Jornal dos Desportos

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Opinio

Mandante terrorista que enlutou o CAN

09 de Maio, 2017
No dia 6 de Junho a 16ª Câmara do Tribunal de Grande Instância de Paris ( França ) dita a sentença de André Rodrigues Mingas, acusado do acto terrorista contra a selecção do Togo. Há expectativa quanto ao desfecho.

De facto o CAN de 2010 foi uma festa memorável pelas boas razões, sobretudo as de campo, mas que, a certa altura. contrastaram com a tristeza extra campo, como o ataque de que foi vítima a Selecção de Togo, do sempre temível Adebayor, que acabou por não jogar na referida competição, alegando faltar moral e motivação, afinal de contas, no referido ataque, faleceram duas pessoas e ficaram feridas treze outras.

O mundo condenou veementemente a ocorrência, de tal sorte que em alguns ciclos a conversa versava sobre a possibilidade de adiamento da prova ou, no mínimo, a sua retirada do território nacional.

Ante a reafirmação das autoridades angolanas, de que estavam criadas as condições de segurança necessárias para um certame de tal envergadura, apesar das vozes contrárias, a prova realizou-se como anteriormente programada, ficando no ar desejo de que, à seu tempo, o ataque seria referência, o que provaria que a culpa não morreria solteira.

E assim aconteceu, aliás é proverbial que a verdade vem sempre ao de cima, eis que o referido crime começa a ser julgado pela justiça Francesa, tendo como uma das peças fundamentais à Frente de Libertação do Enclave de Cabinda-Posição militar, que reivindicou para si a autoria do hediondo crime.

Se é daquela forma que o referido movimento tentou dar o ar da sua graça existencial, a sociedade, a lei e os demais mecanismos jurídicos legais existentes para disciplinar determinadas acções marginais, hoje por hoje, decidiram pôr cobro à situação, com a realização do julgamento que decorre em Paris, Nação que conta com .... como novo Presidente da República, batendo na concorrência a \"teimosa\" Marine de Le Pen.

Como se diz na gíria, \"quando a cabeça não regula, o corpo é que paga\", erguemos a nossa voz em aplausos à acção judicial levada a cabo pelo Tribunal de Grande Instância de Paris, que decidiu julgar os presumíveis culpados do crime do qual os jogadores afectados eram um dos poucos que nada tinha a ver com o assunto dos FLEC com quem quer que seja.

Fora esta acção terrorista, a memória colectiva dos angolanos ainda regista os bons momentos vividos no ano de 2010, altura em que o país organizou pela primeira vez na sua história, o Campeonato Africano das Nações, em futebol sénior masculino, que consagrou mais uma vez, a selecção do Egipto que é, tão somente, a mais titulada do continente.

Angola e os angolanos transpiraram a festa do CAN disputado nas províncias de Benguela, Cabinda, Huíla e Luanda, como uma das maiores manifestações desportivas já realizadas no solo pátrio, sem ângulo comparativo com os terceiros Jogos da África Central, em 1981, o campeonato do mundo em hóquei em patins e outras relacionadas com o basquetebol masculino e andebol feminino.

Para além da festa em si que vivida como um factor de alegria colectiva, Angola ganhou infra-estruturas que estão aí, infelizmente todas elas com apresentando já sérios os problemas, cada um à sua dimensão, pois claro, e necessitam urgentemente de intervenções. As cerimónias de abertura e de encerramento, apesar das aceitáveis e descontáveis falhas, foi uma excelente lição de que os angolanos são capazes de fazer em termos de realizações desportivas e culturais, que bem relacionados resultam em verdadeiras festas de alegria.

Entretanto, a alegria nem sempre foi plena no referido CAN, a exemplo do jogo inaugural entre Angola e Mali, o tal do 4x4, que deixou mazelas psicológicas em certas pessoas, uma das quais a Tia Vina, que desde aquele dia jurou de pés juntos que jamais iria assistir uma partida de futebol em que um dos protagonistas fossem os Palancas Negras, promessa que está a cumprir, pelo menos até agora. Quem não se lembra das imagens da Primeira Dama da República, a espargir felicidade pelo brilharete dado pela equipa nacional que chegou a ter uma vantagem de 4-1, quando faltavam apenas onze minutos para concluir-se o tempo regulamentar?
Carlos Calongo

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