Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mais fora ao futebol jovem

09 de Setembro, 2013
Não é de agora que quando as coisas não correm bem aos Palancas Negras, o futebol de formação e a necessidade de rejuvenescimento da Selecção Nacional sénior vem à tona, constituindo motivo de análise e discussões.Nos últimos tempos, alguns treinadores das camadas jovens têm colocado o “dedo na ferida” e falam em situações que emperram o desenvolvimento nos escalões de formação, e por arrasto, de todos os níveis.A Federação Angolana de Futebol (FAF) e os clubes têm a responsabilidade de criar mecanismos para que os escalões de formação desfrutem das condições ideais para que os seus objectivos sejam atingidos.

Já não faz sentido que os dirigentes desportivos se esqueçam de criar as condições adequadas para os infantis, iniciados, juvenis e juniores. Nestes escalões faltam coisas tão simples como campos de treino, equipamentos, botas e bolas. E o que é mais importante, faltam treinadores com conhecimentos técnicos e científicos para desenvolverem o trabalho com os escalões de formação. O rejuvenescimento da selecção principal de que muito se fala deve começar nos clubes, onde os atletas mais jovens devem ter as condições ideais para que cresçam de forma correcta.

Ao contrário do que o quadro actual apresenta, todos os sectores que concorrem para a prática do futebol, devem envidar esforços no sentido de que no mais curto espaço de tempo possível surjam mais equipas e maior quantidade de atletas nos escalões de formação. A pirâmide desportiva, no caso do futebol, deve começar nas bases como sustentação dos seniores, como um edifício que começa a ser edificado a partir dos alicerces.

Em função da ausência cada vez maior dos deveres cívicos e morais, que têm origem na descaracterização que se observa em algumas famílias como núcleo fundamental do desenvolvimento da sociedade, nota-se o aumento de jovens que enveredam pelas drogas e outras práticas menos correctas.Este fenómeno também afecta jovens desportistas, o que coloca em perigo a sua continuidade no desporto e os afasta da alta competição, atrofia o seu desenvolvimento como seres humanos, facto que deve merecer a devida análise e ponderação da sociedade civil.

Não se deve “bater e rebater” sobre o que está feito ou o que acontece, mas apresentar soluções para contornar tal situação que, convenhamos, tardam em aparecer. Nunca é demais recordar que a problemática em torno do futebol jovem como viveiro da modalidade há décadas que é objecto de largos espaços nos meios de comunicação social e tema de debates a vários níveis, sem que se registem melhorias palpáveis. Alguns especialistas em desporto de formação são de opinião que tal se deve à falta de prudência das pessoas que têm estado à frente dos destinos da modalidade.Mas vem aí uma lufada de ar fresco, em função da estruturação e dinamismo que as autoridades nacionais se propuseram conferir ao desporto escolar, que também concorre para a melhoria do nível estrutural, técnico e competitivo da modalidade.

O futebol no seu todo, e em particular o dos escalões de formação, por se tratar de uma questão complexa, não pode e nem deve ser tratado de ânimo leve. É necessário que as pessoas tenham consciência da realidade e se tracem projectos e planos para inverter o quadro, em sede própria.Angola tem falta gritante de gente especializada em futebol de formação, como treinadores, professores, médicos, fisioterapeutas ou nutricionistas. P