Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Matrimnioentre marketing e gesto desportiva

05 de Agosto, 2019
Não sou muito a favor da distinção no marketing. Apesar de nos últimos anos, o marketing ter sofrido um grande desenvolvimento e especialização, na minha opinião marketing é marketing. No marketing, temos problemas a resolver e objectivos a atingir. Dito isto, a escolha dos meios e ferramentas a utilizar não devem ser considerados como os aspectos mais importantes, e nem é em que nos devemos focar.

Ao invés disso, os meios e ferramentas devem ser utilizados como os fins que pretendemos alcançar. No caso de Angola, faz todo o sentido que o marketing integre a gestão desportiva nacional, independentemente, da modalidade em causa. Em parte, devido ao contexto histórico -económico do país o desporto nacional, sempre foi muito dependente dos dinheiros públicos.
Com a actual crise económica e financeira que grassa o país, com impacto e reflexos nefastos nos vários sectores da vida sócio -económica de Angola, em que o desporto não é “vítima” nem tão pouco “excepção”, as receitas provenientes do O.G.E (Orçamento Geral do Estado) vêm sofrendo sucessivos cortes, ajustamentos e cativações, com efeitos sombrios para o desporto nacional. Embora a procissão ainda vá no adro, continua a existir uma determinada corrente de opinião que defende que o Estado deve alocar mais dinheiro para o desporto nacional, invocado questão de segurança e saúde pública.
A verdade é que começa ser cada vez mais consensual, através de opiniões emitidas em ambientes reservados ou mesmo em espaços públicos, com salvaguarda dos respectivos limites, que o desporto nacional deve procurar outras formas de financiamento, e activar outros mecanismos para a sua auto-sustentabilidade financeira.
Aplicar as ferramentas e os meios utilizados no marketing para a gestão desportiva, mostra-se uma aposta ganha, com retornos financeiros em termos de receitas a médio e longo prazos como facto garantido, a julgar pelo que acontece um pouco por todo o mundo. Associar o desporto a processos e princípios de marketing, proporciona a afirmação de marcas desportivas e cria um elo emocional e de fidelização muito fortes com os consumidores, de forma geral, que de outra forma seria difícil conseguir.
Através do marketing inserido no desporto, os players directos e indirectos do mercado desportivo podem conhecer e lidar com os consumidores (clientes) de qualquer segmento de mercado, seja de telecomunicações, banca, seguros, grande distribuição e retalho, de bebidas e tantos outros, com vista a criar mais satisfação, valores, atrair e conquistar mais consumidores e proporcionar aos mesmos, experiências únicas de emoção e de consumo, referentes aos produtos, serviços, e bens disponibilizados para o efeito.
Os estudos feitos, na sua generalidade, atestam que mais de 90 % das receitas obtidas no mercado desportivo, seja na Europa, nas Américas do Norte, e do Sul, e agora, também na Ásia, são provenientes de produtos e serviços relacionados ou promovidos pelo marketing. Para o leitor ter uma ideia, estamos a falar de valores que rondam os 50 mil milhões de dólares líquidos.
Numa fase em que o país faz a “curva apertada” devido aos constrangimentos financeiros que enfrenta, acredito que seja do interesse de todos, sem excepção, até mesmo por ser uma questão de desígnio nacional, que o nosso desporto não perca o “controlo do volante”!
(*)Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
Zongo Fernando dos santos

Últimas Opinies

  • 21 de Setembro, 2019

    Craques que buscam afirmao alm-fronteiras

    É por demais sabido, que a história do futebol angolano regista o nome de ex-jogadores, que ajudaram a elevar o nome do país além-fronteiras.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Talentos angolanos ofuscados na dispora (?)

    Hoje, neste espaço assinado “A duas mãos”, concordamos escrever sobre um assunto de suma importância e que merece a nossa atenção, até porque, sem desprimor para outros, as questões sobre os futebolistas angolanos que actuam na diáspora, com particular destaque para os novos talentos que têm, nos últimos tempos, preenchido largos espaços na média desportiva e não só.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Cartas dos Leitores

    Os adversários são bons, os grupos são fortes e têm boas selecções.

    Ler mais »

  • 21 de Setembro, 2019

    Crise petrolfera

    Há maus ventos no Petro Atlético de Luanda

    Ler mais »

  • 19 de Setembro, 2019

    Futebol nacional deve ser revolucionado? (II)

    A semana precedente fechei o texto com o seguinte argumento: “A meu ver, já não se pode gastar dinheiro em vão com o futebol.

    Ler mais »

Ver todas »