Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Luta para a honra!...

25 de Maio, 2019
As equipas do 1º de Agosto e do Clube Desportivo da Huíla (CDH) voltam a cruzar, esta tarde, em mais um jogo, depois da última partida que disputaram a 3 de Março último no Lubango, para o Girabola Zap e que acabou sancionada pelo Conselho Jurisdicional e Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), por alegada falta de verdade desportiva. Desta vez, os militares do “Rio Seco” e da Frente Sul batem-se para a final da 36ª edição da Taça de Angola, a segunda maior prova do nosso “association”.
Na verdade, quer o D\'Agosto, quer o Desportivo que, nas meias-finais, afastaram quarta-feira última o Petro de Luanda e o Interclube, curiosamente com vitórias de 1-0, justificam a presença neste jogo, que decide o vencedor da presente edição desta segunda maior prova futebol nacional. Isso é inquestionável e não há qualquer margem para dúvidas. É um reencontro de dois conjuntos que fizeram uma grande época.
A equipa do “Rio Seco” sagrou-se campeã esta época, ao passo que a turma militar da Frente Sul logrou um honroso terceiro lugar. 1º de Agosto e Desportivo da Huíla foram, diga-se de passagem, dois dos conjuntos que realizaram uma época de “encher os olhos” e vai, daí, que o estatuto de campeão e de equipa revelação que lograram, acabam, todavia, por se lhes ajustar perfeitamente.
Aliás, quer um, quer outro conjunto, tiraram do caminho adversários de peso e, por isso mesmo, chegam a esta final da Taça de Angola com todo mérito. O 1º de Agosto tirou do caminho, nos quartos-de-final, o Progresso do Sambizanga e, no duelo das meias-finais, disputada na passada quarta-feira, afastou o arqui-rival Petro de Luanda, com a já referenciada vitória de 1-0, que, apesar de ter sido magra, coloca-lhe na final desta tarde e numa condição de poder fazer a “dobradinha” na presente época.
O Desportivo, por seu turno, foi ousado na sua marcha rumo a esta final, travando o percurso de adversários como o Kabuscorp do Palanca, o Sagrada Esperança da Lunda-Norte e o Interclube, este último na meia-final realizada, igualmente, quarta-feira passada.
O 1º de Agosto, que conquistou as edições de 1984, 1990, 1991, 2006 e 2009, espreita o seu sexto troféu nesta prova, ao passo que o Desportivo pretende festejar o primeiro, já que nas duas edições em que disputou a final, isto em 2002 e 2013, onde curiosamente cruzou com o Petro, nunca levou da melhor sobre o seu oponente. A equipa do “Rio Seco”, que marcou, ainda, presença nas finais de 1992, 1997 e de 1998, em que perdeu para o rival do “Eixo-Viário”, assim como nas de 2004 e de 2011, em que baqueou aos pés do Atlético do Namibe (ex-Sonangol) e do Interclube, é assumidamente candidata a vencer esta edição da Taça de Angola.
Ainda assim, o D\'Agosto terá que provar esse desiderato hoje, quando defrontar, no Estádio 11 de Novembro, o Desportivo da Huíla, uma equipa que se apresenta como destemida e que tem no seu comando o categorizado técnico Mário Soares. Isso é verdade. E porque os jogos ganham-se em campo, os militares do “Rio Seco” têm de fazer das “tripas coração”, já que o seu confrade da Huíla não lhe entregará, obviamente, a vitória de bandeja. Pelo contrário, o Desportivo vai tentar também honrar os seus aficionados com a primeira conquista desta segunda maior prova do nosso futebol.
A julgar por todos esses factores, é ponto assente que o 1º de Agosto e Desportivo da Huíla estão em condições de protagonizar, esta tarde, na nova catedral do futebol nacional, um duelo que vai ao encontro daquilo que são os seus pergaminhos.
Além disso, é ponto assente também que estes dois antagonistas vão procurar, neste jogo, apagar a má imagem que se despoletou depois do último confronto que tiveram, em que o Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF), em honra ao princípio da verdade desportiva e da verdade factual, sancionou quer o Desportivo da Huíla, quer o 1º de Agosto, com derrota e consequente retirada de três pontos.
No comunicado nº 013/SG/19 do organismo reitor do futebol nacional, tornado público a 29 de Março, depois de analisado minuciosamente todos aspectos a volta do jogo em referência, realizado no Lubango e pontuável para 17ª jornada do Girabola Zap, não se tratou de um jogo “com desenvolvimento e desfecho normal”.
Mas hoje espera-se, efectivamente, uma história diferente, entre esses dois emblemas do futebol nacional. E, tal como perspectiva o Morais Canâmua, meu companheiro desta coluna de opinião, é um duelo em que está tudo em aberto. Quer os pupilos de Dragan Jovic, quer os de Mário Soares, que têm já asseguradas a qualificação para as Afrotaças, fruto da conquista do Girabola Zap e terceira posição alcançadas, respectivamente, têm condições de arrebatar o troféu desta edição da Taça de Angola e, acima de tudo, protagonizar esta tarde um bom jogo de futebol. Que venha, mais uma vez, o espectáculo da bola, nesta competição, que tem o 1º de Maio de Benguela como primeiro vencedor da história e o Petro, como actual detentor do troféu!!!...Sérgio V.Dias


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