Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing de cabea feita ou de cabea cheia?

08 de Outubro, 2018
Sempre defendi, que marketing é marketing, não importa a área de actuação estratégica, seja política, empresarial, desportiva ou qualquer outra, porque na essência e na génese, o marketing existe para resolver problemas e trazer soluções.
Partindo desse enfoque, é preciso ter em mente que nenhuma empresa será próspera se não tiver um produto de qualidade acessível para oferecer ao mercado. No caso do desporto, essa verdade é ainda mais absoluta, mesmo com o viés da emoção, da paixão, da adrenalina, como factores determinantes para a concepção das estratégias desenhadas.
Porém, é preciso reconhecer, definitivamente, qualquer que seja a equipa de futebol, de basquetebol, ou de andebol, em termos de marketing, nunca devem ser vistas como bancos comerciais, cujo objectivo único é o acúmulo de recursos financeiros.
Ao invés disso, a leitura deve ser feita de maneira contrária: recursos financeiros devem servir os clubes, para montarem as melhores equipas e conquistarem vitórias e títulos, garantia \"sine qua non\" para aumentar o market share, não apenas de espaço e captação de recursos, mas na mente do público e no coração dos adeptos.
Isto, é a base para a expansão do número de sócios e adeptos, principalmente, ao público-alvo mais jovem, a prospecção da marca, a conquista de espaços na media, e respectivamente, de patrocínios e inúmeros negócios.
Soma-se á isso, o apoio das acções de marketing, como modelo de captação de recursos, passaremos a dar-lhe o lugar que verdadeiramente deve representar na estratégia e no salto qualitativo que os clubes precisam de dar, para saírem do ostracismo e ganharem mercado e fatias antes inimagináveis.
O primeiro passo para esta mudança, é justamente começar a olhar o futebol, o basquetebol, ou no caso o andebol angolano, a modalidade que entre nós, pelos vistos, não enfrenta tantos problemas como as anteriores mencionadas, como um negócio com imenso potencial de consumo.
Caro leitor, pense comigo e bem: que outro mercado, em todo o planeta terra, possui um consumidor tão fiel, que não troca de marca durante a vida inteira?
Ao contrário do que ocorre no mercado empresarial, e cada vez mais no sector político, o adepto, o sócio de um clube de futebol, não muda a cor da camisola, só porque o seu clube de coração desceu de divisão, ou não conseguiu ganhar o campeonato, porque o árbitro validou um golo, que no mundo dos imperfeitos e imortais foi o único que teve olhos de “deus” para ver, porque, mas ninguém viu.
O adepto pode deixar de beber e comer durante alguns dias, poder chorar que nem uma criança, mas como se diz, se “nasceu” Petro de Luanda, ou 1º de Agosto, “morre” adepto tricolor ou rubro -negro.
No mercado convencional, as empresas cada vez maisse preocupam em desenvolver estratégias, que possibilitem um maior índice de fidelidade aos clientes, o que nem sempre é alcançado com sucesso, dada a polaridade do consumidor, no seu jeito de satisfação, de preferência, e interesse para com os serviços e produtos oferecidos que estão em permanente mudança!
No desporto, essa perspectiva é vista de forma totalmente diferente.
Mas quem deve, profissionalmente, trabalhar nessa perspectiva?
O compadre ou afilhado do (amigo) da barriga cheia, que só lá trabalha para ageitar as unhas e andar de um lado para o outro a fazer sei lá o quê, ou filho do \"Pepé\" que mesmo não teve a sorte de ir para a escola de sapatos nos pés e pão no estômago, é um individuo formado, com competência e qualidade provadas, é muitas vezes ignorado ou maltratado, pelo simples facto de ter a pouca sorte de não ser conhecido o seu padrinho na cozinha?
Com marketing e com quem faz marketing de forma séria e profissional não se brinca! Mas como se diz, Deus é pai e não padrasto!
Zongo Fernando Santos*

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