Jornal dos Desportos

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Opinio

Marketing no Unitel -Basket: Ngonhar Ngonhar!

09 de Abril, 2018
O Unitel -Basket, principal competição de basquetebol masculino em Angola, anda totalmente desencontrado dos objectivos assumidos, via contrato feito entre a Unitel, principal e maior operadora de telefonia móvel do país, e a Federação Angolana de Basquetebol.
Em meu entender, há qualquer coisa nesta “relação que devia juntar a fome, com a vontade de comer”, e não está a funcionar.
Ou melhor, até está funcionar, mas ao contrário.Até, estamos diante ou em presença de uma situação paralela, ao invés de uma situação perpendicular.
(Entenda-se, como paralela, as rectas distintas de um plano que não tem um ponto em comum, ou seja, jamais se encontram. A perpendicular, são rectas distintas que se cruzam num determinado ponto).
Em teoria, o que ficou acordado na altura em que foi apresentado publicamente, com pompa e circunstâncias, a promissora parceria entre as duas instituições, válida por dois anos, a custar por ano o equivalente em kwanzas a 500 mil dólares norte-americanos, sem inclusão nestas contas do pagamento aos árbitros e outras despesas correntes, a serem assumidas pelo patrocinador, o que perfaz segundo cálculos elaborados por fonte próxima da entidade que superintende o basquetebol nacional, um total de aproximadamente quatro milhões de dólares, a Unitel deixava a sua marca “registada” durante os jogos do campeonato, através de inovações, como trazer muita animação e entretenimento, transporte gratuito, aplicativos nos telefones para mais de 10 milhões de usuários, material de “merchandising”, publicitar e comunicar a competição com acutilância em jornais, revistas, rádios e televisões, e a Federação Angolana de Basquetebol fica com a tarefa de colocar o basquetebol onde merece, isto é, no coração de todos os angolanos que traduzido em “miúdos”, significa encher os pavilhões de público, durante os jogos.Entretanto, o que se vê na prática leva muitas vezes a questionar, se o que aprendi ou me foi ensinado sobre marketing em Angola, não é para ser aplicado em Angola, ou então, Angola não é país para se fazer marketing!
Como é recorrente dizer-se, arranjar azar não custa, trago à baila as declarações proferidas à imprensa pelo conceituado “coach” do Interclube, Manuel Sousa Necas, que na antevisão de um jogo de capital importância para o seu clube, sem papas na língua atirou: “Vamos jogar num campo que está sempre às moscas.
O que fazer? Temos de cumprir calendário. Vamos para lá jogar, em presença das moscas!”A pergunta que se põe, é se área de marketing da Federação Angolana de Basquetebol, ou mesmo a sua direcção, nunca foram informados que um campeonato desportivo profissional de primeiro escalão é considerado uma forte componente de espectáculo desportivo, que possui um tremendo impacto mediático que tende a atrair espectadores para o referido evento, aumenta assim a tendência para o aumento das fontes de receita para as organizações desportivas?
Quanto à Unitel, ninguém na instituição de referência no país e além-fronteiras, particularmente a sua área de marketing se dá conta que hoje, já não se investe, ou como normalmente se diz que já não se aposta no desporto, para exposição “estética” de uma marca? Hoje, o desporto é visto como uma extensão de indústria de entretenimento, o que resulta num relacionamento diferente entre o espectador e os eventos desportivos, passa para o efeito a figura do adepto a ser substituído pela pessoa chamada consumidor?
Ainda, sobre a Unitel, e na área de influência de marketing que seguramente está melhor em sentido profissional e estruturado que a Federação Angolana de Basquetebol, será que percebem em primeira instância que o campeonato nacional sénior de basquetebol, pode ser considerado um “produto”, para não falar em “marca”?
Quem um dia disse, entusiasmo em excesso resulta em desencanto por excesso, tem razão.O Unitel -Basket é uma prova coerente e concreta, que navega no meio de incertezas e é passaporte para um aumento pouco realista, (e já agora, pouco saudável) de carga emocional, de entusiasmos, de paixão e de emoção.E, por mais séria e profunda que seja a noção, que (não) se tem da urgência, a verdade é que na área de marketing não há nenhuma correcção que não exija muitas vezes mudanças de direcção com urgência.Que fique bem claro, que não estou a inventar a roda!
*Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Nzongo Bernardo dos Santos *

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