Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Lio de audcia e de virtuosismo

09 de Fevereiro, 2016
Constituindo o Chan o acontecimento de maior grandeza desportiva que concentrou as atenções do continente africano neste começo de ano, sugeriu o meu parceiro deste exercício jornalístico, que voltássemos a debitar algumas linhas em torno do mesmo. Nada mau, se tratando do assunto do momento.Entretanto, abro um parêntesis para dizer que a minha abordagem dispensa qualquer referência à Selecção Nacional, assim como a situação que envolveu a sua participação, porque julgo, dentro da minha capacidade interpretativa, se tratar de um caso já debatido à exaustão. Trazê-lo de volta a esta tribuna mais não seria senão exposição de um desejo mórbido de exumar cadáveres.

Vou falar do Congo Democrático, que aparecendo com um futebol de laboratório levou quase tudo e todos rendidos aos seus pés. Vou falar sim das suas principais unidades como Bangala, Mulende Jean, Kilua e outros,verdadeiros artífices que nos souberam encantar com a magia do seu futebol. Vou falar do Ruanda que fazendo valer a condição de anfitrião, teve também ele uma prestação que não lhe deixou ficar mal na fotografia.Enfim, tivemos duas semanas intensas, de fortes emoções, porque as selecções participantes tudo fizeram para corresponder à expectativa. Claro está que não jogaram todas ao mesmo nível, mas ainda assim, não há como não reconhecer que nos souberam proporcionar, nos jogos disputados, um futebol de apurado teor qualitativo.

Desde já, a República Democrática do Congo que foi terceira classificada no CAN'2015 na Guiné Equatorial, voltou a dar mostras de ser uma potência futebolística emergente na região mais a baixo do Sahara. De resto, as estatísticas têm mostrado que o futebol africano é dominado pelos Estados da África do Oueste e do Magreb. À guisa de exemplo, nos últimos 20 anos apenas dois países a sul do continente lograram conquistar o CAN(África do Sul/1996 e Zâmbia/2012).

Muitos poderão encontrar explicações desencontradas sobre o fracasso de gigantes como Camarões, Nigéria e outros. O triunfo da RDC assenta numa política séria e responsável de desenvolvimento que tem vindo a ser inculcada no seu futebol. Os sinais deste crescimento meteórico têm sido evidentes nas últimas participações em competições de grande vulto.Nesta hora de fazer as contas só temos é que reconhecer mérito na conquista da equipa comandada por Florent Ibege. Os seus pupilos foram verdadeiros heróis que acreditaram e apostaram na sua capacidade de superar obstáculos até chegarem à consagração, e conseguiram-no com toda justiça, um feito que há-de servir, disto tenho fé, como incentivo às outras competições que têm pela frente, como o CAN´2017 e o Mundial'2018.

Organizativamente falando, o Ruanda não deixou os créditos em mãos alheias. Dentro das suas possibilidades e limitações procurou mostrar que é capaz e pode. A nota final cabe ao Comité Organizador do Campeonato, mas à partida, não há nada que aponta para falhas clamorosas. Como em tudo, pode ter falhado um ou outro detalhe, mas sem grandes repercussões que ficam cravadas como mancha.

O Chan'2016 passou para a história. Os artistas já se retiraram do cenário, por ora entregues às contas de balanço para aferir até que ponto cumpriram ou não com as metas inicialmente estabelecidas. O Congo Democrático cumpriu a cem por cento. Dai calculo que hoje, que dançamos o nosso Carnaval, também o chão do país de Kabila estará a gemer ao peso de foliões que festejam à brava a vitória no Chan.Outras notas de realce da prova, como a contratação dos melhores pelos clubes que para o Ruanda trataram de enviar os seus olheiros, virão à público a seu tempo. Afinal o Chan não deixou de ser aquilo que, em regra, acabam por ser as grandes competições desportivas: uma reluzente montra de talentos.
Matias Adriano

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