Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Medidas que asseguram no desporto

20 de Abril, 2019
Não é fácil falar de seguros, assegurados, seguradora, enfim, muito mais quando se trata de seguros e fundo de pensões para atletas, apesar de ser uma matéria transcendente e de abordagem imediata, a julgar pela importância que carrega e a transversalidade que tem.
De facto, é ingente, premente e urgente que se definam balizas em relação à esta matéria que tem trazido muita fazenda para manga em função dos frutos e benefícios que provoca no futuro próximo aquém hoje dá o seu melhor em prol do desporto nas quadras e nos campos mas amanhã pode acabar como mendigo, pedinte ou raboteiro na praça da esquina.
Infelizmente, esta é a verdade. Esta é a nossa realidade, pelo menos até agora que não tivemos nenhum mecanismo que salvaguarde os mais nobres interesses de que durante quase toda juventude honra a Pátria, sua a camisola da selecção nacional ou deia o seu contributo valioso em prol da causa do desporto. Antes, nos outros tempos, não acontecia assim. Administrativa e legalmente, não tinham sido esgrimidos os mecanismos institucionais para que o desportista da alta-competição (e não só) de ontem, seja reconhecido e salvaguardado hoje.
Para além da manutenção da sua qualidade de vida, saúde e dignidade, há outros quesitos que podem ser salvaguardados na integridade de um ex-desportista como a sua moral, o seu “know-how” desportivo, o seu conhecimento e experiência, enfim e…. sobretudo o seu patriotismo, se tivermos em conta que, ao contrário do que acontece hoje, ontem, o desporto era feito basicamente, “por amor à camisola”. Ou seja, fazia-se, praticamente um desporto “revolucionário” em prol da Nação que acabava de nascer e que precisava a breve trecho se erguer no contexto regional, continental e internacional, dada a sua localização e posição geoestratégica.
Deste modo, aproveitando bem, o fulgor de compatriotas que acederam ao chamado do “Pai” da Nação, António Agostinho Neto que profeticamente num dos seus poemas do livro “Sagrada Esperança” aludia que “Havemos de Voltar (…)” os angolanos quer na metrópole, quer em vários países limítrofes onde havia se refugiado em consequência da guerra atroz, regressaram. Muitos dos quais, futebolistas feitos são os casos de Eduardo Laurindo, Domingos Inguila, João Machado, Joaquim Diniz; Sarmento, Maluka, Vicy, Ndongala, Fuso, enfim, uma mão cheia de talentos que, conjuntamente com os que actuavam aqui no País, ajudaram a erguer o futebol, no caso e o desporto no geral.
Empenharam-se. Incentivaram a juventude e outras gerações surgiram, de Novato, Nejó, Laica, Nelito Kwanza, Basílio Nambalo, Lucas, Brás, Barbosa, Ivo Traça, Luizinho Cazengue, Paulo Tomás, Quinzinho, Akwá, Paulão e tantos, tantos outros milhares. Desafortunadamente, esses pouco ou nada tiveram de recompensa, enquanto fazedores do desporto, do futebol no caso, em tempo de “revolução” quente e fervorosa, fazendo o desporto “para o povo e pelo povo”. Resumindo, em termos de rendimentos e seguros de vida, convenhamos, não ganharam absolutamente nada, para além de uma efémera fama… esgotada no tempo por falta de continuidade de divulgação dos seus feitos como forma de incentivar outras gerações.
Hoje, a realidade é diferente. Totalmente diferente. As sociedades evoluíram. Os paradigmas mudaram e o que ganha, por exemplo um futebolista ou basquetebolista actualmente, no tal mundo mercadológico é megalómano.
Por isso, está a ser criado o mecanismo de seguros e pensões para assegurar a continuidade da vida, em termos de sustentabilidade social e económica, daqueles que muito fazem no presente em prol do desporto. Descontar hoje, para puder receber amanhã, num futuro próximo.
Este é um exercício que pode contribuir para devolução e recuperação da dignidade do desportista, convenhamos. Por isso, que venha o processo e que haja lisura e seriedade. Morais Canãmua


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