Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Marketing na passada, sem acertar o passo!

14 de Janeiro, 2019
O marketing desportivo em Angola não é ainda tão eficaz e nem tem sido eficiente, porque nós, os profissionais de marketing desportivo, não temos sido capazes de acompanhar literalmente os passos que nos últimos anos ocorre no intenso e dinâmico mundo do desporto. Mesmo na passada, fica-se com a impressão de que o marketing desportivo trabalhado em Angola é gerido por profissionais que ao mesmo tempo são amadores!
Como também, temos uns tantos “ditos” profissionais de marketing desportivo que ainda não desceram do pedestal, pois continuam sentados em poltronas esplendidamente confortáveis, todos bem pagos e comodamente sentados nos seus climatizados gabinetes, e muito provavelmente escondidos cinicamente no silêncio, com seus fatos e gravatas, ao mesmo tempo que o marketing e as novas tecnologias dão um maior poder de escolha e de opções ao consumidor do desporto, que é cada vez mais emocional quanto exigente.
Porém, como recorrentemente tenho defendido, já fico em “certa medida” feliz em ver clubes e federações desportivos com departamentos de marketing criados, como são os casos do Petro de Luanda, 1º de Agosto, Inter Clube de Angola, Desportivo da Huíla, Federação Angolana de Futebol, Federação Angolana de Basquetebol e a Federação Angolana de Andebol, só para citar esses.
Caro leitor, se notou, no parágrafo anterior, coloquei entre aspas a expressão certa medida, de forma intencional e propositada, e explico porquê.
É que os departamentos de marketing criados pelos clubes e federações desportivos não estão dotados profissionalmente de métodos e recursos, que possam alavancar qualitativa e quantitativamente as referidas estruturas.
E quando faço referência à palavra alavancar, não estou a falar necessariamente de ter dinheiro para que os projectos saiam do papel, mas de ter produtos para vender e serviços para oferecer.
Os departamentos de marketing dos nossos clubes e federações desportivos apresentam défices na sua componente funcional e de execução, não se antecipando, não preparando os cenários.
Exemplo recente disso, foram os encontros mantidos em separado pelo \\\"dono da bola\\\" do marketing da FAF, Daniel Mendes, com órgãos da comunicação social e com gestores dos principais clubes do Girabola, com intuito de se encontrar formas, estratégias e acções para motivar o público a ir aos estádios.
No final do referido encontro, Daniel Mendes, director de marketing e comunicação da FAF, deixou bem sublinhado que, apesar da atracção dos adeptos aos estádios depender principalmente da qualidade competitiva das equipas, a estreita cooperação dos profissionais da comunicação social com a FAF poderá possibilitar a concretização dos propósitos de todas as partes e de todo o país.
Não discordo de tal posicionamento, mas não entendo que esta seja uma estratégia assertiva para quem “domina bem a bola” do marketing desportivo. Porque este é um posicionamento que acaba por complicar em vez de facilitar aquilo que é a premissa do marketing desportivo exercido hoje: que é o de colocar o público como o CENTRO DA ACÇÃO do marketing desportivo e não como um ACTOR OU AGENTE catalisador do marketing desportivo.
Deixou de estar na moda pedir ao público que venham para os estádios para durante duas hortas assistirem aos jogos dos Palancas Negras, para em seguida desaparecerem durante três meses, para no quarto mês serem novamente chamados a irem para os estádios.
É necessário procurar \\\"passar o dia \\\" com este público, envolvê-los, ouvi-los, encantá-los, cativá-los, surpreendê-los. E nem devia ser necessário dizer que essa é a génese, a essência do marketing desportivo, que tem como linha \\\"ideológica\\\", o lema: LOVE THE CUSTOMER, NOT THE SPORT EVENT.
É preciso gerar SINTONIA e APROXIMAÇÃO para que o público fique empolgado para ir aos estádios, mesmo sabendo que, se as palancas negras ganharem ou perderem, o público sairá dos estádios com a sensação clara de que eles pertencem às palancas negras.
O antídoto para que os nossos directores de marketing deixem de dar passadas ao mesmo tempo que \\\"des\\\"conseguem acertar o passo, passa pela formação académica contínua e pelo aperfeiçoamento constante das suas competências técnicas e profissionais especializadas, dando ênfase a forte componente intelectual e psicológica, porque está mais do que comprovado de que a teoria sem prática é vazia e a prática sem teoria é bruta.
E mais, quando nos deparamos com uma situação em que o gestor ou profissional de marketing desportivo não sabe bem o que vai fazer ou não tem nada a fazer para atrair como isca o público para os estádios de futebol, então é porque não tem uma estratégia.
Não canso de repetir de que sou bem fã e tiro o chapéu aos profissionais de marketing desportivo que nos clubes ou federações, onde exercem as suas actividades laborais, conseguem (?) definir políticas, programas, projectos sem que os mesmos tenham como ponto de partida e de chegada o público amante do desporto!

ZONGO FERNANDO DOS SANTOS *
*Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo

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