Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing desportivo no vai morrer amanh!

20 de Agosto, 2018
Sempre que “olho para o retrovisor”, com intuito de perceber o que têm andando a planejar estrategicamente os responsáveis de comunicação, imagem e marketing, pelas principais competições do desporto nacional, cujos \"naming`s\" estão sob o rótulo de duas grandes marcas nacionais, nomeadamente o UNITEL-BASKET, e o GIRABOLA-ZAP, fico, como se diz na gíria, a \"banzelar” nas palavras escritas pelo filósofo holandês Spinoza: \"Procuro- me esforçar, para não rir das acções humanas, nem chorar por elas, e tampouco odiá-las, mas procurar no mínimo compreendê-las\".
É com essa convicção que fico, quando me apercebo de que há um enorme vácuo, no que diz respeito há percepção, que é tão pouco clara ou vaga sobre o caminho, o destino, e o ponto de chegada que se quer dar a estas competições, em termos de marketing desportivo aplicados a nossa realidade. Mas, afinal, qual será o problema? Para já, em teoria, só podem estar a ocorrer duas situações.
Por um lado, suponho que seja uma questão de prioridade das prioridades, por parte dos profissionais de marketing das marcas UNITEL e ZAP, porque, quanto sabemos, os responsáveis de marketing destas e de outras marcas que existem um pouco por todo o país, vivem o seu dia-a-dia muito concentrados e absortos em resolver os problemas de ordem logística e administrativa, o que não é inteiramente tarefas de suas competências, não lhe restando sequer tempo suficiente, para desenvolver uma planificação consistente e sólida, que abarque e incorpore as várias dimensões do marketing desportivo.
Por outro lado, suponho ainda que os responsáveis de marketing, quer da UNITEL, como da ZAP, se têm deparado com uma síndrome, que eu já passei e senti na pele e no osso, que é uma resistência “esquizofrénica”, em termos de mudança de mentalidade, por parte dos principais responsáveis das federações desportivas, e de alguns clubes com os quais têm acordado aspectos comerciais dos respectivos contratos que, (in) felizmente, não são publicamente conhecidos!
Para mim, sem desprimor da primeira, a última hipótese parece-me inverosímil, por razões “especiais”.
Se é tão verdade, o facto de termos dirigentes desportivos, que devem ser os únicos no mundo inteiro, que gostam de ver fantasmas, onde eles não existem, quando o assunto é dinheiro e prestação de contas, tão pouco é tudo menos mentira, já ter ouvido centenas vezes, pessoas afirmarem que os ditos interesses empresariais e desportivos, são sempre incompatíveis, isto é, não existe pensamento único, tampouco consentimento mútuo entre ambos, porque os interesses empresariais sobrepõe-se aos interesses desportivos, colocando muitas vezes em causa a verdade desportiva.
Porém, os resultados provam que o se diz por aí além, não passam de meros e simples chavões, porque o maior problema não é serem incompatíveis, mais sim não estarem sintonizados.
Enquanto as marcas procuram OPORTUNIDADES, através da sua inserção no desporto, as federações e clubes “choram” por NECESSIDADES, algumas das quais, diga-se em abono da verdade, bizarras, como falta de papel, de esferográfica, de grampos para agrafar documentos, e etc.!
E nestas coisas, não há marca, mesmo a minimamente mais “cara de pau” deste mundo, que aceita colocar a sua logomarca numa competição, que só vale o que vale no mundo da fantasia da Alice.
Porque as marcas pensam em fazer a diferença, num tipo de desporto dinâmico e não em competições que se deixam levar a “reboque” pelos acontecimentos, como são os casos do UNITEL-BASKET e do GIRABOLA-ZAP!
Creio que, com o início da nova temporada do Girabola Zap e do Unitel – Basket ou de qualquer prova de vulto, a nível do desporto nacional, os patrocinadores exclusivos, as federações, e os principais clubes repensem as suas decisões e criem o seu próprio “legado” no desporto, como forma de entretenimento e negócio sustentável.
Zongo Fernando dos santos*

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