Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Libolo obrigado a vencer

29 de Agosto, 2013
Depois da “colheita” de três pontos em nove possíveis, não temos dúvidas que o Recreativo do Libolo terá dificuldades acrescidas, neste sábado, quando defrontar na vila de Calulo o Coton Sport dos Camarões para a 4ª jornada do grupo B da Liga dos Clubes Campeões de África, em futebol.

Depois de na jornada precedente ter sido derrotado no terreno do adversário por 2-1, prevêem-se algumas dificuldades para o representante angolano, que na maior competição interna está a encetar uma excelente recuperação, depois de um início algo titubeante.

No dia em que as atenções dos desportistas do continente africano geral, e de Angola em particular, estarão centradas na final do africano de basquetebol sénior masculino que decorre em Abidjan (Costa do Marfim) e no embate entre as selecções de Angola e de Moçambique, em Benguela, para o último encontro de acesso à fase final do CHAN do próximo ano na África do Sul, o futebol vistoso, envolto em objectividade, que deve caracterizar uma equipa de primeira água, fundamentalmente, na sua qualidade de campeã nacional, deve constituir uma das principais preocupações dos angolanos.

Nesse aspecto, deve-se reconhecer que nesta “altura do campeonato”, em algumas ocasiões, a conquista dos três pontos sobrepõe-se às boas exibições. É certo que os camaroneses que também possuem os seus trunfos vão fazer tudo para não entregarem o “ouro ao bandido” de mão beijada. Estamos em crer que os seus atletas, que tudo farão para criarem dificuldades aos anfitriões, certamente vão tentar fazer-se valer do facto de terem vencido no seu terreno. Miller Gomes e os seus pupilos não devem descurar os factores extra-jogo, práticas ainda utilizadas em África por algumas equipas que jogam na condição de anfitriãs, mas também por visitantes.

Não se deve deixar de ter em linha de conta que a equipa camaronesa, oriunda de um país histórico do desporto rei continental, a encetar uma reformulação alargada no seu futebol, vai envidar, como é lógico, todos os esforços possíveis para demonstrar que é uma formação madura, experiente e com personalidade competitiva.

Pelo facto de a actual fase da competição se disputar no sistema de grupos, qualquer ponto cedido pode influenciar nas contas finais, pelo que o Recreativo do Libolo não deve poupar os esforços, em utilizar o tudo o que estiver ao seu alcance, para tentar chamar a si o triunfo, que em caso de acontecer lhe dará alento para as jornadas subsequentes. No confronto de sábado, em que a pressão deverá apossar-se dos donos da casa, o bi-campeão de Angola pode também apontar os golos necessários para arrecadar os três pontos.

Miller Gomes, o técnico da formação angolana, experiente nestas andanças, sabe com que linhas se há-de coser. Depois de ter tirado as devidas ilações no embate da jornada anterior, não se espera outra coisa que não seja a efectivação das alterações que se impõem no comportamento e forma de estar em campo dos seus pupilos.

É certo que os efeitos das mudanças não acontecem num estalar de dedos ou da noite para o dia. Realisticamente, é de convir que os efeitos da entrada de Miller Gomes no comando técnico da equipa angolana começam a surgir.
Leonel Libório


AQUI E AGORA
Mundo de enganos

O atletismo nacional continua a ressentir-se da falta de pistas com excelentes condições para a prática. O velho Estádio dos Coqueiros parece ser aquele que ainda continua a ter as melhores condições para servir a modalidade. Parece, no entanto, uma situação que toca os píncaros do absurdo por variadíssimas razões.
Estamos, pois, lembrados que, para a realização da Taça de África das Nações no nosso país, em Janeiro de 2010, o Governo fez grandes investimentos em infra-estruturas.

