Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing Desportivo: Paixo e Dinheiro!

18 de Setembro, 2017
O matemático e físico francês Blaise Pascal disse, certa vez, que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Assim é o marketing desportivo, com muitas razões, mas aparentemente sem razão nenhuma.Senão vejamos:O desporto é um dos maiores, senão o maior fenómeno sociológico de ponto de encontro de massas, enraizado na cultura e no estilo da vida nacional de um país, pois, movimenta claramente mais gente, mais paixões, mais emoções, mais discussões e controvérsias, ao mesmo tempo que permite a integração entre pessoas, une diferentes classes socias em torno de um mesmo objectivo, ou seja, as pessoas têm acesso ao referido fenómeno, independentemente, da sua situação financeira, credo religioso, cor da pele, filiação ou origem.

E, em nossos dias, o desporto faz “estrada”, torna-se cada vez mais transversal do ponto de vista dos públicos envolvidos e de “consumo” colectivo, por causa dos “suspeitos do costume”, a internet e as redes sociais.E, é claro e óbvio, que as principais e grandes marcas empresariais deram-se conta de tais factores exogéneos e endógenos, que gravitam àvolta deste fenómeno, e perceberam que precisavam muito de estar no desporto para partilhar as histórias que a prática desportiva tem para contar, desde as vitórias, os momentos de glória, o envolvimento emocional, e sobretudo, comungar o espírito que lhe está adjacente: o desafio, a superação, o esforço, a conquista.

E, os resultados estão aí, à vista de todos. Estudos recentemente publicados, demonstram inequivocamente que o desporto movimenta bilhões de dólares por ano, é já considerada a indústria que mais cresce na economia mundial.Não foi por acaso, embora com uma certa “pitada” de brincadeira, que um renomado economista afirmou que se o desporto fosse uma nação, podia fazer parte das 20 maiores economias do mundo, e que para o efeito podia fazer parte das reuniões anuais do G20!E, qual é a “varinha mágica” que está por frente e por detrás de todas essas fabulosas e extraordinárias receitas, bem altas movimentações financeiras?

Claro!!! O MARKETING DESPORTIVO!!!
Porém, um ponto prévio: O marketing não gere um clube ao nível desportivo, os jogos ganham-se dentro do campo, mas é fora do campo que está o campeonato das emoções, ou seja, o activo mais valioso gerado em torno deste fenómeno chamado desporto, pelo que ajuda muito em termos de grande visibilidade, de muito conteúdo e de uma maior abrangência em termos de audiência.Além disso, o marketing desportivo possibilita que investimentos avultados,feitos praticamente em toda a cadeia produtiva, sobretudo, em áreas como vestuário, alimentação e turismo (principalmente devido as competições) gerem impactos, para gáudio das multidões com retornos financeiros fantasiosos, mas sempre sonantes.

O marketing desportivo, não é apenas tão importante, por causa das características apresentadas acima.No plano de marketing de cada modalidade, está a sua própria “carta de alforria”, que lhe permite soltar-se da dependência do dinheiro público, e ser sustentável e próspera.

Isto, não quer dizer, obviamente, que o Estado não tenha a obrigação de financiar o desporto – tem com certeza, na medida em que este é parte integrante da formação essencial do cidadão – agora, se existir independência financeira, ao ponto do financiamento público ser complementar e não exclusivo, este pode ser um condutor de novas oportunidades e fazer com que os resultados sejam possíveis de alcançar com maior facilidade.

No caso de Angola, precisamos de continuar a criar momentos como o que atravessamos, de grande dinamismo na comunicação e no marketing, a fim de fortalecer e enriquecer o nosso mercado, quer em volume, quer na criatividade, pelo facto de termos um mercado mal explorado, totalmente a “céu aberto”.

Os nossos agentes desportivos, atletas, Associações, Federações, têm de interiorizar que para além das condições necessárias à prática desportiva, cada modalidade, cada clube e cada atleta, precisa de ter um plano de marketing próprio, que permita mostrar a sua identidade e o seu valor, que o faça ser notado, disputado, negociado, integrado e adoptado, por marcas potencialmente patrocinadoras.
*MENTOR E GESTOR EXECUTIVO DO FÓRUM MARKETING DESPORTIVO. Nzongo Bernardo dos Santos

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