Jornal dos Desportos

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Opinio

Legado do Mundial

19 de Julho, 2018
O Mundial da Rússia terminou, a saudade e nostalgia já andam em muitos corações, mas para a história fica os seus legados, os ganhos desportivos do país organizador bem como os ganhos com o surgimento de uma nova geração de jogadores que certamente vai marcar o futebol mundial nos próximos anos.
A organização gastou milhões de dólares na modernização do seu parque desportivo, com mais incidência nos campos de futebol, e os resultados estiveram à vista do mundo, com infra-estruturas funcionais, confortáveis para os espectadores que, média geral, acabaram por lotar os recintos desportivos, mesmo depois do país organizador ter sido eliminado, ou alguns dos papões mundiais apontados como principais favoritos, casos do Brasil, da Argentina e da Espanha que arrastam sempre uma multidão de apoiantes, para as competições que disputam.
Os adeptos acabaram por ter nota dez porque souberam jogar um mundial à parte, não obstante à diversidade cultural de cada uma claques presentes na cidades russas que foram definidas como sedes.
A Rússia também investiu grandemente na segurança, quando ameaças a algumas figuras mundiais, como Ronaldo e Messi, da parte de algumas organizações terroristas, poderiam criar, à partida, um clima de medo e insegurança.
O país prometeu um Mundial seguro e cumpriu. Nos dias que antecederam a prova e durante a os 30 dias de competição, não se registaram tumultos ou situações que colocassem em causa a segurança dos adeptos e dos artistas da bola, uma experiência que certamente a FIFA irá acatar para o Mundial do Qatar em 2022 e, quem sabe, para um futuro mais longo, dado que a segurança na Rússia começou exactamente com o controle dos próprios adeptos.
A introdução do vídeo árbitro, ou VAR, foi uma das grandes novidades deste Mundial. Mas houve desde já algumas reticências de figuras ligas ao futebol em relação à sua eficácia. E daí às polémicas foi um pequeno passo.
O certo é que foi constatado que graças ao VAR registou-se uma diminuição de acções violentas dentro dos relvados e aumentou o número de decisões acertadas dos trios de arbitragem, ficando claro que ninguém se pode lamentar por uma eliminação devido a uma injustiça da arbitragem.
Para claro, os dois técnicos finalistas do Mundial, Didier Deschamps, pela França, e Zlatko Dalic, pela Croácia, concordaram em referir que o vídeo-árbitro é positivo para o futebol, o que vai de encontro à ideia do líder da FIFA, Gianinni Infantino, quando diz que ninguém pode imaginar um Mundial ser VAR.
Como tudo que é novo, o vídeo-árbitro ainda pode demorar algum tempo em implantar-se em todos os cantos do mundo, mas é um dos grandes legados do Rússia\'2010, porque representa um avanço para o próprio futebol.
Nos próximo quatro anos o \"galo\" francês vai cantar alto nas grandes paradas mundiais do futebol. Com uma geração dourada que com resiliência, soube galgar palcos e contornar adversidades, até chegar à consagração.
Depois de perder o \"Euro\" em casa, diante de Portugal, muitas foram as interrogações que se levantaram em relação ao futuro da selecção gaulesa. Nos últimos tempos, a França foi dos países que chegaram mais vezes às finais dos Mundiais mas, ao mesmo tempo, o país que mais desaires sofreu.
Ainda assim houve crença. A equipa já tinha avisado que chegaria o seu dia. E o 15 de Julho foi a data marcada para reparar \"injustiças\" das finais perdidas. Uma nova geração emergiu, em Moscovo.
A geração de Pogba e Mbappé promete marcar época no futebol. E o que se espera é que doravante, e porque um bom exemplo é sempre para ser seguido, que outras selecções, mesmo aquelas de países que todos os dias têm jogadores seus a emigrar para a Europa, como os \"papões\" sul-americanos, se inspirem no projecto francês que já deu sucessos para elevar o nível das suas camadas jovens e revelar mais talentos como o jovem de Bondy.
A geração de Mbappé e Pogba é um grande ganho para os franceses, mas também é um presente para o futebol mundial.
E o mundo deve agradecer. Fontes Pereira

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