Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mecenato no desporto: vazio que ocupa espao!

06 de Agosto, 2018
Passados 3 (três) anos, desde que foi publicado em Diário da República , o decreto presidencial nº 195/15 que revoga toda legislação referente ao \"Regulamento da Lei do Mecenato\", que a referida lei não aquece , e tampouco arrefece a prática desportiva em Angola, cujas implicações derivada da crise económica e financeira que o país atravessa, tem levado a queda e perda vertiginosa da sua vitalidade, pujança e qualidade.
Isto ficou bem patente, durante o 1º seminário sobre legislação desportiva e a lei do mecenato, promovido pelo Ministério da Juventude e Desportos, no passado dia 10 de Maio do corrente ano, que contou com a presença em jeito de \"bola cheia\" dos agentes desportivos, e em \"bola vazia\" da classe empresarial.
Muito mais ou menos importante do que este facto, foi visível durante o referido encontro, ter se notado um Secretário de Estado para o Desporto totalmente cauteloso e apreensivo, e um Director Nacional para Políticas Desportivas do MINJUD, a irradiar uma \"cosmética\" satisfação, não deixando de apresentar claros sinais de incerteza.
Ainda sobre o tão badalado seminário ficou bem patente, salvo raríssimas e honrosas excepções, que falta ao desporto angolano estofo intelectual , preparação académica e dimensão especializada, conjunto de factores que fazem um dirigente desportivo buscar ganhos e não tirar benefícios da Lei do Mecenato.
Porém o que mais me deixa perplexo no meio deste pandemónio todo que se vai gerando em torno da lei do Mecenato, é que os benefícios da referida lei foram ultrapassados em sentido funcional, pois os efeitos serão cirúrgicos, se levarmos em conta as causas que enfermam o desporto nacional no actual contexto socio-económico e financeiro que o país vive.
Será que a Lei do Mecenato, corre o risco de se tornar irrelevante com o passar o tempo?
Dando o benefício da dúvida, aposto no talvez sim, do que no possivelmente não!
Embora não possua uma bola de cristal, para \"adivinhar\" o que o futuro reserva para a Lei do Mecenato, no que o desporto diz respeito, devo sublinhar e deixar bem claro que não sou a favor e tampouco tenho algo contra os 40 artigos que compõe a estrutura legislativa e legal da referida lei, porque a minha \"praia\" é mesmo o marketing desportivo.
Facto que não me inibe de deixar bem registado aqui neste espaço, que o mecenato tem motivação social e desinteressada, e sua mensagem é cívica e social que tem como objectivo principal a busca de uma identidade para uma empresa enquanto instituição.
O mecenato é, \"originalmente\" , um mecanismo de apoio financeiro com finalidade altruísta em acções geralmente sociais.
E coloco propositadamente entre aspas a palavra “originalmente” porque a realidade é que, apesar do objectivo apresentado ser apenas o de contribuir para o desenvolvimento positivo de determinada causa, o que acontece é que a entidade beneficiada acaba, regra geral, por referir quem é o benemérito, fornecendo status e valores sociais à marca.
Quanto à Lei do Mecenato , virado para o desporto nacional, é preciso se ter em conta que a sua aplicação e efectivação depende em muito da pré-disposição da classe empresarial e dos investidores, e também de outros ingredientes , como uma economia mais competitiva , onde os empresários, investidores , homens de negócios e empreendedores sintam a necessidade de promover os seus produtos e serviços através de condições \"sui generis\" criadas por quem pretende buscar ganhos da Lei do Mecenato.
Se a Lei do Mecenato é caracterizada por ser um conjunto de incentivos de natureza fiscal que se traduzem na redução de impostos a quem contribua para o desenvolvimento do sector social e afins , visando o desenvolvimento do país, eu que sou um \"peixinho na água\" no que ao marketing desportivo diz respeito, fico incrédulo e céptico em ver a classe empresarial a abraçar de corpo e alma a Lei do Mecenato, porque as suas motivações , objectivos e resultados traçados vão muito além de uma forma de boa vontade , de prestar auxílio no desenvolvimento de acções sociais ou desportivas , sem intenções comerciais.
Na verdade, e atrevo-me a deixar bem registado neste espaço, o que marketing e o mecenato têm em comum é, apenas, a necessidade de existir da parte da marca que patrocina ou da marca benemérita um investimento sobre a marca patrocinada ou beneficiada.
De resto, são duas formas totalmente diferentes , para não dizer opostas, de promover determinada marca, produto ou serviço.
Por este motivo, acredito que o mecenato é bastante eficaz para fornecer projecção política.
*Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo
ZONGO FERNANDO DOS SANTOS *

Últimas Opinies

  • 20 de Maio, 2019

    Liga de futebol, "parto" ou"aborto"?

    A sabedoria popular é fértil em expressões, que nos apelam à cautela, principalmente quando queremos empreender por projectos que tem de se adequar e se ajustar ao momento e ao contexto em que estamos inseridos, com noção plena de onde saímos (passado), onde estamos (presente), e visão assertiva para onde queremos chegar (futuro), tais como: "devagar se vai longe; "a pressa é inimiga da perfeição"; 

    Ler mais »

  • 20 de Maio, 2019

    DAgosto...ser campeo e estar atrs do Al Alhy

    Antes de tudo, porque é bom que se diga, hoje o 1º de Agosto, além da alegria do título,é o tetra na sua galeria, acorda, nesta segunda-feira, com um registo histórico em África: é a segunda equipa, depois do Al Ahly do Egipto, que termina o campeonato sem consentir uma derrota...

    Ler mais »

  • 20 de Maio, 2019

    Cartas dos Leitores

    Se tivermos a falar de investimento na área do turismo, sem sombras de dúvidas que o golfe é aquele (desporto) que está mais ligado ao turismo. 

    Ler mais »

  • 20 de Maio, 2019

    Enfim o tetra...

    O 1º de Agosto arrebatou, pela quarta vez consecutiva, o troféu de campeão nacional da I Divisão, um feito até então só logrado, de forma ousada, pelo Petro de Luanda, que havia alcançado o penta campeonato, depois das conquistas sucessivas desta que é a maior prova do futebol no país em 1986, 1987, 1988, 1989 e 1990.

    Ler mais »

  • 18 de Maio, 2019

    DAgosto e Petro numa luta entusiasta

    O final do Girabola Zap 2018/2019 para lá de provocar acérrimas lutas pela conquista do título e permanência no escalão maior do nosso futebol, trás consigo outras nuances, que apimentam ainda mais a nossa competição interna.

    Ler mais »

Ver todas »