Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Memrias dos Palancas durante o CAN do Gabo

24 de Janeiro, 2017
A semana passada foi prenhe de acontecimentos com valor de abordagem neste espaço do jornal, ao ponto de provocar alguma dificuldade no momento da eleição de qual seria o melhor tema para a tertúlia de hoje, visto que todos eles têm “sumo” e, de certeza, encontrariam acolhimento por parte dos leitores.

Estamos a falar do pedido de demissão de Norberto Castro, já aceite pelo órgão reitor que, em nota assinada pelo vice-presidente Dedaldino Balombo, diz que “ a direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) concorda com o pedido de demissão por considerar que as acusações do demissionário ferem o princípio da união, coesão e sentido de missão do grupo de trabalho”!..

Os sinais de pontuação achados no final do parágrafo precedente foram grafados propositadamente para permitir que cada leitor faça a sua interpretação se, de facto, o assunto fica apenas por aí, até porque o demissionário foi um dos rostos mais visíveis da campanha que culminou com a eleição da actual direcção da FAF.

Falaríamos, talvez, dos campeonatos de futebol em sub-17 e sub-20 que decorrem nas províncias de Benguela e Cabinda, respectivamente, com assinaláveis prestações das equipas do Electro do Lobito, Brilhantes de Simulambuco, Domant do Bengo e Boavista Futebol Clube de Benguela...

Entretanto, preferimos eleger o Campeonato Africano das Nações que decorre desde o dia 14 do corrente mês, no Gabão, que tem na Guiné-Bissau, a “embaixadora” das selecções portuguesas, entenda-se, selecções dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, cuja sigla é PALOP; quem diria!..

A ausência dos Palancas Negras, pela segunda vez consecutiva, motiva-nos a discorrer sobre algumas memórias da equipa nacional, numa espécie de aproveitar a ocasião que os outros dizem, faz o ladrão, na base de uma interpretação positiva ao enunciado, se não é pedir muito.

As primeiras memórias remetem-nos para o CAN de 2010, em que num dia como hoje, 24 de Janeiro, o combinado nacional terminava a sua participação na prova, ao consentir derrota de 0-1 frente ao Ghana que, por conseguinte disputou a final com o Egipto que veio a sagrar-se campeão, ao vencer o Ghana por 0-1, golo apontado por Gedo (lembra-se dele)?

Já naquela altura, o futebol nacional dava sinais, ainda que ténues, de fissuras, que faziam perceber que os tempos vindouros seriam sofríveis, o que veio a confirmar-se ante a teimosia de quem de direito em não sufragar o que era dito por especialistas em matéria de futebol doméstico e não só.

Como que ressaca do que foi bem feito na era de Armando Machado e Justino Fernandes, os Palancas Negras marcaram presença nos campeonatos seguintes, em 2012, co-organizado pelo Gabão e Guiné Equatorial e 2013, prova realizada em terras de Nelson Mandela, por sinal, país em que se deu início a caminhada de Angola, nestas coisas de CAN.

Na prova de 2012, Angola integrou um grupo a prior fácil e, para o desalento da nação, apenas conseguiu superar o Burkina Faso que quedou-se na quarta e última posição do grupo em que a mais cotada era a equipa da Costa do Marfim, de Didier Drogba e companhia.

Estava reforçado o sinal de alerta para o rumo que o futebol nacional tomava, ante a teimosia dos que desprezavam os conselhos de quem não se cansavam de os dar, de borla, alertando que a saúde do futebol angolano inspirava cuidados urgentes e intensivos.

Porém, sem que tais alertas tivessem serventia, fomos ao CAN de 2013, na África do Sul, que serviu de corolário para o marasmo em que mergulhou o futebol angolano com todas as tristes memórias que urgem resgatar, pois, neste momento, o futebol angolano parece não ser “carne nem peixe”.
Carlos Calongo

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