Jornal dos Desportos

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Opinio

Maputo o alvo a seguir do pas

11 de Agosto, 2018
Angola é um país que, desde muito cedo, começou a se afirmar na arena do desporto. Nesse aspecto é conveniente realçar que, logo após a conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, várias modalidades desportivas, com realce particular para o rei-futebol e o hóquei em patins, muito cedo deram o ar da sua graça.
Isso é inequívoco. Para justificar isso, basta referir que, volvidos quatros anos da afirmação de Angola como país livre do julgo colonial, tivemos a disputa do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, que ultimamente ganhou o cognome de Girabola.
No hóquei em patins, as coisas não fugiram à regra. Apesar de não termos um campeonato abrangente em termos de representantes das mais varaidas províncias, desde a ascensão de Angola como Nação Soberana, ainda assim não precisou de muito tempo para se afirmar a nível continental e, quiça, mundial, daí nos propusemos fazer, hoje, uma abordagem, neste espaço de opinião \"a duas mãos\".
E, tal como profetizou o Morais Canâmua, meu companheiro nesta coluna de opinião e de muitas e \"árduas batalhas\" nestas lides do jornalismo desportivo e, sublinhe-se desde o ido ano de 1995 no Lubango, Huíla, quando eu dava os primeiros passos na profissão, não é fácil falar sobre o hóquei em patins no país. Isso, como disse e bem o meu companheiro, pela mística que a modalidade em si carrega.
Parafraseando o que disse o Canâmua, o hóquei em patins foi das primeiras porta-estandarte deste país, no que se refere ao mosaico desportivo angolano. Por isso é uma modalidade que merece todo respeito.
Angola é hoje um potência não só a nível do continente Berço da Humanidade, a África, mas até à esfera mundial. A provar esse facto, estão as presenças regulares do país em Campeonatos do Mundo, desde que se estreou na alta ronda deste desporto em 1982, na edição realizada em Barcelos, em Portugal, por sinal o país que colonizou Angola e com quem trava fortes laços culturais e não só.
De 1982 à presente data Angola teve uma sequência de participações em Campeonato do Mundo e saltando ainda à vista, nesse particular, o que organizou dentro da suas fronteiras em 2013, nas cidades de Luanda, capital do país, e Namibe, respectivamente.
Angola tem, ainda, um registo de partipações honrosas em grandes montras do hóquei em patins mundial. Realce, nesse aspecto, para o quinto lugar alcançado na prova disputada em Nanjing, China, em 2015, e o sexto em Vigo, Espanha, em 2009.
Isso faz com que o país se afirme com uma potência mundial, um desiderato que conquistara por mérito próprio e sem precisar de favores de quem quer que seja.
É por estes feitos, que Angola continua a estar na boca do mundo, pela postiva, quando o assunto é hóquei em patins e pese o facto de não termos no país e nem tão pouco em África, onde poucas nações dão o ar da sua graça nesse desporto, competições regulares.
Mas mesmo assim, internamente vai se fazendo o trabalho de casa e vai, daí, que ao longo desses anos despontaram nomes sonantes na modalidade, como os de Fragata, Olim, \"Kaisara\", Chupita, Mamikua, Martins Payero, Centeno, Pedalé, isto só para citar alguns. No dirigismo desportivo, no que ao hóquei em patins concerne, como disse e bem o meu companheiro desta coluna, saltam também à vista nomes como Bastos de Abreu, João Cruz, dentre outros.
Porém, quando nos abeiramos da disputa de mais Campeonato Africano de Hóquei em Patins, que os nossos irmãos do Índico, ou se preferirem Moçambique, vai organizar de 9 a 11 de Novembro próximo, era importante que se continuasse a fazer bem o \"trabalho casa\". Angola tem obrigação de ir a este \"Africano\" provar o que vale em termos de selecção e de um conjunto que ostenta o estauto de mundialista.
A próxima edição do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, tem como palco Barcelona, no Reino da Espanha, nação europeia que, a par de Portugal, tem tradição nesse desporto à esfera do globo, tal como Angola e Moçambique, em África.
A nível do continente Berço da Humanidade os angolanos e moçambicanos continuam a assumir a hegemonia, pese embora a ascensão de alguns países africanos como a África do Sul e Egipto, que também vão dando, nos últimos tempos, o ar da sua graça.
E quando restam sensivelmente três meses, para a grande montra de hóquei em patins de África que terá lugar em Maputo, capital moçambicana, cresce a expectativa no seio dos amantes da modalidades no país, em relação aquilo que vai ser a campanha de Angola.
A disputa deste \"Africano\" de Maputo assume-se como crucial, para os intentos dos angolanos, porquanto além de ditar o título continental é também selectivo para a grande festa do hóquei em patins, que acontece em Junho de 2019, no Reino de Espanha.
Além da selecção anfitriã, Angola vai competir também com África do Sul e do Egipto. Nessa disputa, o vencedor qualifica-se directamente para o Campeonato do Mundo.
O novo modelo de qualificação para o Mundial, saiu do congresso da World Skate, realizado em 2017 na China. No período compreendido entre 1984 e 2015, as edições do Mundiais de Hóquei em Patins eram divididos em dois escalões, A e B.
Nesses moldes, a divisão A era disputada pelas 16 melhores selecções mundiais, enquanto que a B era bastante contestada pelas restantes equipas nacionais.
Nessa conformidade, as várias edições eram realizadas em anos alternados, de modo a que as três melhores selecções do Mundial B disputassem o A do ano seguinte, acontecendo o inverso com os restantes três piores classificados de cada Mundial A.
Contudo, a partir do ano transacto, o Campeonato do Mundo sofreu uma reforma, passando a integrar todas as equipas e disputado num só local (integrado nos Jogos Mundiais de Patinagem), existindo duas categorias inferiores dentro do próprio campeonato do Mundo: Taça FIRS (FIRS Cup), para as selecções entre o 8º e 16º lugar do ranking, e Taça das Confederações, para as restantes. Para o país, isso ficou claro, Maputo é alvo a seguir. Por isso, aguardemos...
SÉRGIO.V.DIAS

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