Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mbumbos do andebol

12 de Janeiro, 2019
Há poucos dias, confrontei-me com o desabafo de um treinador de andebol, daqueles que apaixonou-se pela modalidade. Sei e ele também sabe, que nunca vai abandonar o andebol. Está-lhe nas veias, no ar que respira.
\"Oh Cacuti nós do andebol masculino não somos tidos nem achados\", disse ele. \"Coach há gostos e gostos. Trabalhem e o vosso trabalho vai conquistar corações!\", respondi-lhe prontamente. O homem aquiesceu.
Uma funcionária da embaixada norueguesa em Luanda, ao saber da razão da solicitação do visto, gracejou. Entre sorrisos desdenhou a participação da selecção masculina. Mostrou admiração, porque sempre ouviu falar das senhoras.
\"Ahh, sei das nossas Pérolas, que me orgulham muito, enquanto mulher angolana. Agora os rapazes... Num sei não!\", comentou.
\"Os rapazes dão sinais de crescimento. Têm, consecutivamente, duas medalhas de bronze continentais e, esta vai ser a segunda presença consecutiva em mundiais. No mundial passado fomos últimos classificados\", frisei e, antes que reagisse, informei-lhe também que, embora não parecesse, era a quarta vez que Angola \"masculina\" jogava campeonatos do mundo.
Disse-lhe também que era Angola a única equipa da África Negra, subsaariana, a intrometer-se na disputa dos mundiais. Que era, antes, um privilégio de europeus, asiáticos, americanos e a África Branca, ou Magrebe.
Daqui do palco do mundial ocorreu-me dizer mais umas verdades sobre o andebol masculino. Que não disse nem ao treinador, e muito menos à minha amiga de ocasião.
Quero dizer-vos que têm alguma razão. Afinal, quem joga mundiais são as senhoras; quem domina África são elas; os patrocínios surgem para elas; os clubes têm disponibilidade apenas para elas nas provas continentais; a imprensa está focada nelas.
Dêem tempo! Eles estão a trabalhar e apesar da nossa competição interna efémera, eles estão a trabalhar e já vem os tempos para alegrias!
Em outras palavras e sem xenofobias, os angolanos e uns poucos brasileiros e franceses tingem a população mundial do andebol representada pelas 24 selecções nacionais na Alemanha e Dinamarca. São, com orgulho, os \"mbumbos\" do andebol. Viva Angola!
Silva Cacuti, Em Copenhaga

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