Jornal dos Desportos

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Opinio

Maior consistncia

23 de Junho, 2015
Depois da brilhante de vitória de 4-0 sobre a República Centro Africana a 13 de Junho, no Estádio da Tundaval, no Lubango, Angola não conseguiu melhor do que um empate 2-2 no domingo, em Mbabane, diante da similar local. No primeiro duelo, que por sinal marcou o retorno dos Palancas Negras às competições africanas, a equipa nacional deu um safanão à onda de maus resultados da campanha anterior, o que originou um certo alento no seio dos adeptos do futebol angolano.

Por isso, foi com tamanha naturalidade, que os adeptos da Selecção esperavam por uma vitória sobre os “Veados do Baixo Ubangui”, designação por que é conhecida a equipa nacional centro -africana, um adversário de quilate inferior. Aliás, a goleada de 4-0 sobre a RCA, por si só, explica o desnível entre os dois conjuntos nesse jogo referente a primeira jornada do Grupo B das eliminatórias do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2017, no Gabão. No outro jogo do agrupamento, a República Democrática do Congo (RDC) impôs uma pesada goleada de 7-1, no seu reduto, à similar do Madagáscar, a provar ser um sério candidato a marcar presença no Gabão-2017.

Para lá do jogo referente à campanha na Taças das Nações de 2017, em que Angola aproveitou ao máximo a sua condição de anfitriã, domingo os comandados de Romeu Filemon não ultrapassaram as adversidades na trincheira do suazis.Num jogo selectivo para a primeira eliminatória de apuramento à fase final da IV edição do CHAN de 2016, no Ruanda, Angola permitiu que o adversário, por sinal de quilate inferior em termos de ranking, chegasse ao empate depois de estar a ganhar por 2-0.

Angola demonstrou atitude no primeiro período de jogo, em que saiu a ganhar por 1-0, bem assim como no reatamento deste em que chegou a ampliar o “score” para 2-0. Dário, médio do Recreativo do Libolo e Ary Papel, avançado do 1º de Agosto, foram os obreiros da construção dessa vantagem no marcador, ao apontarem os dois do combinado nacional de futebol em honras. Adivinhava -se uma nova vitória dos Palancas Negras, desta feita sobre os suazis, que até aí revelavam-se impotentes apesar da sua condição de anfitriões.

Porém, a aparente ascensão da equipa nacional no jogo foi pura utopia, porque em 16 minutos, ou seja, com os golos apontados aos 21 e 37 minutos os suazis deram a volta ao texto, igualaram o marcador.Era muito mais eficiente se a equipa comandada por Romeu Filemon triunfasse. Disso, não há qualquer margem para dúvida. Mas pela falta de consistência no seu sector mais recuado, os Palancas Negras permitiram que os suazis empatassem o jogo.

Mesmo que não seja de todo um mau resultado, o empate prova alguma intranquilidade, que o conjunto angolano ainda revela em momentos cruciais.
Uma intranquilidade que não pode admitir-se em jogos a eliminar, já que deslizes do género acabam, muitas vezes, por trazer imensos dissabores.
Não obstante isso, os angolanos que a 4 de Julho recebem o mesmo adversário no Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, para a segunda-mão dessa primeira eliminatória do CHAN-2016, podem, efectivamente, corrigir a situação.

A Selecção Nacional tem, como é de se esperar, a obrigação de vencer a Suazilândia no jogo de resposta em Luanda, a 4 de Julho e escrever o seu nome na próxima eliminatória, em que pode cruzar com a África do Sul ou as Ilhas Maurícias.Se em casa do adversário, que a par da RCA também se apresentava como de nível inferior, Angola conseguiu o empate, no Estádio Nacional 11 de Novembro é indiscutível que faça da excelência uma divisa e construa um resultado mais convincente, no duelo da segunda jornada da eliminatória da corrida ao CHAN-2016.

Um resultado mais convincente passa por uma vitória, por números expressivos. Nesta perspectiva, acredito que Angola tem argumentos mais do que suficientes para alcançar esse desiderato frente aos suazis, no jogo de Luanda. É importante que Angola mantenha essa eficácia nos próximos jogos. Quer nos da corrida ao CAN de 2017, no Gabão, quer nos da campanha para o CHAN de 2016, no Ruanda.

Não menos importante ainda é manter a perspectiva de vitórias nos jogos em que actuar como anfitriã e procurar pontuar sempre em casa dos adversários. Obter empates nos jogos fora de casa é sempre agradável, mas em contrapartida uma eventual vitória nessas condições é como ouro sobre o azul.

Isso, é o que se espera do combinado nacional nos próximos jogos dessas duas frentes, em que está engajado. De resto, é imperioso que em cada umas dessas duas frentes o conjunto demonstre atitude mais ousada, para que no final das contas saiamos a sorrir com a eventual qualificação de Angola ao CHAN do próximo ano e ao CAN de 2017. É preciso acreditar e nunca perder de vista a esperança para este objectivo!...
Sérgio V. Dias

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