Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Paulo Caculo | Moscovo

Marcao cerrada

01 de Julho, 2018
O Mundial da Rússia decorre sob o signo da segurança. Sim. Esta é palavra chave que norteia a organização deste campeonato do mundo e cujos responsáveis locais não estão minimamente interessados em abrir mão. É verdade.
Quando para aqui cheguei, em Moscovo, não imaginava os níveis de segurança de que está a ser alvo esta competição. Fazia ideia que a organização prestaria especial atenção a este item, sobretudo a julgar pelo “espectro do terrorismo” que vivem as nações. Mas não esperava que a marcação fosse tão cerrada.
Ao contrário de outras experiências em campeonatos do mundo, despertou a minha curiosidade o facto de ver circular pelas ruas de Moscovo muitos adeptos com credencial pendurado ao pescoço. Uma espécie daqueles que fornecem aos jornalistas, que no caso serve de prova que estamos acreditados para entrar nos estádios e ter acesso às várias zona de serviço para imprensa.
À primeira vista achei normal. Mas espantou-me o facto de nas proximidades do estádio tomar contacto com várias pessoas exibindo o mesmo passe de acesso ao estádio. Nessa altura resolvi questionar.
As razões deixaram-me boquiaberto. Todos os cidadãos, nacionais ou estrangeiros, com bilhetes para acesso ao estádio são controlados através de um chip colocado nos credenciais entregues com o bilhete para os jogos. Ou seja, qualquer indivíduo que decida comprar um bilhete para ver um determinado jogo, no acto de compra recebe um passe ou credencial, que deve andar consigo diariamente, onde quer que vá. Não é permitida a entrada para o estádio sem o credencial.
A estratégia, segundo apurei, visa ter sob controlo ou vigia todos os cidadãos que tenham chegado à Rússia, com o pretexto de que desejam assistir aos jogos do Mundial. Fruto do chip implantado nestes credenciais, a organização pode saber onde localizar um determinado adepto, se a situação obrigar.
Com os vários outros turistas é a mesma coisa. À chegada, ainda no aeroporto, é-nos entregue um cartão provavelmente codificado, que deve andar connosco, juntamente com o passaporte, de formas a sermos localizados para qualquer situação. O país do Mundial encara a segurança como principal objectivo desta competição.
E como se não bastasse isso, durante os jogos, o último anel dos estádios deve ser ocupado apenas por cidadãos nacionais. À nenhum estrangeiro é permitida a entrada nos andares mais acima dos estádios.
Em suma, na Rússia estamos a assistir a uma autêntica marcação cerrada a eventuais tentativas, que venham a manchar a organização.
Não há espaços a manobras ou movimentos estranhos. O objetivo, segundo a organização, é que todos se sintam seguros.

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