Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mais um campeonato sem clima de Girabola!

14 de Outubro, 2019
Já se tornou costume dizer-se, que os campeonatos de futebol da primeira divisão, não importa o país em que se realiza, devem dar aos prosélitos e amantes do futebol o que eles mais querem ver.
Entretenimento, boa disposição, paixão, euforia, emoções ao rubro, entre outros condimentos, que tornam um campeonato de futebol do primeiro escalão numa verdadeira festa das multidões!
Mas será que a presente edição do Girabola Zap nos está a dar exactamente o que gostaríamos de ver? Nem de perto, e nem tão pouco de longe!
Aliás nos últimos anos, desde que Girabola é Girabola, jamais os apaixonados pela competição conseguiram ver correr a prova, sem que surgisse alguém a levantar uma suspeita contra este ou aquele!
Basta o Girabola Zap começar, para termos logo uma ideia de como vai terminar. Talhado para os desequilíbrios, a julgar pela maré de dificuldades que ele sempre viveu.
Um verdadeiro “sukula zuata”.
Se o problema não está na calendarização, está na programação. Se não está na programação está na organização dos jogos, que ocorrem muitas vezes sem se observarem o mínimo de respeito para o público, que se desloca aos estádios para em noventa minutos puder desfrutar do que ainda de menos bom restou do nosso futebol, mais que sai de lá quase sempre defraudado.
Para piorar o que já encontra torto, o Girabola Zap deste ano, assim como ocorreu o ano passado, continua ter a sombra da sua “mulembeira”, os cofres vazios da maior parte dos clubes que participam na mesma, criando maus augúrios em relação ao futuro próximo deste Girabola, pois certamente já está instalado o clima de incerteza a volta do mesmo, e, por este facto, dificilmente os jogadores terão estofo e estabilidade psico-emocional, com repercussões negativas nos próprios resultados das equipas que representam! E dai, pergunto eu: Como pode, desta forma, o Girabola ser valorizado ou os seus campeões respeitados, perante estes climas que só fazem lembrar a célebre frase, eternizada no refrão músical do conceituado cantor de Kuduro, cujo nome não me vem a mente, quando chegou a rimar “mesmo que não está bom, você dança só”?
Uma mensagem que passa uma noção clara, que ainda não sabemos o caminho que o Girabola Zap tem de percorrer nos domínios da competitividade, rentabilidade e crescimento. Apesar de todos esses “corpos estranhos”, que continuam a encontrar terreno fértil no Girabola, tem valido a pena ouvir falar do Girabola “fora das quatro linhas”, a partir dos nossos comentaristas, com realce ao painel do 3º tempo da Rádio 5, que as segundas-feiras nos têm brindado com comentários, que ao invés da lógica clubista, fazem prevalecer e privilegiam a análise de qualidade, independente, inteligente, com muito “trabalho de casa”, recurso a pesquisa, análise e a dados.
Embora pelo meio, surja algo que por cá é visto como “pecado”, mas que deveria ser natural na discussão de uma indústria de entretenimento, como o futebol: o humor e a boa disposição. Alguns não apresentam qualquer passado no desporto, mas sabem prender audiências e preparar conteúdos de elevada qualidade.
Outros são ex-atletas profissionais que, para lá da (e até mais do que) dimensão que tiveram no desporto analisado, somam à experiência uma capacidade de análise e comunicação que, aí sim, justifica que fiquemos presos ao que têm a dizer.
Zongo Fernando dos Santos

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