Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mais do que os resultados

25 de Abril, 2019
Muito gostaríamos, que o assunto desta edição do “Desporto no Texto” estivesse relacionado com a saga vitoriosa que o 1ºde Agosto está a demonstrar nas mais diversas modalidades, com destaque para o andebol sénior feminino e o basquetebol sénior masculino, que, nos últimos dias, expressaram, em campo, a razão do investimento que está a ser feito pela direcção do clube.
Existem, de facto, na saga vitoriosa das modalidades acima referidas, elementos com força para promover uma abordagem, que chame a atenção de quem possa se sentir tocado com o trabalhado que o clube militar está a realizar, o que reforça a teoria de que o imediatismo de resultados já não deve triunfar sobre um plano rigorosamente gizado à luz dos parâmetros científicos, que cada vez mais faz do desporto uma ciência.
Ou seja, mais do que os resultados, o trabalho e organização são fundamentais.
Entretanto, o referido desejo, mais uma vez perde para a força do futebol, e se calhar, por isso é que a modalidade conserva o estatuto de “desporto rei”, sem que a adjectivação conheça muitas indagações por este mundo fora.
Em função disso, fomos impelidos a falar da qualificação das selecções de Angola nas versões sénior masculino (AA) e sub-17, para o Campeonato Africano das Nações de 2019 e Mundial, respectivamente. Tais factos, para além de merecerem aplausos dos agentes desportivos locais,
consubstanciam as primeiras grandes vitórias da FAF, em relação aos resultados das Selecções, e sobre isso, estamos de acordo.
Deste princípio, é normal ouvir-se a quantidade de discursos que colocam o elenco de Artur Almeida, num patamar elevado, afinal, os que acompanham e gostam do futebol se alegram com as vitórias e, por conseguinte, com a presença nos maiores palcos de disputa das competições, ao mais alto nível.
É isso mesmo que acontece para o caso da Selecção AA, que jogou o “tudo ou nada” frente ao Botswana e conseguiu, por mérito próprio, voltar a marcar presença num Campeonato Africano das Nações, depois de falhar as duas últimas edições, (2015 na Guiné Equatorial e de 2017 no Gabão).
No caso dos Palanquinhas, como é também chamada a Selecção de Sub-17, a proeza prende-se com a estreia na maior montra do futebol que se joga na face da terra, isso, em referência ao Mundial, que será realizado de 5 a 27 de Outubro do ano corrente, no Brasil, terra do samba e do futebol.
Do ponto de vista de resultados, é legítimo que se observe este concerto de estado de opiniões, segundo as quais o futebol angolano volta a estar no seu melhor, discurso que deve ser encarado com alguma prudência, porquanto, não é e nem deve ser, a vitória, o único item de avaliação do estado do futebol de qualquer Nação.
Esta referência torna-se mais profunda, quando em causa está o futebol angolano que, verdade seja dita, enferma de muitas outras coisas que merecem ser melhoradas e corrigidas, emprestando para este texto, a máxima que está na moda da política angolana.
E não deve ser entendido como um acto anti-patriota, por exemplo, as opiniões que não
comungam da imagem que se pretende construir em volta das referidas conquistas, por via das quais se atribui à actual direcção da Federação Angolana de Futebol, o epíteto de “salvadora da pátria”, no que tange ao futebol, o que não é bem assim.
Saudamos, de facto, todos os resultados positivos no capítulo competitivo, enquanto última cortina do processo desportivo, que tem muitas outras fases anteriores que merecem profunda reflexão e análises, pois só com um olhar atento, sério e patriótico é que, de facto, poderemos colocar o futebol no caminho certo.
Elencar exemplos, para além do espaço que se mostra insuficiente para o universo deles, seria fastidioso, pelo que apenas deixamos como recomendação, a necessidade da FAF realizar uma visita nos campos em que são formados os jogadores do Clube da Terra Nova, Polivalentes, Coorderinhos, etc, para aferir, se, de facto, tudo fica apenas pelas conquistas das selecções ou se não estão certos os que dizem que “Mais do que os resultados…”. Carlos Calongo

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