Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing desportivo: Mudar para Melhorar

08 de Maio, 2017
Ouvir Joana Lina, Primeira-Vice Presidente da Assembleia Nacional, falar sem \"enrolar a língua\", durante a abertura do workshop com o tema: \" Novas formas de financiamento para o desporto nacional”, ocorrido na Assembleia Nacional, em meados do ano passado, sobre as limitações do Estado e do Executivo em continuar a apoiar ou subsidiar o desporto nacional, num momento que o país passa por graves dificuldades económicas e financeiras, explica o muito e tudo, de como as coisas mudaram e de como continuarão a mudar!

No referido encontro onde, marcaram presença em peso, figuras de proa do desporto nacional, Joana Lina, que por ironia do destino desempenhava na altura, o cargo de Presidente da Mesa da Assembleia geral do Porcelana Futebol Clube do Cuanza-Norte, equipa que na altura quase desistia do girabola por falta de dinheiro, tratou de deixar um sério aviso à navegação, quanto a continuar a alimentar a ideia de que o Executivo continuaria a ser “ o todo-poderoso e omnipresente”, no que se refere ao modelo de suporte financeiro para o Desporto Nacional. \"

Durante muitos anos, os agentes desportivos no nosso país, foram beneficiando de um maior apoio que o Estado e o Executivo prestavam ao Desporto Nacional. Contudo este modelo de financiamento tornou-se um subsídio dependente,cujas consequências em tempos de crise, são por demais evidentes e conhecidas, estando o Estado limitado face aos poucos recursos financeiros de que dispõe\", sublinhou a deputada.

\"Somos todos chamados a reflectir sobre a maximização no âmbito do fomento e da busca de alternativas, para o financiamento do Desporto”, concluiu a deputada em tom de ampla mobilização, para uma área social que muitos ganhos festivos já deram ao país.

Chegados aqui, a pergunta para “um milhão de respostas\" é:De lá para cá, têm-se os agentes e gestores desportivos mobilizadoe, em termos de iniciativas e acções que trouxessem impacto na busca de outras fontes de financiamento para o Desporto nacional?

Se por um lado assiste-se por parte dos agentes e gestores desportivos um espírito e estado de completa hibernação e passividade, tudo porque só aprenderam a viver à \"sombra do Estado\" para poderem contornar todo e qualquer problema, por outro vêem-se assistindo um amplo e crescente movimento, que procura mostrar que os novos tempos que o país atravessa exigem outra resposta e impõe de todos nós que de uma ou de certa maneira sentimos alguma afinidade com o desporto, outra atitude e postura.

Os fóruns Marketing Desportivo, projecto que orgulhosa e humildemente idealizei e lidero, na qual já foram realizadas duas edições, ambas em 2016, tem sido uma verdadeira tribuna em apresentar o Desporto como ferramenta para gerar negócios e fomentar sua respectiva actividade empresarial.
A terceira edição do fórum a ocorrer ainda este ano, vai ser uma \"verdadeira revolução\" a julgar pelo leque de convidados, que estamos mobilizando para marcarem presença.

Tudo realizado com dinheiros próprios, sem nunca em momento algum termos andado com as mãos estendidas, a busca do apoio do Estado! Contudo, permitam-me que de forma sintetizada, fixe a minha restante abordagem do artigo no IIº fórum, realizado em Outubro de 2016, numa das unidades hoteleiras da capital.

Porque, foi um evento que proporcionou uma sólida afirmação e interesse de certa forma feliz por parte das empresas que marcaram presença (ENSA, GLOBAL SEGUROS,ZAP, como patrocinadores do evento, UNIVERSAL SEGUROS, TAAG, PROTEJJA SEGUROS, BIC, BFA, BMA,ID-ANGOLA entre outras) mas infeliz por parte dos clubes, associações e federações que apesar de convidadas, marcaram presença de forma residual! Foi notável ver como as referidas empresas, de forma articulada procuravam trocar e aprofundar experiências relacionadas com o marketing desportivo, como contributo para o incremento dos seus negócios e de aumento da sua carteira de clientes, clamando sobretudo para uma mudança completa de hábitos na sua estrutura, solicitando que a mesma seja mais transparente, mais séria, profissionalizante e organizada.

Agora pergunto, eu: Será o Marketing Desportivo capaz de mudar, o descalabro e a iliteracia da gestão desportiva nacional, sua \"MANCHA\" registada nos últimos anos, assegurando a sua melhoria?
Qual será a relevância do Marketing para a dinamização empresarial no seio do desporto nacional, a bem da economia do país e para toda a sociedade em geral?
Mais do que fazermos futurologia, juntem-se a nós e realizemos o terceiro fórum Marketing Desportivo. Aguardo por si!


Nzongo Bernardo dos Santos
* Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo

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