Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Melhores pessoas em 2019

03 de Janeiro, 2019
É comum desejarmos um ano novo melhor, no entanto quem deve melhorar somos nós. Quando penso racionalmente no desporto, quer dizer com argumentos que sustentem uma lógica, sempre encontro a resposta nos sistemas, que são coisas criadas pelos homens e apoiadas em políticas.
Assim e a iniciar um ano por enquanto novo, penso num evento como um conselho nacional de desporto federado, que prestasse para haver um ‘check and balance’ como se diz tecnicamente, onde se avalia o custo e benefício de quanto o Estado gasta com esse desporto, ou como a entidade regente deste desporto (federação) projecta trocar os seus gastos, por objectivos.
Além de não ter visto este fórum, acredito que a maioria da família desportiva (os agentes desportivos) também não possa estar interessado, pois prestar contas saiu do nosso hábito e por isso se fala tanto de corrupção, sem se falar de transparência e conformidade, pois tudo o que é feito com clareza e respeito pela norma sempre resulta em legalidade.
Alguma vez se ouviu que contra a legalidade ninguém combate? Sim, não se ouviu, mas é o que mais se vê. Combater a legalidade favorece a uns poucos e prejudica a todos os outros, então é importante começar a ver o sector da juventude e desporto como uma planície extensa por onde se pode começar a endireitar o resto. Aliás, como força do futuro de um país, a juventude só tem a beneficiar dos exemplos saudáveis para a sua forma de organização e o seu modo de vida.
Estranhamento o accionista Estado não se tem importado muito com a sua diminuta fiscalidade, que favorece o crescimento de cogumelos venenosos nas suas cercanias, ou mesmo entranhas, representando um perigoso ambiente para as próprias actividades desse mesmo Estado. E entendido o Estado como a entidade supra de todos nós, população, sociedade, país e nação, resta apelar ao Fiscal que mande endireitar as coisas, para que não se repitam, nem voltemos a desejar um ano melhor daqui a doze meses.
Então o ano é sempre o resultado das nossas acções, que depois nos parecem felizes ou infelizes consoante o desfecho. E não será difícil perceber que nenhum ano será melhor, se nós próprios não melhorarmos.
Entre outras iniciativas para melhorar o nosso horizonte anual, está também a ambição e este Estado desportivo de coisas parece ter perdido isso. Assim e sem metas, nem ambição, o que poderemos esperar de 2019 desportivamente falando?
Não seria curial nos primeiros dias do ano tocar a reunir com os mais ambiciosos agentes, nomeadamente andebol, basquetebol e futebol, para sabermos que cartas têm para poder-se pô-las sobre a mesa e ver como isso possa ser exequível?
Mais que uma dificuldade estrutural, existe para mim um problema vocacional para o desporto na estrutura administradora do Estado, o que se deve em parte à falta de políticas, mas consequentemente à falta de dirigentes estruturados para dirigir, organizar, administrar e controlar as actividades desportivas, como é papel do Estado fazer, visto ser o accionista que entra com o capital, mas que não avalia os resultados financeiros finais.
Também já tentei ver a questão pelo ângulo da militância, que pré-determina que a força política vencedora indique ao Estado os seus gestores, porém, é preciso que entre as valências dos militantes designados para funções, haja também competências para esse desempenho.
Assim e referindo-nos ao sector do desporto, a figura que faz de placa giratória para todos esse sistema chama-se Direcção Nacional do Desporto e como tudo, tem um director. Assim e referindo-nos a este momento de natural expectativa sobre o que vai ser 2019, era desejável ouvir antes de mais ninguém, ou da boca do titular da pasta da juventude e desporto, ou do director do desporto.
Como área de especialidade, o desporto requer que se trabalhe com ele utilizando o próprio ADN desportivo, que é um complexo de vivências e valências estruturado em competências para o cargo e aspirante aos melhores resultados dos seus sequazes desportivos, que são os agentes do desporto, tais como clubes, associações e federações.
Não é assim tão cedo para se vir falar de isto, admitindo que para quem seja desportista, a festa da quadra e fim do ano já acabou. O treino dos verdadeiros competidores já recomeçou.
De 10 a 28 deste mês, na Dinamarca, Angola volta a deliciar os adeptos do jogo de Sete com repetida presença em um campeonato do mundo, como medalhas de bronze africanos, secundando tunisinos e egípcios, o que é um feito já à partida, pois, recordo-me das décadas passadas, em que os nossos homens não eram dignos do pódio africano.
