Jornal dos Desportos

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Opinio

Lgrimas na Semana Santa

18 de Abril, 2019
Firmados, na celebração da Semana Santa, fomos apanhados de surpresa, por duas notícias que forçaram o correr de lágrimas de tristeza. Apesar de não terem nada a ver com as que os Cristãos deixam espargir ao relembrar o sacrilégio em que o “patrono” deles foi submetido nos últimos dias da peregrinação na terra, têm força para manchar qualquer sentimento de alegria derivada de acções e resultados desportivos, quando positivos, como o caso da recente saga vitoriosa da equipa de andebol sénior feminino do 1º de Agosto.
Nisto, outra saída não tivemos que não esta, de marcar as referidas notas como introdutórias deste texto, em que o fundamento é o desporto. A primeira, tem que ver com a morte prematura e inesperada de Joaquim Alberto Silva, conhecido nas lides futebolísticas por “Quinzinho”, ocorrida na segunda-feira dia15, em Lisboa, aos 45 anos de idade.
Ao que se publicou, em primeira instância, o ex - jogador sentiu-se mal, após uma corrida matinal, prática que cultivava mesmo depois de terminar a carreira como futebolista profissional, em que evoluiu em diversos clubes da Europa, com destaque para Portugal (Futebol Clube do Porto), para onde foi transferido, ido do Atlético Sport Aviação.
Contrariamente ao que se propala, convém repor alguma verdade, em relação à ficha desportiva de Quinzinho, cuja actividade futebolística não iniciou no Atlético Sport Aviação, mas no Rodoviário do Cazenga, onde fez dupla no ataque com Selú, e teve como treinadores o carismático MM, (onde anda?), para além do Kota Piedade e se não nos enganamos, nos seniores, o Kota Romão.
Na equipa do Cazenga, ligada à TCUL, Quinzinho jogou ainda com o Miala, (não confundam com o patrão da secreta angolana), o Diogo, o Pessito, o Lito Maradona, etc., etc., dentre outros, que a memória idosa não ajuda tanto a recordar.
Do Rodoviário, Quinzinho partiu para o emblemático Sporting Clube de Luanda, de onde “voou” para o clube do Aeroporto, e dalí, para o Futebol Clube do Porto, então treinado pelo lendário Bob Robson, lembram-se dele? Terminada a carreira no exterior do país, onde actuou, entre outras, nas equipas do Rio Ave, União de Leiria, Rayo Vallecano, Farense, Desportivo das Aves , Alverca, Aves, Estoril, Hangzhou Greentown, da China, regressou à Angola e foi jogar no Recreativo da Caála e no “seu eterno ASA”, onde pendurou, definitivamente, as botas, dedicou-se depois ao futebol de recreação, com destaque para as Velhas Guardas do Tala Hady, em que ainda jogou com Angolano, patrão do meio campo e ao nosso nível, um lendário camisola 10.
Dentre as lembranças que deixa, Quinzinho é recordado por ser o autor do primeiro golo dos Palancas Negras, numa fase final do CAN, por sinal, no primeiro em que Angola participou, que se realizou de 13 de Janeiro a 3 de Fevereiro de 1996, na África do Sul.
Com grata memória e lágrimas no canto do olho, recordamos que ao ser chamado para substituir Akwá, lesionado, Joaquim Alberto da Silva marcou o golo de honra no jogo frente ao Egipto (2-1), partida disputada no dia 15 de Janeiro no estádio FNB, em Joanesburgo. Então, destacaram-se na selecção de Angola, Orlando, Amadeu, Walter, Abel Campos, Wilson, Neto, Hélder Vicente, Carlos Pedro, Castela, Joni, Fua, Paulão, Akuá, Túbia, etc.
Nesta hora, mais do que qualquer discurso, apraz-nos endereçar à família enlutada, os sentidos pêsames, que a sua alma descanse em paz.
A segunda nota, também ela com pendor de lágrimas, é sobre o violento incêndio que consumiu a torre mais alta da catedral de Notre - Dame, um dos monumentos históricos mais visitados da Europa, que remonta ao Século XII e é famoso pelo romance clássico de Victor Hugo, “O Corcunda de Notre - Dame”, que atrai milhões de turistas todos os anos.
Apesar das chamas terem sido dadas como totalmente extintas, pelos bombeiros durante a manhã de terça-feira, as pessoas têm na retina as imagens comoventes que corre(ra)m mundo, em que se vêem milhares de pessoas tomadas pelo choque, a permanecer nos arredores e com cânticos e rezas a assistir impotentes à destruição de um dos maiores símbolos da capital francesa, que viu cair o pináculo emblemático, assim como o colapso do tecto.
Pena, não restar espaço suficiente para discorrer de forma larga, as alegrias que a equipa de andebol sénior feminina do 1º de Agosto está a promover nesta época, em que está a conquistar tudo que há a nível interno e continental, e está à uma vitória de fazer o pleno, nas competições africanas, abordagem prometida para próximos tempos. Carlos Calongo

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