Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing como ferramenta promotora da marca Angola!

02 de Outubro, 2017
Sempre que procuro trazer esse assunto para abordagem e reflexão, as perguntas que me fazem com frequência, dizem que as respostas para as mesmas, “valem um milhão de dólares”, são:
Então o que fazer e como fazer?

Há certos países, que imediatamente nos evocam certos atributos, assim que ouvimos falar deles. No meu caso pessoal, quando penso no Quénia, penso em atributos como garra, velocidade e resistência. Quando penso na África do Sul, vem-me à mente o exotismo e a simpatia que caracteriza aquele povo. Quando penso nas Ilhas Maurícias, penso em robustez. Quando penso no Botswana, penso no apego e no valor que dão à tradição; Quando penso na Eritreia, penso no povo mais triste do mundo. Quando penso no Peru, penso em espiritualidade.
E, quando penso em Angola?

Ocorrem-me muitas coisas, uma vez que vivo imerso na nossa cultura, por isso, é difícil escolher o que melhor nos define. No entanto, quando falo com pessoas de fora, aquilo que maiori¬tariamente me referem, é que Angola é um país com uma cultura bastante enraizada no desporto.
Claro, que a minha amostra pertence, es¬sencialmente, além do mundo do desporto, pelo que pode estar enviesada no que se refere à escolha da característica que melhor nos defi¬ne.

Essa análise não deixa de dar que pensar!
Aliás, vale lembrar também de que esta, foi a real intenção expressa pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, quando à dada altura afirmou que no contexto africano, queremos afirmar-nos como um país do desporto.
Pois, de forma sucinta, ela é reveladora de um aspecto, de um detalhe que na minha opinião, reflecte bem aquilo que é o nosso, déjà vu:
Angola é um mercado, não do futuro, mas com futuro, dado as inúmeras oportunidades de negócios, com um mercado de consumo relevante e com muito potencial!

Ao longo dos últimos anos, verificamos grandes eventos e exibições a nível desportivos, a elevarem o nome do nosso país para patamares de mediatismo e de notoriedade reconhecidos, o que sem dúvida deviam ser preponderantes no fortalecimento da “marca” Angola para o exterior, em sectores relevantes como é o caso do turismo.
É inegável, pois, que o turismo é detentor de uma preponderância inquestionável, coloca em funcionamento diversos motores da economia a nível nacional, regional e local.

Este atributo essencial de um país, pro¬duto ou serviço, é aquilo que os marketeers designam por posicionamento. O posiciona¬mento refere-se à forma como o consumidor \"define\", no seu mapa mental determinado produto e/ou serviço, relativamente a um atri-buto. Claro está, que um produto/serviço pode ter vários atributos, mais ou menos valoriza¬dos pelo consumidor. Saber quais são, e quais os que o consumidor mais valoriza, é uma das missões da investigação em marketing.

E, talvez isso, essa investigação fosse uma das coisas que devia ser feita, relati¬vamente à “marca” Angola. Identificar o que mais exportamos (ou que temos potencial para), saber que atributo comum (que os clientes actuais ou potenciais valorizam) se pode associar a esses produtos e serviços, e desenhar uma política de comunicação que enfatize esse atributo, por um lado, e uma política de certificação que induza à existên¬cia do mesmo nessas classes de produtos/serviços, por outro.

Porém, estou certo de que o atributo “Angola país com uma cultura bastante enraizada no desporto”, não é o atributo que \"vende\".
Mas era bom que se estudasse, e se trabalhasse nele, para que com os poucos recursos que o País ainda tem para gastar no desporto, se pudesse logo a seguir focar bem a comunicação, para que ela seja eficaz. Como as pessoas da comunicação bem sabem, quanto menos coisas comunicar¬mos mais vezes, mais elas são recordadas.

Temos a competência e a capacidade para fa¬zer as coisas - sabemos fazer bem, e temos o enquadramento adequado: abertu¬ra ao mundo, espírito acolhedor e solidário, o engenho e a proactividade (\"desenrascamos\" problemas, onde outros ficam sem iniciati¬va...), só nos falta... Acreditar! - Querer é Poder! Então - mãos à obra!!!
*Mentor e gestor executivo do Fórum Marketing Desportivo.

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