Jornal dos Desportos

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Opinio

Mrio Calado prefere trabalhar no "silncio

24 de Fevereiro, 2015
Quando o técnico Mário Calado foi chamado a assumir a responsabilidade de este ano orientar o Progresso do Sambizanga e desta forma, à frente da equipa principal, fazer tudo para, pelo menos no fim do campeonato, ficar entre os cinco primeiros lugares, ele próprio disse que a aposta era de grande responsabilidade.

Mário Calado sabia, e sabe ainda, que as gentes do clube sambila estão à espera dessa missão há anos, sobretudo desde a ascensão do presidente Paixão Júnior que teve a visão de, no ano passado, contratar o técnico Lúcio Antunes para treinador do Progresso onde ia dar muitas alegrias, que no entanto não conseguiu.

Mário Calado sabe de tudo isso. Claro que não disse logo aos dirigentes, sócios, adeptos “vou chegar, ver e vencer”, mas, tal como o fez no 1.º de Agosto, no Sagrada Esperança e no Santos FC, exigiu condições, trabalhou e venceu com toda a transparência. Agora Mário Calado prefere dizer que está a desenvolver um trabalho de observação dos atletas que tinha (e tem ainda) à sua disposição para daí seleccionar os (possíveis) melhores do augurado plantel ganhador.

Julgo que, por causa disso, os dirigentes, sócios e adeptos perceberam esta posição do treinador, porque em boa verdade Mário Calado tinha (e tem mesmo) de desenvolver com muita calma e cuidado o seu trabalho, operar as dispensas e, no fim, ter apenas, como disse publicamente, um grupo de 25 jogadores.

Digamos que o treinador não estava desta forma a esconder nada, até mesmo à imprensa Mário Calado falava alto e em bom som dos seus projectos.
Quando o seu antecessor Lúcio Antunes aviou as malas e regressou à sua terra, ouviu-se por exemplo Mário Calado a fazer o reparo: “Denotei alguma lentidão na mobilidade de certos atletas. Ainda assim, pude encarar com alguma satisfação a coesão da equipa, vamos continuar a trabalhar e procurar onde acharmos necessário”.

O que agora intriga alguns adeptos é o facto de, a determinada altura fechar as portas dos treinos aos mesmos e à imprensa. Dir-se-ia, por esta razão, que Mário Calado, que sempre falou alto e em bom som, remeteu-se ao silêncio, tanto nos treinos efectuados em Luanda, no Brasil e de novo nestes dias em Luanda.

Devido a esta atitude, por causa dessa filosofia de trabalhos, aos adeptos só restava então aguardar que o Progresso Associação Sambizanga se estreasse com o pé direito, como se diz, a fim de, também como se diz... “tirar a prova dos nove”. Só que a grande verdade veio ao de cima: derrota de 2-0 diante do Progresso do Sambukila da Lunda Sul.

Pode assim Mário Calado arranjar desculpa para esta primeira surpresa quando as pessoas que, passe a expressão, morrem de amores pelo Progresso esperavam que das estratégias à porta fechada saísse um plantel e um fio de jogo para uma primeira vitória?

Mário Calado respondeu assim a uma pergunta no final do desafio: “Fizemos tudo para melhorar a nossa prestação durante o jogo, mas mesmo assim claudicámos nos minutos decisivos e quando assim acontece torna-se difícil atingir os objectivos preconizados”. Então aqui e agora pergunta-se: é trabalhar à porta fechada que as equipas ganham jogos?
A.F

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