Jornal dos Desportos

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Opinio

Manter a esperana apesar do mau comeo

12 de Dezembro, 2019
Realizadas as duas primeiras jornadas da Liga dos Campeões Africanos, em que estão envolvidas, em representação de Angola, o Clube Desportivo 1º de Agosto e o Atlético Petróleos de Luanda, reservo-me ao direito de expressar o que penso sobre o desempenho das equipas angolanas, que considero ser deficitário não só em termos dos resultados, mas também da qualidade do futebol apresentado.
Em relação aos resultados e a considerar normal o facto dos nossos compatriotas terem perdido no campo dos adversários, os estragos seriam menores, caso respondessem pela mesma moeda, ou seja, ganhando os jogos em casa, o que não aconteceu, pois não foram para lá de empates, curiosamente com os mesmos números, ou seja (1-1).
A considerar certo o facto de que o torneio ainda está no princípio e que pela lógica de nestas coisas de futebol, o importante é como acaba e não como começa, mantém-se alguma esperança na recuperação dos representantes angolanos, para o gáudio do que é o desejo de todos os amantes do futebol. Todavia, é bom não perder-se de vista o facto de que, apesar das possibilidades que em teoria ainda existem para que Petro de Luanda e 1º de Agosto se apurem à fase seguinte, os pontos perdidos em casa, se não forem recuperados em outros campos, podem ser determinantes para um eventual fracasso das equipas angolanas, o que belisca o prestígio que o futebol local vai tentando alcançar na arena africana.
O aludido eventual fracasso poderá, em certa medida, ser menos doloroso nas hostes do Catetão, atendendo o facto do Petro de Luanda estar a experimentar o regresso nesta que é a maior competição africana a nível de clubes, o que permitiria um desconto nas análises, com o argumento de ser uma fase de colheita de experiência, com o valor que possa ter a hipotética justificação.
Já no caso do Clube Central das Forças Armadas Angolanas, muito por “culpa” da boa campanha, que fez na época de 2017 em que chegou às meias-finais, aliado à isso ao fracasso da época seguinte, no caso 2018, em que não passou da primeira eliminatória, as exigências são maiores, pela constância da sua presença na referida prova, nas últimas quatro épocas.
Mais do que isso, as exigências que se impõem ao clube do Rio Seco assenta também na qualidade do plantel, que com uma ou outra lacuna é de um nível aceitável e, por isso, obrigado a mais e melhor fazer, que o pecúlio das duas jornadas anteriores, onde em seis possíveis, conquistou apenas um ponto, por via do empate caseiro, que quanto a mim soube a derrota. Caso seja possível fazer um comparativo, entre a época em que os militares tiveram a melhor participação de sempre, na altura sob comando de Zoran Macki e as duas últimas, a primeira conclusão à que se chega é que a equipa desta temporada não tem estofo para tanto.
E desde logo surge a seguinte questão: não será um paradoxo afirmar que o plantel deste ano é, em termos de qualidade, superior aos de outros?
A resposta é sim, com o argumento de que a diferença reside na forma de abordagem de cada um dos treinadores e, neste quesito, parece que Dragan Jovic não está a ser feliz na arrumação táctica da equipa, perdendo para o seu antecessor, que apostava numa muralha defensiva, quase que intransponível. Se por um lado a muralha defensiva, que foi o apanágio de Zoran, custou ao técnico muitos comentários desabonatórios, sobretudo pela ausência de um futebol ofensivo e vistoso, por outro lado é verdade que as defesas ganham os campeonatos e os ataques os jogos.
Logo, melhor que se defenda muito e melhor, e tentar, sempre que possível, qualquer vitória, que nestes casos devem ser sempre forçadas em casa, com alguma abertura mais no ataque e não como está a ser apanágio do Dragan, com todas as competências que já mostrou em prol do clube militar.
De resto, o que se recomenda nesta altura é manter a esperança na base do provérbio desportivo de que, nestas coisas de futebol, é como acaba e não como começa. Carlos Calongo

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