Jornal dos Desportos

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Opinio

Mais respeito pelo ser humano

12 de Abril, 2016
Para além do preço dos ingressos considerados elevados para a maioria dos cidadãos amantes do futebol, o deficiente acesso e acomodação traduzidos em assentos e quartos de banho reclamam melhorias.

A maioria dos que existem no país, assim como as transmissões televisivas que retiram algum público dos estádios, o horário marcado para o início das partidas (15h30), nesta época do ano em que as temperaturas com principal incidência no litoral do país, faz que o público se distancie mais dos locais da competição.

Não é de agora que nos debatemos sobre esse assunto, pois trata-se de uma questão recorrente. Ao marcar o início dos encontros para às 15h30, a Federação Angolana de Futebol (FAF) que em anos anteriores, depois de algum “barulho” da imprensa e outros agentes da modalidade, alterou o início de alguns jogos para às 16h00 e outros para 30 minutos mais tarde, não está a ser correcta consigo própria.

A medida que se estipula, que os jogos sejam realizados debaixo de temperaturas que rondam os 35 graus centígrados, ao invés de concorrer para melhorar o nível e a qualidade do futebol que se pretende, contribui para o inverso. Os atletas e os árbitros não são máquinas, mas seres humanos que se ressentem do esforço físico e mental que despendem, cujos reflexos fazem-se sentir na capacidade de raciocínio.

É natural que os membros do Conselho Técnico Desportivo da FAF, órgão a quem compete a programação da época e a elaboração de calendários das competições, que tem Nando Jordão como presidente, a quem reconhecemos competência e nutrimos respeito, também se bate para a elevação do nível da qualidade do futebol nacional. Só que, é preciso que se reconheça que esta não é a melhor maneira.

Uma vez que se trata de um assunto recorrente e que o calendário desportivo é elaborado em observância às diversas particularidades de cada época, como por exemplo, a participação da Selecção Nacional nos compromissos em que estiver envolvida, por que razão o facto em abordagem não foi levado em consideração? Convenhamos que jogar sob temperaturas que rondam os 35 graus centígrados à sombra, não constitui um prenúncio positivo.

É certo que se está diante de um direito que protege os clubes, que muitas vezes são obrigados a fazer das “tripas o coração”, para fazer face às despesas relacionadas com o jogo, cujo encargo começa com a sua preparação técnica, estágio, alimentação, deslocação e hospedagem do grupo de trabalho, aluguer de campo, lavandaria, transporte, prémios de jogo, árbitros, Polícia Nacional e outras forças de segurança, combustível, energia eléctrica, água, confecção de bilhetes e outros, quer sejam na condição de anfitriões ou visitantes.

No meio deste imbróglio, não obstante a época quente estar a aproximar-se do final, a pergunta que não quer calar-se, prende-se com o facto de actualmente com os preços que se cobram e que são considerados elevados para a maioria dos bolsos dos espectadores, se o público vai continuar a acorrer aos estádios, independentemente do cariz e do interesse de cada jogo, os bilhetes de ingresso rondam entre os 500 (quinhentos) e 5.000 (cinco mil) kwanzas.

Em face disso, e sem querermos ferir susceptibilidades, é necessário que as pessoas tenham em linha de conta que um dos factores preponderantes para que o “casamento entre o público e o espectáculo desportivo, no caso o futebol seja aprofundado noves fora o preço dos ingressos, está lido a melhoria da sua qualidade, assim como devem ser envidados esforços no sentido de que os princípios da verdade desportiva não sejam violados. Não se deve exigir aos árbitros e atletas o que não podem oferecer, em função de algumas adversidades que pode(ia)m ser evitadas de forma antecipada.
Leonel Libório

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