Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Liga dos Campees

22 de Março, 2018
As duas equipas angolanas presentes este ano nas competições africanas de clubes, nomeadamente 1º de Agosto e Petro de Luanda, tiveram, em boa verdade, um começo que se pode considerar, no quadro analítico, de extremamente positivo. Esperava-se, e por aí apontavam os prognósticos, que as duas pudessem seguir para a fase de grupos.
Entretanto, na derradeira eliminatória tiveram sorte diferente. O campeão nacional conseguiu, embora à tangente, lograr o passe para a fase de grupos e o representante na Taça da Confederação ficou pelo caminho. Nada espanta. Glória ou fracasso é o destino que nos é traçado em qualquer competição desportiva. E lá adiou o Petro o sonho para uma próxima oportunidade.
Bem que a tribo do futebol rogou para que as duas equipas fossem mais além, como condição de o país regressar ao G-12, ou seja, ao selecto grupo de países que pelas suas performances gozam do direito de se fazer presentes nas competições africanas por mais de duas equipas. Já tivemos este quadro, não vai para muito tempo, quando ainda o futebol dos nossos clubes vendia alguma vitalidade.
Em luta ficou apenas uma equipa, por sinal militar, que fazendo jus a esta particularidade, venha, certamente, mostrar a sua combatividade e dar a ver a qualidade do seu futebol, sobretudo sendo uma equipa já com nome no futebol continental, em face dos muitos anos que anda nestas lides. Afinal muitas equipas do seu tempo renderam-se à vulgaridade.
De resto, já pouco se ouve do Enugu Rangers da Nigéria, Canon de Yaoundé, FC 105 do Gabão, Ashanti Kotoko de Kumasi e outros emblemas do seu tempo, e que marcaram uma época gloriosa nas vielas do futebol africano. Felizmente para o futebol angolano, com alguns altos e baixos, o 1º de Agosto ainda está aí. Vivinho da Silva.
Mas longe da euforia que caracterizou a qualificação da equipa para a fase de grupos, onde não entrava há longos 21 anos, devemos agora nos concentrar naquilo que deve representar as suas obrigações na fase que se segue. É importante que a equipa consiga nela se impor com alguma firmeza e possa atingir a meta competitiva que esteja estabelecida directivamente.
Ontem, no Cairo, foi efectuado o sorteio do torneio, e ficou a turma angolana a conhecer quem são os seus parceiros de grupo. Ou seja, os adversários com os quais vai dirimir forças para a conquista do grupo e daí traçar outra meta competitiva, não fosse ela uma equipa com forte ambição ganhadora, algo que sempre demonstrou, não sendo em vão que lhe serve como luva o cognome de “glorioso”.
Despidos de quaisquer laivos clubísticos, façamos uma corrente positiva para que a equipa consiga fazer uma campanha isenta de quaisquer contratempos, e possa, no plano competitivo, honrar o futebol angolano. Com efeito, elevaram-se assim as responsabilidades da direcção do clube, estando agora na contingência de criar condições para a ingente empreitada.
Afinal a equipa vai disputar em simultâneo o campeonato nacional da primeira divisão, curiosamente mais exigente em relação às anteriores edições, em face do curto espaço de tempo reservado à sua realização. A equipa vai, certamente, sujeitar-se à disputa de uma sequência de jogos para responder, cabalmente, às duas competições.

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