Quanto a Elas, vou primeiro saborear a sua conquista de mais um Africano, em Brazzaville, onde haviam sido recebidas com o cântico de serem o alvo a abater, mas donde saíram como alvo adiado levando novamente as medalhas de ouro e taça. Agora, as nossas ‘énecampeoníssimas’ têm todo ano para preparar o mundial de Dezembro próximo, no Japão, onde o mundo verá uma selecção rejuvenescida e intrigante sobre a nossa fórmula campeã.
Se o andebol tem sabido manter o ADN, o mesmo já não se pode dizer do basquetebol, que mesmo atingindo o pódio africano nas categorias jovens, trata-se de uma faixa etária condenada a não ter usufruto da dupla-categoria, nem os minutos de jogo suficientes para manter níveis de margens para evolução, porém, a questão parece não preocupar os agentes desportivos e, curiosamente, nem a Direcção Nacional do Desporto...
Assim e como referência para 2019, temos por enquanto a ida ao mundial, de 31 de agosto a 19 de setembro, na China. Angola apurou-se já, a seguir à invicta Nigéria e à campeã continental em título, Tunísia, com uma derrota no apuramento, contra duas nossas. Para o nigeriano Efevberha, as Super Águias “vão ter a grande oportunidade de ir ao mundial e deixar o Planeta em estado de choque”, algo que os angolanos já haviam roçado em 2006, no Japão, com o seleccionador Alberto de Carvalho ‘Ginguba’.
Finalmente e em Março, saberemos se vamos, ou não, à cimeira do futebol africano. Marcado para entre Junho e Julho, o CAN sénior masculino de futebol, que havia sido retirado aos Camarões no começo de Dezembro, e ainda com um anfitrião a indicar, é de bom tom dizer que a tal nos conviria aceder, sob risco de um novo revés para o futebol nacional.
Quando em finais de Dezembro de 2017, o então contratado seleccionador de jovens, Sredjan Vasiljevic, foi instado a trocar e pegar nos seniores, para os levar ao CHAN no Marrocos, tudo não passava duma situação de desenrasque, incluindo o plantel. Com cara de nossa equipa ‘C’, no começo, depois de nossa equipa ‘B’, no arranque do também chamado ‘CAN dos domésticos’, o improvisado combinado dos ‘Palancas Negras’ elevou-se do nada e fez acreditar em que ‘habemos selecção’, saindo dos quartos-de-final com cara de nossa equipa ‘A’.
Para além de ser importante manter os ciclos de jogos internacionais para manter rotinas e desenvolver resistência competitiva, os ‘Palancas Negras’ que hoje tempos, revigorados com o acerto pessoal em campo de jogadores líderes já de nível aceitável, como Gelson e Geraldo, voltaram a fazer crer o País, de que temos selecção. Por enquanto, não comprometeram, sabido como perderam no Burkina, ainda com Beto Bianchi, e como ficaram sem mais 3 pontos, no terreno da Mauritânia e contra todas as irregularidades invisíveis para a CAF.
Assim e tendo horado a promessa feita pontualmente ao Presidente, para o jogo ganho contra o Botswana, eis que, para março e o jogo capital, deste em casa dos tswaneses, Angola precisa realmente da mobilização do País, mais do que apenas da FAF e seus parceiros, pois, a federação ainda não dispõe dos recursos financeiros necessários para subsidiar a melhor das preparações, para Angola chegar e ganhar, encerrando o dilema da ida ao CAN.
Para quem não sabe, desde o ano de 2017, a federação angolana tem estado sob o crivo auditor da FIFA, sendo que, sem a conclusão da auditoria, não pode aspirar a mais do que um subsídio de administração dado pela federação internacional, que é anual e de 250 mil dólares. Nem mais um cêntimo, até conclusão da auditoria. E esta está a cargo duma entidade indicada pela própria FIFA.
Entre o passivo herdado pela chapa eleitoral de Artur Silva, contam-se acúmulos nas ordem dos 10 milhões de dólares americanos, fora 13 meses de salários atrasados, que a FAF acertou até Novembro último, culminando um drama social vivido por aqueles lados, mas de cujo final feliz nem houve sequer ecos, nem comentários.
Para tal conta igualmente o subsídio duodecimal do Estado, por via do MINJUD, e que tem permitido saldar os honorários dos técnicos das selecções, entre outros imperativos contratuais que existem na FAF e que contam, para sorte sua, com a qualidade dos parceiros e patrocinadores que têm actualmente a federação de futebol.
Seja como for, o terceiro dos desporto do país, é o mais querido das multidões e, quem sabe, seja isto o que lhe vá valer, proximamente, maior atenção do Executivo do País, que tem tão poucas alegrias para o povo desfrutar.
ARLINDO MACEDO

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