Os quatro estádios construídos de raiz, nas cidades que acolheram a competição, são a prova mais do que evidente desse esforço orçamental.
Além dos quatro estádios, um feito inédito na história da competição, o CAN de 2010 levou também à realização de investimentos por parte das marcas que vestiram as diferentes selecções, em busca de maior popularidade e reconhecimento. Em linhas gerais, um amplo segmento de empresas voltou-se para o CAN de 2010, para aumentar as suas vendas, apelando a campanhas publicitárias ligadas em torno do torneio e as suas principais figuras em cada país.

O CAN de 2010 foi o evento desportivo mais importante que o nosso país alguma vez organizou. Gerou um impacto económico enorme, que foi das cifras “siderais” relativas à publicidade e aos direitos de transmissão às “guerras” entre marcas e à indústria do turismo e não só. Angola esteve no centro do desporto mundial.
Hoje, passados quase quatro anos, nota-se que o CAN de 2010 não teve, a nível interno, o impacto que se desejava, sobretudo no que toca ao aproveitamento das infra-estruturas construídas.

A imagem de Angola sai beneficiada no futuro com a realização de eventos desportivos desta dimensão. Não vamos falar aqui da utilização regular dos quatro estádios construídos de raiz, mas sim das pistas de atletismo que foram inseridas nos mesmos recintos. Custa a crer que nenhuma das pistas esteja em condições. Nenhuma delas merece credibilidade. Fomos enganados. Comprou-se gato por lebre. Dizer que temos pistas de tartan é uma ilusão. O pormenor é tudo.

Pode-se dizer a mesma coisa e passar mensagens distintas, consoante o tom, ênfase, postura e convicção, empregues ou transmitidas. A frontalidade ou o cinismo fazem toda a diferença e, por vezes, nem precisam de ser traços de carácter, basta serem estados de alma. É então que aquela pequena diferença de meia dúzia de centímetros faz a fronteira definitiva entre o sucesso e o fracasso.

Perante esta situação é preciso identificar o que esteve detrás de tudo isso. Há que apurar responsabilidades e encontrar os culpados. Haverá quem ainda não tenha percebido ser insustentável o actual estado de coisas, mas o que se passou é grave. Os culpados não podem ficar impunes, porque foi um investimento de milhares de dólares que caiu em saco roto.
Carlos Mendes

Últimas Opinies

  • 21 de Março, 2019

    Um regresso depois de quase dez anos

    Volvidos quase dez anos, volto a assumir uma missão como enviado especial do Jornal dos Desportos, título para o qual escrevo desde o ano de 1997, e que nesse momento assumo o cargo de editor, depois de já ter sido sub-editor e correspondente provincial.

    Ler mais »

  • 21 de Março, 2019

    A eliminao do Petro e o tal patriotismo

    Terminada a participação Petro de Luanda, na Taça Nelson Mandela, é normal que por esta altura, esteja a ser feita uma profunda reflexão em torno da participação na referida competição africana, nos mais diversos aspectos que ela comporta, sem descorar, portanto, a (des) continuidade do técnico Beto Bianchi, que mais uma vez não conseguiu o troféu de uma competição em que esteve envolvido. 

    Ler mais »

  • 21 de Março, 2019

    Palancas Negras de olhos no Egipto

    A Selecção Nacional de futebol honras, vulgo Palancas Negras, só depende de si para chegar à fase final do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2019, que vai ser disputado no Egipto.

    Ler mais »

  • 21 de Março, 2019

    Cartas dos Leitores

    Procuramos fazer tudo para vencer o jogo, mas não conseguimos, porque o adversário  (Recreativo do Libolo) foi competente e inteligente, assim como conseguiu aproveitar as nossas falhas defensivas e, em lances de bolas paradas, marcaram os dois golos.

    Ler mais »

  • 21 de Março, 2019

    Zebras para domar...

    A Selecção Nacional de futebol de honras, às ordens do sérvio Srdjan Vasiljevic, decide amanhã, em Franciston, Botswana, a qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN), que o Egipto acolhe de 19 de Junho a 21 de Julho deste ano.

    Ler mais »

Ver todas »