangamba e seus pares se predispõem materializar.

Os escalões etários do Kabuscorp têm marcado presença constante nos “provinciais” de Luanda e nos “nacionais”, mas a direcção do clube também aposta, para a sua equipa sénior, em atletas já formados em Angola ou no exterior, sendo por isso apontada como não cumpridora dos preceitos da pirâmide invertida, o que constitui um paradoxo.

É do conhecimento geral que ao invés de resultados imediatos, os triunfos de qualquer equipa sénior devem ser gizados a partir dos escalões etários, qual imóvel que não pode ser construído a partir do tecto, devendo ser edificado a partir dos alicerces.Está-se em presença de investimentos sem qualquer risco de perda ou de prejuízo, porquanto os lucros que vão ter influência no desenvolvimento e nas performances do desporto angolano, neste caso o futebol, vão surgir com o decorrer do tempo, o que significa que é o país que sai a ganhar.

Ao reconhecer-se que a cidade de Luanda vai conhecendo menos dificuldades no que se refere a estádios de futebol para a realização de jogos de carácter oficial, o mesmo não se pode considerar em relação aos que se encontram ao serviço das comunidades, dado que a maioria se situa distante dos chamados “cascos suburbanos”, onde está localizada a maior quantidade de praticantes e amantes da modalidade.

O propósito da edificação do complexo do Kabuscorp, além de se constituir mais uma vez em parceiro do Governo no que concerne à colaboração para a criação de melhores condições de vida para as populações por intermédio do desporto, faz com que Bento Kangamba, que já demonstrou por diversas vezes possuir o que se convencionou chamar de “visão a longo termo”, ofereça o seu contributo no incentivo à comunidade local – em especial do Palanca e áreas adjacentes -, fundamentalmente aos jovens, crianças e adolescentes, no sentido de praticarem desporto.

Ao praticarem desporto como actividade socialmente útil, as crianças, adolescentes e jovens, e porque não os adultos, vão desviar-se dos caminhos ínvios, como o tráfico e consumo de drogas, alcoolismo e furtos, práticas muito em voga em alguns estratos da população, principalmente na camada com idade inferior a 40 anos. O contacto com o ABC do “desporto–rei” é outro benefício que as populações vão usufruir com a construção do complexo de futebol que está a ser erguido pelo Kabuscorp do Palanca.Em função das dificuldesades que Luanda regista no tráfego de pessoas e no trânsito rodoviário, a construção de um “complexo de futebol”, vai ser uma mais valia para os adeptos do clube e não só, das áreas circundantes.
Leonel Libório

A MINHA REFLEXÃO
Dignificar sempre o país

Depois da derrota com o Chile, a Selecção de Angola perdeu a possibilidade de superar a sua melhor classificação em Mundiais de Hóquei em Patins, que é o sexto lugar alcançado em 2009. Na qualidade de país organizador e tendo em mente o real valor do “cinco” nacional, era razoável acreditar que conseguíssemos tal desiderato.Entretanto, alguns angolanos ficaram desiludidos com a derrota frente ao Chile, pois estavam muito confiantes na vitória da equipa nacional.

Na verdade, com todo o respeito que temos em relação ao sentimento até certo ponto justo de alguns, temos de dizer que tais pessoas, se calhar, não estavam bem informadas sobre quem é realmente esta selecção do Chile.A selecção chilena que derrotou Angola não é aquela formação que disputou a Taça Zé Du no Huambo e perdeu por 3-1 com o nosso “cinco”. Aquele resultado talvez tenha ficado na memória de alguns que pensaram que o Chile era um “freguês” de Angola. Como vimos no jogo em plena Arena de Luanda, os chilenos foram superiores a nós, prepararam-se convenientemente para este Mundial e trouxeram jogadores de outro quilate.

Portanto, o único jogo em que Angola tinha cerca de 100 por cento de probabilidades de ganhar e conseguiu foi contra a África do Sul. De resto, meses antes do início do campeonato alguns órgãos de informação apresentaram algumas antevisões do grupo de Angola e foram claros em dizer que o primeiro grande obstáculo da nossa selecção seria o Chile.Assim, quem esteve atento ou no mínimo acompanha com alguma regularidade os campeonatos do Mundo e outras competições internacionais de hóquei em patins sabia que Angola não teria facilidades diante do Chile.

Com estes pormenores em mente estávamos ou estaríamos preparados para o que aconteceu. A derrota com Portugal era uma certeza e o que resta agora é disputar a fase de consolação, na qual já podemos exigir mais dos jogadores orientados por Orlando Graça. Mas, mesmo depois das derrotas diante de Portugal e o Chile, o “cinco” nacional soube dignificar o país fazendo boas exibições em função daquilo que o adversário permitiu que eles jogassem.

Tendo em mente o nosso potencial, o mais importante é que a nossa selecção nos dignifique fazendo boas exibições e agora na fase de consolação possa estar entre os dois primeiros dos piores deste Mundial. Depois deste campeonato, os responsáveis do hóquei em Angola terão de apresentar projectos a médio e longo prazo para justificar esta grande realização e fazer com que nos próximos Mundiais estejamos entre os quatro melhores.

Os pavilhões multi-usos construídos para esta competição terão de ser muito bem aproveitados não só para o hóquei em patins, mas também para outras modalidades, como a ginástica, andebol, basquetebol e futebol salão.Os responsáveis pelo desporto angolano não devem permitir que estes recintos desportivos se limitem a servir para cultos religiosos e depois se estraguem por falta de uso adequado.Finalmente, podemos regozijar-nos por estarmos a realizar um campeonato a todos os títulos exemplar, tal como foi e tem sido dito por várias individualidades que compõem as selecções estrangeiras neste Mundial.
AUGUSTO FERNANDES

Últimas Opinies

  • 23 de Março, 2019

    Agora que venha o CAN do Egipto!

    Que venha agora o CAN do Egipto! Sim, que  venha o Campeonato Africano das Nações porque a fase de qualificação ficou já para atrás. 

    Ler mais »

  • 23 de Março, 2019

    Cartas dos Leitores

    Estou aqui para trabalhar. É uma realidade nova para mim. Nunca estive em África.

    Ler mais »

  • 23 de Março, 2019

    Angola est no Egipto

    O país acordou, hoje, na ressaca da explosão festiva resultante da qualificação da selecção nacional de futebol, ao Campeonato Africano das Nações, a disputar-se em Junho e Julho, no Egipto.

    Ler mais »

  • 21 de Março, 2019

    Amanh um "tudo ou nada

    Amanhã é uma espécie de Dia D, para nós, e tal fica a dever-se aos ‘’Palancas Negras’’

    Ler mais »

  • 21 de Março, 2019

    Um regresso depois de quase dez anos

    Volvidos quase dez anos, volto a assumir uma missão como enviado especial do Jornal dos Desportos, título para o qual escrevo desde o ano de 1997, e que nesse momento assumo o cargo de editor, depois de já ter sido sub-editor e correspondente provincial.

    Ler mais »

Ver todas »