Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Liga precisa-se!

13 de Maio, 2019
Antes que as cortinas do Girabola desçam em definitivo, abro as portas para o meu balanço. A minha preocupação prende-se com a sustentabilidade das equipas e da prova em si. Não encontro fundamento para se continuar a jogar o Girabola nos moldes actuais. É um exercício de brincadeira. A desculpa de que a Liga fará desaparecer a prova é absurda, em todo o seu sentido. Países economicamente menos expressivos do que o nosso, têm ligas. A ideia de que o Girabola é um factor de unidade nacional acabou com a queda do muro de Berlim.

Com a adopção de economia de mercado em 1991. Cada ideologia ou sistema político tem os seus clichés. Este foi do sistema anterior. No presente sistema económico é cada um vive do faz. É a partir desse ponto de vista que devemos começar a reflectir. Como pode um jogador profissional ficar quatro, cinco e seis meses sem os respectivos salários e a Federação Angolana de Futebol julgar que se trata da liberdade contratual. Ou seja, de um assunto entre o jogador e o seu clube. E este(o clube) anda de mãos estendidas a toda hora, à espera de um milagre dos patrocinadores, a única fonte de receitas. Como se compreende um futebol feito nestas circunstâncias.

Os patrocinadores nunca foram proprietários dos clubes. Não são e nunca foram. As direcções é que sempre desvirtuaram o conceito de associativismo. Os clubes, sejam eles Petro, 1º de Agosto ou Interclube, sempre foram dos sócios, explica-se por isso que sejam regidos pela lei das associações e não das sociedades comerciais. Porém, o ponto que convoca a nossa reflexão prende-se com a necessidade urgente de se ir para uma liga.

Não importa se a prova será jogada apenas por dez ou doze equipas. O importante é assegurar sustentabilidade dos clubes e tranquilidade para os actores principais da competição: os jogadores. É urgente uma ruptura com o actual modelo. Os clubes precisam evoluir para uma gestão profissional, os jogadores terão de colocar as atenções apenas no relvado e nao como vimos assistindo. Passam a competição toda a gritar por incumprimentos e os clubes para os patrocinadores. Logo na primeira jornada começam as ameaças de desistências.

Situação que se estende durante toda a prova. Estas situações ofendem a imagem da prova, inibido potenciais interessados em associar-se à competição. A Federação Angolana de Futebol precisa de ter coragem, deixar de pensar no umbigo dos seus dirigentes e avançar logo para uma liga. Os resultados dessa mudança podem tardar, mas serão sempre benéficos para o futebol num todo. Teixeira Cândido

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