Jornal dos Desportos

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Opinião

Marrocos um palco para reviver a estreia

13 de Janeiro, 2018
Depois de uma preparação marcada por alguns espinhos, no país, a Selecção Nacional de futebol em honras já respira os ares de Agadir, no Reino do Marrocos, onde terça-feira próxima, dia 16, se estreia frente à similar do Burkina Faso para a 5ª edição do CHAN.
No Marrocos, uma pátria circunscrita à região do Magreb e um palco onde frequentas vezes os Palancas Negras actuaram, Angola pode reviver momentos semelhantes aos por que passou na estreia desta prova reservada apenas a jogadores que evoluem nos rspectivos países. Relembrar o sonho do Sudão-2011 pode traduzir, para já, uma meta.
No pontapé de saída desta cimeira do futebol africano, os Palancas Negras, treinados na altura por Lito Vidigal, alcançaram, no Sudão, um honroso segundo lugar, fruto da disputa da final em que perderam para Tunísia por 1-3.
Já no retorno do CHAN e, quando este, assinalava a sua quarta edição, o combinado angolano não logrou, sequer, a qualificação à segunda fase. Portanto, na segunda presença na prova, no Ruanza, Angola fez uma campanha para esquecer.
É verdade que na sua terceira presença nesta montra do futebol africano apesar das inúmeras dificuldades por que o conjunto passou, na antecedência do torneio, ainda assim, pode-se esperar pelo brilho. É uma missão difícil, mas não impossível.
Na maior parte dos prognósticos dos agentes ligados ao futebol aponta-se, para uma campanha pouco ousada de Angola, pelas inúmeras dificuldades que marcaram a preparação do conjunto, sobretudo pelo começo tardio desta e a indicação do técnico praticamente a escassos dias da competição. Para muitos o primeiro deslize começa aí.
E aqui levanta-se uma primeira inquietação: terá tido, o técnico sérvio Srdjan Vasiljevic, tempo suficiente para moldar uma equipa capaz de ombrear com outras selecções que desfilam neste torneio que arranca hoje no Marrocos e que se estende a 4 de Fevereiro?
Claro que não. O primeiro grande handicap estará ligado ao factor-língua, pois o técnico Srdjan Vasiljevic não tem qualquer domínio da língua de Camões.
Apesar disso, o conjunto contou, na sua fase da preparação, com a experiência Silvestre Pelé, um dos adjuntos do técnico sérvio, mas que ainda assim não se faz presente no Marrocos. O adjunto de Srdjan Vasiljevic, na qualidade de coordenador das selecções de Sub-17 e 20, acompanha os “nacionais” da categoria que decorrem em Luanda.
E por falar de selecções jovens muitos “expertes” do desporto-rei no país defendiam, mesmo, que neste CHAN o mais sensato é que Angola se fizesse presente na prova, a selecção que esteve no torneio de Toulom, em França.
Isto, no entender destes, porque as valências desta prova reservada apenas a jogadores que evoluem nos respectivos paíse não se equipara a um Campeonato Africano das Nações (CAN) ou outras provas sob a êgide do órgãos reitor do futebol africano.
Portanto, pelo facto de o CHAN não fazer parte do lote das provas mais prestigiadas da Confederação Africana de Futebol (CAF), optava-se por esta esta selecção de escalão inferior e assim evitava-se muitas das situações que marcaram a preparação de Angola.
Uma dessas prende-se com o facto de os jogadores do 1º de Agosto, por opção da direcção do clube, terem preterido o envolvimento na preparação da Selecção Nacional em benefício da Liga dos Clubes Campeões em que turma militar estará engajada.
A meu ver não deixa de ser lícita esta posição da direcção do clube do rio-seco. O 1º de Agosto vai estar engajado a partir de Fevereiro próximo na Liga dos Campeões Africana e esta prova é, indiscutivelmente mais importante que o CHAN. É a minha visão, mas respeito a posição de quem pense de forma contrária.
Não obstante isso, como angolano hei-de de torcer também para que os nossos Palancas façam da excelência uma divisa nesse torneio. E se tiverem a ousadia de repetir a proeza do CHAN de 2011, no Sudão, seria ouro sobre azul.
Espero ainda, caso a selecção de todos nós cumpra com o desígneo de chegar à final, que desta vez supere o seu oponente. Dito de outra forma, que a terceira seja de vez. Uma vitória neste CHAN apagaria, na certa, o mar de revezes por que passa o nosso futebol.
O Burkina Faso, adversário de estreia de Angola nesta segunda-feira, tem os seus argumentos e armas para contrapor as eventuais adversidades a encontar na trincheira dos nossos Palancas Negras, mas ainda assim não é imbatível.
Reconhece-se, também, a capacidade dos Cavalos burkinabes, pela boa prestação que vem tendo em várias provas do futebol continental, mas obviamente os bravos rapazes angolanos tem também as suas valências para impedir que estes pastem a seu bel-prazer.
No duelo frentes aos Leões Indomáveis camaroneses e assim como o que lhes opõe ao aos congolese de Brazzaville, o fecho das contas da primeira do Grupo D, os Palancas Negra podem, paralelamente contrapor a força e a determinação destes.
E caso todas essas conjecturas que se fazem em torno da campanha angolana se efectivarem então podemos espreitar, na certa, uma excelente prestação dos Palancas Negras neste torneio.
Indiscutivelmente uma excelente prestação, passa primeiro por transpor este fase inicial do CHAN e depois tentar-se o assalto à final. E espero, nesse sentido, que se tiver que haver um vencedor deste torneio que seja, efectivamente, Angola. Penso ser um desejo legítimo, como angolano e patriota.
SÉRGIO V.DIAS

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