Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing de alma e corao mas de mos estendidas!

26 de Novembro, 2018
Este é o diagnóstico real e actual, que melhor define o estado em que se encontra o marketing desportivo em Angola. Uma constatação feita no pretérito dia 23 de Janeiro do ano em curso, quando na sede do Interclube de Angola, cuja morada está domiciliada no bairro Rocha Pinto, decorreu um simpósio, onde os temas em discussão giraram a volta da “Rentabilização do desporto em tempo de crise” e a “Importância do marketing no desporto”, evento no qual tive a honra de ser tanto o mestre-de-cerimónias, bem como o moderador.
No final do tão debatido simpósio, vários pensamentos passaram pela minha cabeça, entre os quais um daqueles desabafos grosseiros, que se escrevesse de forma telegráfica e com letras maiúsculas neste instante, arriscaria, na próxima segunda-feira, ter provavelmente este espaço suspenso pela direcção deste jornal, que tem prestado um grande serviço público ao país e correria o risco de ter sobre os meus ombros um daqueles processos civis ou criminais, que certamente acabariam na Procuradoria Geral da República (PGR), a instituição que, neste momento em Angola, me faz lembrar a melancólica frase: “enquanto muitos vão chorar, outros tem que estar preparados para vender os lenços”.
Mas falemos mesmo dos resultados e das conclusões saídas do referido simpósio, que é o “menu” do artigo de hoje. A primeira constatação feita antes, durante e no final do evento é que temos direcções de marketing desportivo em Angola enfermadas de muitas insuficiências e fragilidades organizativas, estruturais e de planos de acção e de actuação, devido ao facto de estarem umas vezes com as mãos atadas, e outras vezes com as mãos bem enfiadas nos bolsos!
Vou explicar melhor. Se por um lado, os directores de marketing dos clubes presentes no encontro, afirmaram que não conseguem desenvolver em pleno as suas actividades profissionais, por falta de cabimentação orçamental e uma maior sensibilidade e solidariedade por parte dos presidentes dos clubes e federações, sobre a importância e benefícios do marketing para a imagem e comunicação das agremiações desportivas junto dos seus respectivos públicos-alvo e “stakeholders”, por outro lado ficou claro que o marketing desportivo em Angola é subaproveitado, porque muitos directores de marketing da maioria dos clubes no país passam boa parte do tempo a atirar areia aos olhos dos seus dirigentes, teimando em errar ou pior ainda, fingindo que passam boa parte do tempo fechados nos seus gabinetes, planificando de maneira delineada e definida uma estratégia de marketing, quando nem sequer tem uma simples e básica noção do que se trata!
Por que razão? Porque olham para o marketing como uma ferramenta para “encher o saco já muito cheio” de necessidades que os clubes têm, ao invés de ser uma “arma secreta”, para obter oportunidades vantajosas em termos de parcerias e patrocínios, bem como para angariar mais sócios para as agremiações desportivas. Na verdade, a dúvida que se levantou e se mantêm até este momento que escrevo este artigo, é se temos mesmo nos departamentos de marketing dos clubes nacionais, pessoas certas nos lugares errados, ou pessoas erradas nos lugares certos!
Eu e boa parte dos presentes no evento, ficamos bem esclarecidos, sobre as reais razões pouco ou muito (des)conhecidas do porquê que o marketing desportivo em Angola, ainda não ter um mercado com capacidade de adoptar, gerir e atrair a confiança dos patrocinadores. É pelo facto de ocorrerem sistemática e propositadamente estrangulamentos, imprecisões nos mecanismos de controlo e nas condições de funcionamento dos clubes, porque os referidos departamentos de marketing nem sequer fazem o mínimo esforço, para realizarem um estudo de mercado ou sondagem de opinião, para terem uma noção do potencial de sócios que poderiam conquistar, bem como para definir linhas de acção que os levariam a ter sócios que se sentissem estimulados e acarinhados para pagar as suas quotas, independentemente das condicionantes financeiras, sociais, geográficas e outras que possam ocorrer. Além disso, foi comungado entre todos os participantes, de que existe em muitos clubes do país a ausência e gritante falta de responsabilização dentro das estruturas administrativas dos mesmos.
Pois se o que me sussurram aos ouvidos em jeito de confidência é verdade, então gostaria de ser eternamente surdo para jamais ouvir. Como é possível um funcionário de um clube usar a sua conta bancária pessoal, para fazer as movimentações e pagamentos em nome de um clube?
Porém, no final do concorrido simpósio para o gáudio dos presentes, chegou-se a várias conclusões que geraram um elevado e aceitável grau de unanimidade, sendo que entre elas destaco a seguinte:
- Como paulatinamente o Estado angolano vai deixar de servir o “matabicho”, almoço, lanche e o jantar de forma gratuita ao desporto nacional, urge agora os departamentos de marketing traçar as estratégias cada vez mais arrojadas, para melhor exploração e aproveitamento do marketing para a obtenção de recursos financeiros para as agremiações desportivas.

*Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos Santos *

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