Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Maldita maka com os dinheiros

13 de Junho, 2019
Numa altura em que se recomenda toda a concentração possível dos jogadores, no sentido de corporizarem as orientações da equipa técnica, com vista a uma prestação positiva no Campeonato Africano das Nações (CAN), que dentro de dias será jogado no Egipto, de 21 de Junho a 19 de Julho, eis que nos chegam notícias pouco abonatórias, que podem inquinar os resultados perspectivados.
Como que um regresso aos velhos tempos de má memória - recordamos o CAN de 1996, que marcou a estreia de Angola nestas andanças da mais alta competição futebolística do continente - eis que a maldita “maka” com os dinheiros, volta a fazer mossa numa selecção nacional.
Neste particular, os convocados de Srdjan Vasiljevic foram forçados a adoptar uma medida de último rácio, ou seja, recusarem-se a treinar, atitude que, independentemente das explicações e interpretações, macula a programação da equipa técnica, que terá de puxar da cartola um trunfo, a fim de colmatar os estragos que a situação pode ter provocado. Ao que se sabe, tudo deriva da cobrança justa, por parte dos jogadores, de USD 1500, que devem receber por uma semana de treinamento, isso no período de estágio que realizam em Portugal e, mais verdade que esta, é atestada pelo documento que tivemos acesso e circula nas redes sociais, com a insígnia da Federação Angolana de Futebol (FAF), sem que se nos obrigam a tarefa de atestar a sua (in)verdade.
Contra todas as razões que venham a ser evocadas, em relação ao não cumprimento do estabelecido, atribuímos nota negativa à direcção do órgão reitor da modalidade que, mais uma vez, ignorou o valor da comunicação, enquanto ferramenta estratégica na gestão moderna, o que nos lava a repetir que: “Quem não se comunica, se complica”.
A decisão dos jogadores não treinarem na última segunda-feira, se é que pode ser considerada extremista, deve ser entendida como resposta à fuga ao diálogo adoptada pela direcção da federação, que nem se quer considerou o papel de intermediário exercido pelo seleccionador nacional.
E por falar do seleccionador nacional, abre-se um merecido parêntesis, para sinalizar o sério comprometimento do homem com a causa que o liga à FAF e os Palancas Negras, eivado de um apurado sentido patriótico que supera, em certa medida, o comportamento de alguns gestores do desporto angolano, mais talhados para o “Eu”. É, pois, por este sentimento patriótico, que nos obrigamos ao maior profissionalismo, seja em que área da sociedade que cada um esteja envolvido, quanto mais não seja no mundo desportivo, enquanto actividade transversal às demais realizações sociais e humanas.
Em função de toda esta balbúrdia, em volta da participação dos Palancas Negras no Campeonato Africano das Nações (CAN) que se avizinha, a considerar maior o desejo colectivo dos angolanos em serem brindados com uma participação a todos os níveis positiva, defendemos a conjugação de forças, para que o melhor aconteça.
Ou seja, devem ser esgotadas as possibilidades de diálogo com todos os intervenientes, pois cada um tem algum valor para acrescentar e, por mais ínfimo que pareça, concorre para que o resultado final seja o que se almeja. Nesta hora, à escassos dias do pontapé de saída de mais uma edição do CAN, a vaidade ou casmurrice de quem quer que seja, não devem encontrar acolhimento no seio do grupo que prepara o certame, pois nada irão agregar, pelo que, podem e devem ser dispensados.
À Federação Angolana de Futebol, em particular ao seu presidente de direcção, com reserva à intimidade que não partilhamos de nenhum fórum, sugerimos que procure ser mais pragmático e perceber que o futebol de alta competição é bonito, quando se faz mais e se fala menos, expressão que se encaixa bem na forma moderna de gerir, seja o que for. De resto, e por ser conhecida a capacidade de resiliência dos angolanos, estamos em crer que melhores dias virão e que os compatriotas, Tony Cabaça, Isaac, Massunguna, Paizo, Djalma, Mateus Galiano, Gelson Dala & CIA, no momento que estiverem em campo, deixarão de fora todas as diatribes à que estão expostos e, em nome da Pátria mãe angolana, irão realizar um bom CAN, e o resto será discutido em tempo e fórum adequados.
Carlos CAlongo

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