Jornal dos Desportos

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Opinio

Mais um falso arranque do Interclube

22 de Agosto, 2019
Para o desalento dos prosélitos do futebol sénior masculino, as cortinas do Girabola Zap, versão 2019/20, foram descerradas com máculas na jornada inaugural que, mais uma vez, põem em causa a capacidade organizativa da Federação Angolana de Futebol (FAF), que parece apostada numa competição em que é premiada a instituição que mais erros comete ao longo do “consulado”.
Prefiro fazer fé para que não se cumpra a máxima, segundo a qual “Começar mal é presságio de pior fim”, pois caso contrário, teremos uma época futebolística eivada de problemas que em nada dignificam o que até aqui já foi conquistado, na base do espírito de que o futebol é, de entre outras realizações sociais, uma das que mais alegra o povo.
Não me ocorre, sequer, falar da “chicotada psicológica” de que foi alvo o seleccionador nacional, Srdjan Vasiljevic, que como disse o companheiro António Félix, já era, - e na passada, o Teixeira Cândido, considerou como o segundo pecado da FAF.
E como prometi não gastar mais parte do pouco tempo que tenho, com questões que desabonam a actual direcção da FAF, - em que definitivamente não me revejo -, passo a falar do que os adeptos do futebol mais gostam, que são as fintas, passes, golos, etc, enquanto itens que fazem a magia da modalidade que tem o estatuto de “rei”.
Nesta senda, prendo-me ao desastroso arranque do Interclube, goleado no “Inferno do Dundo”, por números que surpreendem, a considerar o investimento feito em termos de aquisição de jogadores numa escala de uma dezena dos quais, diga-se de passagem, alguns com provas dadas de possuírem dotes acima da média para o nosso mosaico futebolístico. Caso o início da caminhada da equipa do Ministério do Interior (Minint), seja pensada para igualar o sucesso alcançado em 2007, quando perdeu nas primeiras quatro jornadas, mas tornou-se campeã nacional, os adeptos não se devem preocupar, pois para o caso se aplica e aceita o provérbio de que “o primeiro milho é para os pardais”. Se assim não for, enquanto a procissão vai ao adro, bom é tocar a corneta (que até a polícia tem de sobra), para que se tenha precaução da eventualidade de estar a vista mais um fracasso, no que tange as aspirações do clube do bairro Rocha Pinto voltar a conquistar o troféu da maior competição do futebol nacional.
Tudo porque está na hora do Interclube transformar em facto as boas intenções, que motivam as dispensas e contratações de jogadores e treinadores, em quantidades normalmente acima da meia dúzia por época, sem que os resultados compaginem as almejadas vitórias e por conseguinte, a alegria da família azul e branca.
Caso tem sido cumprida a norma de que a equipa técnica solicita o reforço do plantel por sectores e ficar sob responsabilidade do departamento de futebol a missão de pôr-se em campo, para encontrar o que de melhor sirva a pretensão do técnico e do clube, alguma coisa não está a funcionar correctamente.
Nisto, os anos que o presidente de direcção do Interclube, Alves Simões, tem no dirigismo desportivo, já lhe deviam dar o conforto para dominar melhor o “metier” e ser mais assertivo nas decisões, e que essas reflectissem a dimensão do clube, que pelo número de contratações das últimas três épocas, pelo menos, não se pode queixar de falta de dinheiro. Então, se calhar estará a faltar melhor visão e estratégia na concepção da política de contratações, e para tal os responsáveis da área em referência devem ter um olhar apurado, pois tal sector, determinante na hora das escolhas que nem sempre valem pela quantidade, mas sim pela qualidade.
Mais do que isso, é preciso acompanhar a dinâmica recente do futebol, onde o departamento de futebol é servido e gerido pelo que de melhor existe, ou seja, pessoas que vivem, transpiram e respiram o futebol a tempo integral, aptas a prestar o melhor tributo em prol da agremiação, sem que se coloca em primeira instância o caso “mixa”, que entre nós sabemos o que é e que existe. Carlos Calongo

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