Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing desportivo movimenta 1% do PIB

04 de Junho, 2018
Sociólogos, gestores empresariais e líderes de negócios de todo o mundo consideram o desporto um dos fenómenos mais importantes do século XX.
Hoje, o seu significado vai além de uma simples actividade física. Muitos o enxergam como uma das maiores indústrias de entretenimento do mundo que, a par do cinema, da música, do teatro, do turismo, do lazer e tantas outras formas de diversão, que geram emoção e paixão, vêm gerando lucros fabulosos e receitas astronómicas.
Visto e considerado como produto, o desporto tem um mercado - a chamada indústria desportiva - e dele exige-se uma série de acções bem planejadas, bem elaboradas estratégica e, tacticamente, de forma profissionalmente, apurada, para a promoção, comunicação e comercialização dos seus principais activos.
Para se ter uma ideia da grandeza dessa indústria, as marcas ligadas directa e indirectamente ao desporto movimentam desde 2014, ano em que ocorreu o Mundial de futebol no Brasil, mais de 700 bilhões de dólares por ano, números representam cerca de 1% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo dados revelados recentemente por Gavin Llewellyn, presidente da comissão de propriedade intelectual da União Internacional de Advogados, durante um congresso realizado na Espanha, que reuniu mais de mil advogados, de 80 países, onde se deu grande destaque, na relação positiva entre marcas, desporto e marketing.
Se por um lado o desporto vai se tornando um produto cada vez mais atractivo para as massas, capaz de gerar receitas para si próprio, por outro lado, para o desporto continuar a ser encarado como um produto atractivo para quaisquer tipo de consumidor, adepto ou patrocinador, ele precisa do marketing desportivo para continuar a gerar mais e mais receitas para a indústria desportiva.
Tenho dito algumas vezes a brincar e outras tantas vezes de forma bem séria que, se hoje o desporto \"é uma espécie de um corpo, com cabeça e tronco para sustentar e manter boa parte dos negócios feitos em todo o mundo, então o marketing no desporto ou através do desporto são os membros inferiores e superiores que permitem a sua mobilidade e actuação um pouco pelo mundo inteiro\"!
A título de exemplo, o Real Madrid tem um trabalho consistente de ampliação da marca no mundo inteiro. Mas isso não significa que depois de ver um jogo, em que a equipa do Real Madrid venceu, eu tenha de ir às ruas comemorar a vitória com a bandeira na mão e o hino do clube na ponta da língua. Na realidade, o clube madrileno não vai proporcionar um dia a dia de vivência em Angola, já que está presente na Espanha, muito longe daqui.
Na realidade, a pessoa vê o jogo do Real Madrid muito mais pelo espectáculo da qualidade que é exibido do que pela paixão que nutre pela equipa.
O potencial de paixão que os clubes angolanos têm estão bem delineados e delimitados em todo espaço geográfico nacional e é muito maior que os clubes europeus e não se pode perder essa perspectiva.
O Real Madrid pode competir pela atenção em Angola, mas a paixão que os angolanos tem pelo 1º de Agosto, Petro de Luanda, Inter Clube, Sagrada Esperança e Asa, é um património nosso e tem de ser explorado e rentabilizado por quem investe e por quem busca retorno através do marketing desportivo.
O problema, cá entre nós, é que continuamos a ter preferência para assistir à missa até ao meio, para depois sair comungado, apesar de vermos o marketing desportivo em constante crescimento e ganhando consequente uma fatia maior no mercado, quer seja o nacional, o regional, o continental e o mundial.
Porque não existi uma visão, por quem de direito superintende o desporto nacional no país, de que o desporto pode auxiliar, e muito, as empresas e a marcas a terem uma relação mais próxima com o consumidor, proporcionando-o até mesmo a interacção com os seus produtos e serviços, levando-os a fidelização.
*Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos Santos*

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