Jornal dos Desportos

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Opinio

Melhorar a classificao do CAN

20 de Junho, 2019
A Selecção Nacional de futebol de honras vai jogar pela oitava vez numa a fase final de um Campeonato Africano das Nações (CAN), depois de ter participado pela primeira vez a edição realizada na África do Sul, em 1996, com o finado Carlos Alinho no comando técnico do conjunto.
Na sua primeira participação, com jogadores como Orlando, Marito, Minhonha, Wilson, Fua, Akwá, Quinzinho, Castela, Joni, Paulão, Helder Vicente, Neto, Carlos Pedro, Tubia e outros, os angolanos, foram eliminados na primeira fase, mas fizeram boa figura. No primeiro jogo os Palancas Negras perderam por 2-1 diante do Egipto, no segundo voltaram a baquear frente a África do Sul por 1-0, que viria a sagrar-se campeã continental, e no último jogo impuseram um rigoroso empate a três bolas aos Camarões.
Portanto, das sete vezes que o “onze” angolano participou no CAN, em duas ocasiões, isto em 2008 e 2010, atingiu os quartos-de-final.
Apesar do CAN de 2010 ter sido realizado em Angola, em minha opinião foi na edição realizada em 2008, no Ghana, que os Palancas Negras fizeram a sua melhor exibição de sempre em jogos internacionais.
Vale recordar que na referida edição, foi orientada tecnicamente pelo angolano Oliveira Gonçalves, com uma equipa composta por Lama, Kali, Yamba Asha, Ze Kalanga, André Macanga, Gilberto, Mateus Galiano, Flávio, Manucho e outros, empataram a uma bola contra a África do Sul, depois voltaram a repartir pontos com voltaram a empatar com Tunísia, com quem o jogo saldou-se num 0-0, ao passo que na derradeira jornada da fase preliminar venceram o Senegal por 3-1. No jogo da vitória de Angola sobre o Senegal, o combinado nacional esteve a perder por 1-0 até ao intervalo.
Na segunda parte os angolanos surpreenderam o mundo do futebol com uma exibição que jamais será esquecida por todos que puderam testemunhar esse duelo. Manucho Gonçalves com dois golos e Flávio Amado com um, resolveram a partida para Angola.
Já em 2010, embora tenhamos chegado também aos quartos-de-final, no jogo inaugural os Palancas Negras, realizavam até aos 78 minutos uma partida digna de um grande candidato ao título e goleava a badalada selecção do Mali por 4 bolas á zero.
Mas em apenas 12 minutos o sonho angolano transformou-se em pesadelo pois os malianos acabaram empatando o desafio, marcando quatro golos praticamente de rajada. As 50 mil almas que lotaram o Estádio 11 de Novembro e outras dezenas de milhões de angolanos fora dele ficaram estupefactos.
Foi um momento negro para o futebol angolano que também jamais será esquecido.
Agora vem aí o CAN do Egipto, que arranca amanhã, e que Angola, jogará a primeira fase num grupo que tem como principal candidato a passagem a segunda fase a Tunísia, em função do seu historial a nível do futebol africano, e o Mali, como a segunda força. Assim sendo a grande questão é: o que se pode esperar dos Palancas Negras neste CAN? É verdade que a Tunísia e o Mali, em termos de “ranking” quer a nível de África como Mundial estão acima dos Palancas Negras.
Entretanto, em minha modesta opinião temos motivos para acreditar que a nossa selecção possa fazer muito boa figura neste Campeonato Africano. Um dos motivos que me fazem acreditar numa possível boa prestação dos Palancas Negras, no CAN do Egipto, é o facto de o nosso futebol estar em franco crescimento ou seja a ressurgir das cinzas depois daquele período cinzento que atravessou. Por outro lado, a Selecção Nacional ganhou muito com a contratação Srdjan Vasiljevic como treinador principal.
Sim, podemos considerar que Vasiljevic, foi o grande “reforço” dos Palancas Negras, pois desde que o homem chegou à selecção, vê-se claramente que os nossos jogadores mudaram drasticamente na forma de pensar e encarar o futebol de alta competição.
Vasiljevic, conseguiu incutir nos jogadores uma atitude mental muito forte a começar pela auto estima dos próprios jogadores. Actualmente, nota-se que os nossos jogadores entram para competir em qualquer desafio e não apenas para participar.
Aquele espírito de representar a selecção só para conhecer países e receber prémios de jogos e divertir-se já não existe. Se repararmos mais de 70 por cento dos jogadores que representam actualmente os Palancas Negras já o fazem há mais de cinco anos o que implica dizer que também fizeram parte dela naqueles momentos que consideramos cinzentos para não dizer negro do nosso futebol.
Hoje com Vasiljevic, no comando técnico as coisas mudaram e estamos no bom caminho. O progresso do nosso futebol é fruto também da mudança de mentalidade de alguns dirigentes. Podemos citar como exemplo o 1º de Agosto. Não foi em vão que o ano passado os militares chegaram até as meias finais da Liga dos Campeões de África e com isso faz parte das melhores equipas de África.
Assim sendo, podemos dizer que a grandeza dos tunisinos e malianos sobre os angolanos deverá ser comprovada em campo e não apenas em teoria.
Por isso podemos considerar e acreditar que os Palancas Negras podem discutir a passagem, aos quartos de finais e melhorar a classificação de 2010, pois a Tunísia, Mali e a Mauritânia estão ao nosso alcance. Acredito piamente nisso... Augusto Fernandes

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