Jornal dos Desportos

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Opinio

Messi, Ronaldo, e os heris dos oitavos

02 de Julho, 2018
É possível que o Mundial não seja o mesmo a partir de agora, depois de Messi e Ronaldo terem regressado mais cedo à casa por via da eliminação das respectivas selecções, a Argentina diante da França e Portugal no jogo com o Uruguai.
A forma como o torneio se disputa teria de forçosamente colocar um dos jogadores fora de competição, que poderia acontecer até mesmo no confronto directo entre ambos, dado que muitas projecções apontavam para um Portugal-Argentina, caso os dois seleccionados conseguissem passar dos oitavos-de-final.
Em termos de valores individuais é consensual que a competição que a Rússia alberga ficou mais pobre. Tanto o português como o argentino têm méritos reconhecidos, o valor individual e a confirmação de saber com exactidão quem é facto o melhor jogador da actualidade gera sempre pelo mundo fora discussões acaloradas. O facto de nunca ter conquistado nada com a sua selecção, é pouco abonatório para Messi, ao contrário de Ronaldo que na França venceu com Portugal o Campeonato da Europa.
O histórico de Messi com a Argentina tem quatro finais em oito grandes torneios, mas nunca uma medalha de campeão. Por três vezes ele esteve entre os perdedores na final da Taça América, além de ter levado a Argentina à final da última Copa do Mundo, onde a selecção perdeu para a Alemanha no Rio de Janeiro.
Na sua quarta tentativa para subir ao pódio e erguer o troféu, Lionel Messi voltou a falhar com a sua Argentina, ainda que tenha o seu lugar reservado na história, dado que o golo contra a Nigéria, ainda na fase de grupos, tornou-o no primeiro jogador a marcar golos em Mundiais com menos de 20 anos, na casa dos 20 e na casa dos 30.
Depois de ter fechado as portas da selecção, logo após a derrota na final da Taça América, há dois anos, em que chegou a falhar um penalti, acabando por reconsiderar devido, em parte, as vozes que se ouviram no país e fora dele para que reconsiderasse na sua posição, é crível que Messi enverede pela aposentação da selecção, preferindo, ao invés, colocar todo seu valor ao serviço do seu Barcelona de Espanha.
Para o português, o tempo parece ser o seu pior adversário. Por altura do Mundial do Qatar, Cristiano Ronaldo terá 37 anos, e com essa idade dificilmente se imagina o jogador dentro das quatro linhas pela selecção portuguesa e com o mesmo fulgor. Para a FIFA, e depois do Mundial, o futuro de Ronaldo é um problema actual. Num aplicativo, o organismo questiona-se: \"O último vislumbre da lenda?\". É legítimo. Os anos podem começar a pesar sobre os seus ombros, noves fora a sua grande força de vontade e à forma como se tenta superar todos os dias.
Mas se Messi e Cristiano Ronaldo tiveram um afastamento precoce (?) do Mundial, o mesmo não se pode dizer de outras estrelas, duas brilharam nos dois jogos que abriram os oitavos-de-final.
Kylian Mbappé foi uma das figuras do triunfo da França sobre a Argentina (4-3), que selou a passagem dos gauleses aos quartos de final do Mundial 2018.
Segundo o jornal L\'Équipe, o jovem avançado atingiu uma velocidade na ordem dos 37 km/h antes de ser travado em falta na grande área, por Marcos Rojo, aos 11 minutos. Desse lance acabaria por surgir o 1-0 para os franceses. O rapaz correu, marcou e mereceu a distinção de ser o melhor no final do encontro.
Já no confronto entre portugueses e uruguaios, o jovem Cavani acabou por ser o homem do jogo. Os dois golos que marcou asseguraram a qualificação do Uruguai para a fase seguinte e matou o sonho de milhões de portugueses, luso-descendentes ou mesmo adeptos da selecção Tuga, que esperavam algo mais do que a passagem aos \"oitavos\", porque quem tem Ronaldo na sua selecção tem a obrigação de esperar sempre mais em termos de prestação.
A partida entre a França e o Uruguai na próxima sexta-feira vai, nos quartos-de-final, colocar em confronto os dois heróis da abertura dos oitavos-de-final. E certamente que Mbappé e Cavani vão ter uma palavra a dizer.
Ontem, o pesadelo Ibérico continuou, com a Espanha a sair da prova depois da marcação de grandes penalidades, como resultado do empate que persistiu quer no final do tempo regulamentar como no prolongamento.
Era elementar. A Rússia fez questão de usar do seu direito de dono da casa para impor as suas ordens.
Pobre Espanha que não fez por merecer muito mais. Depois dos problemas por que passou a \"Fúria\" espanhola, com a mudança de treinador em cima do campeonato num processo algo atribulado, o descalabro espanhol foi anunciado por este acontecimento inesperado, até porque o conjunto ficou muito a desejar, em que na última jornada diante do Marrocos ficou largos momentos desclassificado, porque os marroquinos souberam bater o pé.
Fontes Pereira


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