Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

"Laissez partir"

17 de Abril, 2015
Crónica de um insucesso anunciado. Tresór Mputu Mabi foi o futebolista mais noticiado nos últimos anos pela media, em particular do vizinho Congo Democrático. Não era para menos, cabeça-de-série do TP Mazembe em 2010, bi-campeão africano de clubes e finalista vencido do Mundial de Clubes, tinha de facto o mundo aos seus pés. Foi colocado (virtualmente ) no Arsenal da Inglaterra de Londres assim como noutros clubes europeus, franceses e belgas, praças futebolísticas mais queridas dos congoleses democratas.

O certo é que não chegou sequer a conhecer o centro de estágio dum clube europeu de grande dimensão. Na selecção congolesa nunca chegou a ter influência de um Loma Lua Lua, embora joguem em posições diferentes. De repente, o jogador promissor desapareceu dos relvados, desculpas mais desculpas, o certo é que passou de titularíssimo no TP Mazembe para suplente.

As cortinas, para esconder o abaixamento de forma, foram as lesões, o passe ou valor financeiro continuou alto. O Kabuscorp do Palanca, embriagado com a notoriedade do congolês ( e da sua qualidade também), investiu mais de um milhão e meio de dólares, na expectativa de chegar à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos.

Ignorou a direcção de Bento Kangamba o facto de o jogador passar de titular a suplente. E no meio de uma intensa polémica, vem não vem, lá chegou finalmente o craque ao futebol angolano. Bento Kangamba era um homem realizado. Deixou de investir na formação de talentos, em infra-estruturas para o futebol de formação e sénior e preferiu apostar em Mputu Mabi.

A direcção do Kabuscorp do Palanca quis igualar os feitos de TP Mazembe, e nada mais natural do que investir no seu principal activo, ainda que em decadência, ou sem mais o tal valor competitivo. No seu primeiro ano, em 2014, não fez pré-época, razões burocráticas e lesões estiveram a justificar a ausência do craque na pré-época. Em 2015, voltou a não fazer pré-época, dessa vez foi o casamento que o impediu de preparar o Girabola2015.

Na sua primeira época, a prestação de Trésor Mputu Mabi não justificava sequer 300 do um milhão e meio de dólares investidos na sua contratação. Fez apenas três golos, o quadragésimo segundo melhor marcador do Girabola.

O Kabuscorp do Palanca não ganhou o Girabola nem se qualificou para fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos. Mais uma vez a lesão impediu o craque de brilhar ao serviço do Kabuscorp do Palanca. De facto, o jogador foi operado, recuperado, voltou aos relvados porém acabou o Girabola como um jogador comum.

Oito jornadas decorridas no Girabola2015, Trésor Mputu Mabi fez um golo e ocupa na lista dos melhores marcadores a posição 41ª primeira. Envolto em indisciplina, depois de ter desobedecido o treinador no jogo frente ao Progresso do Sambizanga, chegou ontem a notícia da saída do jogador.

É hora de balanço. Um investimento de um milhão e meio de dólares (valores apenas oficiais) o que trouxe para o Kabuscorp do Palanca? Na minha opinião, dois minutos de fama na imprensa africana, com destaque para congolesa e angolana. Competitivamente, zero. Eu não posso dizer que a montanha tenha parido um rato. Na realidade o rato é que pariu uma montanha de desilusões.

Era previsível esse desfecho? Não posso afirmar que fosse. Porém, nunca depositei tanta esperança que Mputu fosse brilhar. Já tinha dado quase tudo o que possuía nos pés. Sem dúvida, o Kabuscorp do Palanca deve estará amargamente arrependido por ter deitado tanto dinheiro no lixo. Relegou o essencial para lugar algum. E agora está a colher vento. Nada mais natural do que deixá-lo partir. Ou como se diz em francês: laissez partir!
Teixeira Cândido

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