Jornal dos Desportos

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Opinio

Luta pelo ttulo e pela manuteno

14 de Outubro, 2017
O presente momento do Girabola provoca sempre cogitações adoçantes e pertinentes, muito por razão da competitividade e do frenesim que se está a assistir, quer no topo como na base. Na verdade, o Girabola tal como soe dizer-se, está mesmo no chamado “ponto rebuçado”.

De facto, a competitividade entre os dois da frente inspira-nos um pensamento de conforto, porquanto, há largos anos que não surgia uma luta frenética e salutar entre dois, dos maiores colossos do nosso futebol. 1º de Agosto e Petro de Luanda, verdadeiros papões do nosso futebol, protagonizam nesta etapa derradeira da prova algo que provoca o jubilar de milhões de adeptos, que num passado recente se achavam de parte a parte cabisbaixos e sem chama, pelo facto de terem deixado em mãos alheias (?) as suas responsabilidades. Em cinco anos, a turma de Calulo, o Recreativo do Libolo, abocanhou quatro títulos, e o Kabuscorp do Palanca, um título. Foi uma autêntica revolução no futebol doméstico.

Militares e petrolíferos têm apenas e só, dois pontitos a separá-los um do outro, que diga-se, são as únicas que estão em melhores condições de conquistar o ceptro. Se os militares triunfarem revalidam o título, alcançado na época passada. Se os petrolíferos vencerem, quebram anos a fio de jejum, depois da aludida renovação na continuidade.

As quatro jornadas que sobram para o epílogo da prova, podem proporcionar momentos inolvidáveis para o nosso futebol, particularmente para os adeptos. Se por um lado, as restantes partidas são transformadas em autênticas finais, por outro, são desafios de roer as unhas em que a pressão e a ansiedade podem consumir os jogadores dos dois conjuntos. Deste modo, tira mais proveito quem esvaziar a pressão, esgrimir melhor os seus argumentos técnico - tácticos, e menos erros cometer em campo, aproveita da melhor forma as oportunidades que ambos sabem bem criar.

Oxalá, que todas as outras envolventes correspondam à medida das expectativas, e não defraudem. Estou a falar, concretamente, dos árbitros, mas também dos jogadores, dos treinadores, e… dos adeptos.

Do lado dos militares, que já não sair de Luanda, vão ter adversários como o Interclube, o Progresso da Lunda - Sul, o Asa e o Kabuscorp do Palanca para vencê-los, sob risco de serem ultrapassados pelo seu “rival”. Este, recebe o Bravos do Maquis e vai de seguida ao encontro do Sagrada Esperança da Lunda - Norte, recebe o Santa Rita de Cássia e termina a prova em Benguela, diante da equipa do 1º de Maio.

Quem assim vê, pensa que os militares estão em vantagem, pelo facto do calendário proporcionar-lhes os quatro últimos jogos em casa, e com adversário “maleáveis”, mas isso não parece assim tão linear. A essência da competição e a experiência aconselham -nos a termos cautelas, pois, no futebol tudo é possível, desde resultados bizarros aos inesperados.Avisados, em virtude da derrota averbada na jornada passada diante do Clube Desportivo da Huíla, os petrolíferos devem redobrar a vigilância, sobretudo, a estratégia de abordar os jogos fora de portas.

Cogitei, há dias, que a alternância na liderança da prova pode ser sucessiva até ao lavar dos cestos, dado o equilíbrio que os dois emblemas apresentam. Aqui, o tempo deve ser para nós o melhor remédio, para aferirmos no final quem chega em primeiro lugar, na última jornada da competição.

A meio da tabela, as coisas parecem definidas. O Progresso do Sambizanga, Recreativo da Caála, Interclube e Desportivo da Huíla parece terem a vida arrumada e resolvida. A permanência e a estabilidade são factos evidentes. Ninguém, corre mais riscos.Em relação à cauda da tabela, aí, é que são elas. Está a ser, de facto, uma competição à parte. Quer o Asa, o Maquis, o Progresso da Lunda -Sul, o JGM e o Santa Rita, fazem-se à vida para saírem da “UTI”, mas pelo que nos apresentam os números é muito difícil os aviadores, os sambukilas, os “meninos do Huambo” e os “católicos” salvarem-se. Das quatro, apenas uma, deve permanecer.

Há dias, num pronunciamento público, Hélder Teixeira que é o técnico da formação do Santa Rita de Cássia dizia, aqueles que aludem que a sua equipa, matematicamente, já está despromovida, “fazem mal as contas e a sua matemática está errada”. E, disse mais, “para provar que a nossa matemática é que está certa, eu garanto que a nossa equipa irá se manter no Girabola”. Bom, quem fala assim, não é gago! Mas o que está por saber-se, é onde, e como Teixeira vai arranjar argumentos para safar os “católicos” da derrocada iminente.

Tudo isso. Todas essas incógnitas é que realmente tornam o nosso Girabola competitivo e ... no ponto rebuçado!

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