Jornal dos Desportos

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Opinio

Mais vale tarde a bem dos tcnicos

02 de Agosto, 2016
Depois de algum tempo envolvida em algumas promessas, o ressurgimento previsto para os próximos tempos, da Associação Nacional dos Treinadores de Angola de Futebol (ANTAF), para além de se constituir em parceira do Governo e da federação que tutela o desporto rei, vai absorver esforços e valências que visam o desenvolvimento da qualidade do futebol nacional.

Esse contributo poderá ser através de acções de formação (seminários e colóquios), e na defesa dos membros da classe, que por ausência de um organismo do género, têm sido relegados ao segundo plano, no que concerne a atribuição de pareceres que dizem respeito a globalidade do futebol nacional, fundamentalmente sobre a sua organização estrutural.

Longe de qualquer cópia ou imitação do que ocorre com organismos homólogos de outros países, com os quais, Angola possui relações cordiais nas diversas vertentes, constitui um dado adquirido que à ANTAF, cuja comissão dinamizadora para o seu ressurgimento, integra entre outros, “pesos pesados” do treino angolano, como Oliveira Gonçalves, Miller Gomes e Zeca Amaral, caberá emitir pareceres a Federação Angolana de Futebol (FAF), sobre o que a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), prescreve no que diz respeito aos níveis de graduação dos treinadores expatriados que lhes habilita a orientar selecções nacionais e equipas da 1ª divisão.

A ANTAF, que pretende integrar técnicos angolanos de todas as gerações, que se encontrem no activo, “emprestados” a outras actividades e os que se encontram no desemprego, assim como os estrangeiros que trabalharem em Angola, deverá possuir competência que lhe permita emitir subsídios de opinião sobre a elaboração de normas que estipulem a quantidade e a qualidade dos atletas expatriados, a serem contratados pelos clubes.

Como se sabe, não é de agora que Angola tem constituído a fonte de riqueza para muitos treinadores e atletas estrangeiros, alguns dos quais, muitas vezes contratados a peso de ouro, sem a qualidade que se exige para trabalharem e jogarem no futebol angolano.

Não se constituindo em sindicado de defesa dos treinadores nacionais, a ANTAF, chauvinismo a parte, poderá debruçar-se sobre os despedimentos dos treinadores, sobretudo angolanos, que em Angola, acontecem em quantidades assustadores. Pelo facto de não existir em Angola um sindicato que defenda os interesses laborais dos treinadores de futebol, a associação a ser criada, poderá aconselhar sobre os procedimentos legais consignados na Lei Geral do Trabalho (LGT), em vigor em Angola, a serem seguidos pelos seus filiados, sempre que ocorrerem “chicotadas psicológicas” e que estes acharem que a entidade patronal (direcção do clube) não cumpre com algumas cláusulas contratuais, como por exemplo, as indeminizações, que no seio da classe existem a mão de semear, faz tempo.

Desprovido de qualquer sentimento contra os treinadores estrangeiros, pelo que ocorreu nas épocas anteriores, em que a média das “chicotadas psicológicas” ronda as dez, na maioria que acontece com expatriados, e que envolvem indeminizações monetárias, em função do técnico não ter atingido o limite do prazo contratual, estes vêem as cláusulas resolvidas a seu favor, embolsando “ chorudos” montantes financeiros.

É um facto que existem em Angola, muitos treinadores, que aguardam há mais de dez anos por compensações financeiras, resultantes de indeminizações ou de salários em atraso e outros itens, não só de alguns clubes, como da FAF. Ao contrário do que é opinião de muita gente, as pessoas devem ter consciência que o ressurgimento da ANTAF não vai resolver os problemas dos treinadores de futebol.

Com a colaboração de todos os filiados, vai contribuir para a sua resolução e ajudar a resgatar o respeito e a sua dignidade, que é justo reconhecer, tem andado por baixo.

Leonel Libório

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